Diário dos Bleck Cap.8 Part.2

Autor: H.B.P  //  Categoria: Diário dos Bleck

Setembro, 11º dia, ano de 2001…

 

O jovem Bleck Potter foi a caminho do Salão de Jantar.

O café da manhã foi até animado, um grandioso banquete com direito a iguarias exóticas, e diversos tipos de pães e doces. Todos os jovens aproveitaram.

Erick Bleck não compareceu, sua cadeira principal ficou vazia. Desculpou-se ele, pois teria de trabalhar, estava ocupado no escritório em seu quarto, pedindo para que um elfo lhe leva-se algo.

– Tio Erick, ocupado? Com o que? – Indaga Will, já no final do café, quando Hecktor lhe explica a ausência de seu pai.

– Trabalhando, Will. Escrevendo.

– Trabalhando? Hahaha. – Ria sarcástica uma voz grossa e irritante, que acabara de chegar ao local. Mas irritante que a voz, somente a pessoa.

Higor Rocharch Malfoy, acabará de entrar no salão, com sua noiva, ainda chorosa, ao seu lado.

– Trabalhando sim, Higor. – Só com a presença do rapaz, Heck já sentia uma cólera a correr com sua pulsação forçada.

– Trabalhando no ócio. Só pode. – Ele completava rindo. Somente ele ria agora, em todo o salão.

Hecktor se contem para não atacar o jovem, ele era seu hospede, e noivo de sua prima. Não poderia agredi-lo, mesmo que isto lhe causasse grande alívio.

Higor segue, senta na cadeira oposta à vazia, no final da mesa. Com Sarah à seu lado. E começa a pegar algumas coisas para comer. Todos estão em silêncio, até que ele fala enquanto come um pedaço de bolo.

– Aquele velho aposentado… – Ele engole rapidamente o pedaço de bolo, pois sente um corte em sua testa, e logo sangue começa a escorrer de leve. – Mother Focker!

Alguns riram, outros se silenciaram tentando entender.

Hecktor Bleck Potter, que estava do outro lado da mesa enquanto ele insultava seu pai, pegou um garfo de prata sobre a mesa, e o rodou entre os dedos, logo arremessando-o na direção do homem bruto. Mesmo com excessiva e exagerada graça, poucos perceberam o que ele fez. Arremessou o garfo, que pela velocidade somente pareceu um disco, uma elicie prateada a planar sobre a mesa a rodopios. Batendo com um estalar em uma bandeja que levitava, e passando de raspão acima da sobrancelha do rapaz, deixando uma fina linha rubra, e indo fincar-se no quadro da parece dos fundos.

Muitos jovens riram, enquanto as pessoas no quadro se afastavam de onde o garfo ficou preso.

Me – Me desculpe, Higor. – Hecktor dizia, zombeteiro, levantando-se de sua cadeira. – Escorregou de minhas mãos, pois é né.

– Seu, seu…

– Oh oh, cuidado. – Hecktor dizia entre sorrisos.

– Pois é né. Olha que incrível estes garfos, nossa. São inacreditáveis. – Will começava a dizer, com um sotaque brasileiro em seu inglês, e gesticulando. Os jovens não agüentaram se conter. Alguns choraram de rir enquanto ele defendia a tese dos garfos voadores que se jogam sozinhos. – E por isto… – Completa, enquanto todos (exceto Higor e Sarah) gargalham. –… Eu criei e a ONG de “defesa aos garfos de prata suicidas salteadores inanimados que pulam animadamente”, o não tão famoso DGPSSIPA.

 Mais risos.

– Ah Will, para! – Mariana dizia, entre risadas.

– Para mais informações acesse: www.defesaaosgarfos.ong.br – Terminou ele.

Mais risos.

– Cale-se River! – Higor se pôs de pé a mesa, e começou a praguejar. Sarah levantou para tentar conter a cólera de seu noivo, mas ele a empurrou de volta a cadeira. – Eu sou um Malfoy! Eu sou um hospede de honra, não posso ser tratado de tal forma. Eu não deveria estar na presença destes abortos e sangues ruins. Eu devia estar na suíte de luxo…

– CALA A BOCA MALFOY! – Grita Will, com um sorriso no rosto, cortando a fala do homem em seu ímpeto. – Cala a Boca, pelo amor de Deus! Você é muito chato rapais. Cala a boca moleque, para com este papo chato, caralho.  “Muleque” chato.

Todos começam a rir.

Higor limpa as mãos em um pano, e o joga sobre a mesa, levanta a caminho da saída, sendo seguido por Sarah, toda chorosa.

– Vamos Sarah. Deixe esta plebe…

Hecktor ficou de pé e olhou-o com seriedade. Todos os sorrisos da mesa foram encobertos.

– Deixe-a em paz, Malfoy. Ela é minha convidada, e só sairá se ela quiser.

Hecktor saca a varinha e a aponta com firmeza para o peito do homem que agora possuía uma mão a começar a abrir a maçaneta das portas de prata da saída e a outra a segurar brutamente o braço de sua noiva, puxando-a para segui-lo.

– Vai fazer o que, jovenzinho mimado, me azarar?! – Ele começa a rir com força, todos atentos, eles sabiam que Hecktor não hesitaria em isto fazer. – Vamos Sarah. – Afirmou Higor, puxando o braço dela, a jovem solta um pequeno gemido de dor.

Heck, em um instante, conjura um feche de luz dourada que faz com que a mão de Higor larga-se o braço da jovem e fosse de encontro a seu tronco.

Higor sorri. Hecktor vira-se para Sarah, dizendo, cauteloso e preocupado.

– Sarah, você sabe que eu não poderei fazer nada, a menos que você me peça. – O jovem diz, pausadamente, observando-a a acariciar seu braço, onde antes o braço forte de seu noivo estava a machucá-la.

– Sarah?! – Higor indaga, sorrindo.

A garota começa a dizer, tristonha, olhando para o chão, impotente.

– Deixe-nos ir, Hecktor, é só isto que lhe peço. Por favor.

A jovem aproximou-se de seu noivo. O susto foi grande, tanto para Heck quanto para qualquer outro jovem naquela sala. Higor sorriu, segurando novamente o braço dela, e saindo da sala, no flash de luz prateada.

O jovem Bleck sentiu como se um tapa lhe atingisse a face. Ele virou seu rosto na direção oposta a da porta de saída. E guardou a varinha devagar, não acreditando no que houve, não compreendendo.

– Pois é primo Bleck. Levou uma patada bonita.

– Linda.

– Pare com isto garotos. – Pedia Mariana, brava, sendo apoiada por Thiago.

– Trágico, trágico. – Dizia Will, irônico.

Mesmo forçando muito para permanecer em silêncio, alguns jovens sorriram. Hecktor depois vira para eles e lhes diz que devem continuar a alegria e a animação: “Não é nada de mais. Nada que eu não possa conter.” – diz, desanimadamente.

E os jovens obedecem.

♣ ♦

Após o café os jovens se dispersaram pela propriedade, jardins, floresta, quartos, biblioteca.

Bella, Lux, Mariana, Nicolle, Diana e Lilih. Ou seja, a maior parte das jovens, estavam nos jardins, abaixo da torre sul. Aproveitando o fraco sol daquela manhã. Sentadas nas cadeiras e bancos de granito branco, colocadas ao redor do grande chafariz de mármore com esculturas históricas e mitológicas. Ao redor, diversos canteiros das mais belas e raras flores.

Lux estava deitada sobre a brama, próximo ao chafariz, observando o arco-íris que a luz solar fazia nas gotículas de água suspensas.  Diana contava a sua prima sobre alguns ocorridos internos da família, Bella e Mariana ouviam atentamente, enquanto Nicolle esperava um ‘deixa’ para entrar na conversa.

– E pelo que me contaram, foi assim que aconteceu, mesmo que eu…

– Hei! Diana, como assim! Pode parar, fui eu quem te contei, acha que é mentira, danadinha?! – Bella interrompeu a explicação de sua prima sobre uma história do passado da família. Bella parecia um pouco brava devido a desconfiança.

– Nada priminha, eu só ia dizer que pode ser um pouco exagerado, só isso. Mentira?! Nunca!

– Acho bom…

– Meninas que tal cavalgar? – Pergunta Lux, levantando-se e limpando a grama dos cabelos, agora rosa-chiclete e com um rabo de cavalo que descia por toda às costas.

As garotas começaram a concordar e se aprontar, quando Heck chega. Ele curvava a Torre Sul pelo lado leste, parecia sorridente.

– Olá garotas. Estão ocupadas?

– Estávamos pensado em cavalgar, Heck. Você emprestaria o seu cavalo, pois somos em muitas.

– Hm… – Ele pareceu um pouco chateado após a resposta dela, mas poucos perceberam, já que Lilith logo perguntou.

– Quantos cavalos vocês tem?! – Seu rosto corou, logo depois que perguntou. – Desculpe, sou curiosa.

Diana sorriu para ela, tentando dar uma força. Lux virou-se para ela sorrindo também e decidiu responder.

– Alguns. Unicórnios selvagens a parte, temos: o puro sangue inglês do Heck, o Manga-larga da Bella, o meu bebê selvagem, e… – Ela parou e olhou para Bella, no sentido da garota completar, pois ela havia esquecido.

– Sim, também tem o pônei, e a égua da Nicolle. – A ênfase que ela deu na palavra égua causou uma ambigüidade que fez Nicolle reclamar. Hecktor a conteve. Bella continuou. – O testrálio do papai, claro. E tem o cavalo islandês que o Will deixou ai, pois ele não agüentaria o clima da tropicália onde ele vive. – Eles riram um pouco. Mariana foi a que riu mais, pois sabia que a jovem estava certa.

– Bem… Mas eu achei que vocês, sabe… – Hecktor começou a falar, chamando a atenção deles. Ele dizia bem devagar aumentando a expectativa.                                                              – Eu chamei um pessoal que chegou, e está lá no Hall,… E bem…

– Diz Heck! – Bella implorava.

– Um pessoal. Eu achei que vocês gostariam de planejar as coisas para a festa, sabe?!

Quando ele terminou de dizer, todas pularam de alegria. Até Diana que costuma ser serena e distante, demonstrou animação, Nicolle até deu um gritinho, e foi beijar o rosto de seu noivo.

– Certo certo. – Ele dizia, com Ni a seus braços. – Vamos? Ou os deixaram esperando?

– Vamos! – Todos disseram em coro.

Eles saíram juntos, circulando a mansão, a caminho da entrada para o Hall. Passaram pelo pátio, subiram à escadaria, e chegaram a grande porta, que estava entre aberta, e logo entraram.

Aquele grandioso hall, de raio 50m, de onde várias coisas já haviam ocorrido, e que ainda iriam ocorrer.

Próximo do grande piano de calda, havia um grupo de pessoas. Conversando, e logo silenciaram com a entrada dos jovens no Hall.

As jovens que seguiam Hecktor observaram as pessoas com olhares de scanner, coletando e anotando cada informação de primeira impressão.

Eram cerca de meia dúzia de pessoas. Quatro damas, e dois cavalheiros. As quatro damas eram facilmente reconhecíveis, uma era a irmã de Nicolle, Marry Clear, que estava a conversar intensamente com uma outra mulher de cerca de 35 anos, cabelos curtos, na altura suficiente para ser muito bela e ao mesmo tempo uma figura de respeito. Usava um vestido longo de um tecido escuro, mas com detalhes brilhantes que refletiam as luzes das velas do hall, e com uma abertura no lado esquerdo que vinha da coxa, com uma meia-calça levemente escurecida, ela se chamava Anne La Font, estilista renomada, bruxa de alto escalão. E elas conversavam com uma outra jovem, com cabelos loiros longos e ondulados, escorrendo por suas costas até um palmo abaixo da altura da cintura, bela, olhos claros, pele quase rosada, aparentava ter seus 21, talvez 24 anos de idade. Era Elisabeth Delamore, princesinha do mundo bruxo atual, filha do Subministro da Magia, e se achava a própria rainha da qual herdou o nome. Ela era cantora e conhecia muitos outros músicos. Usava um casaco de peles branco, provavelmente algum animal do ártico, possivelmente raposa. Bruxos de famílias nobres e ricas costumam não ligar muito para animais trouxas. Heck deu de presente de casamento para Ni um sobretudo, com cauda e capuz, feito de juba de mico-leão-dourado. Willyam ficou muuuito bravo, parou de falar com ele uns 2 anos, mas Nicolle ficou muito feliz. Enfim.

A outra mulher era Rita Sketer, a colunista de fofocas oficial do Profeta Diário. “Jarro ruim não quebra fácil” Dizia um ditado. Sábio dito popular. Ela era bem conhecida, e mesmo já tendo certa idade, continuava lá.

Mas os olhos das jovens estavam focados nos garotos, elas se entreolharam para saber se todas estava olhando para o mesmo lugar, e perceberam que sim. Seus olhos estavam vidrados nos dois rapazes, um com um smoking azul marinho, desabotoado, com um terno branco por baixo, o smoking estava com as mangas regaçadas até a altura do cotovelo. Cabelos espetados castanhos, olhos tempestuosos, as jovens perceberam que ele retribuía o olhar de interesse, seus olhares se encontraram, ele sorrio. – Sorrio para mim… – Não para mim! – HaHa, não se iludam garotas, foi para mim. As jovens discutiam em silêncio, murmúrios e sussurros, enquanto se aproximavam. Heck sabia que ele havia sorrido para todas e ao mesmo tempo para nenhuma. Jake Müller era seu nome, descontando um que ele é galanteador de ás maior, conhecia diversas “famosidades” e era um ótimo organizador de festas, e Heck já tinha responsabilidades de mais, convidou então o jovem, amigo dele, que já lhe devia uns favores, para organizar por ele. Infelizmente o jovem agora estava noivo, de uma princesa, e Hecktor precisava sempre lembra-lo disso. A jovem uma vez disse: “Viúva sim, separada NUNCA!”. Mas parece que Jake não compreendeu bem, aliás, para uma princesa, ela via muita novela brasileira.

Havia um outro rapaz, que agora se aproximava, deixando os outros próximos do piano, somente observando a chegada do novo grupo. O jovem belo, cabelos castanhos cacheados, camisa pólo branca, com um casaco verde escuro entrelaçado em seu pescoço, calças jeans, e um óculos Raybam espelhado na cabeça, como um arco.

Own! Heck há quanto tempo. Mon Cheri Heck! – Um rapaz se aproxima de Hecktor, vindo correndo (quase saltitando) de onde estava o resto do grupo, ele dizia carinhosamente.

– Oh! Dean. Sim eu também estava com saudades. – Heck tentava retirar o jovem de preceitos duvidosos de seu pescoço, ele o abraçava quase o beijando. Hecktor foi o mais cortês que pode, e conseguiu tomar certa distância do jovem, enquanto ele chamava os outros que estava vindo ainda distantes.

Francês?! – Indagou Bella em sussurros, para Heck.

– Sim, francês. – Ele afirmou, sorrindo para ela, um pouco sem ar, e se ajeitando devido o ataque de Dean.

– Hecktor, amigo meu! – Dizia Jake, vindo cumprimentá-lo. Ele pegou e beijou a mão de cada uma das jovens.

– Heck! Não sabe como eu fiquei muy feliz quando recebi seu convite. – Dean voltava a dizer.

– Certo Dean. Sabemos… – Dizia Anne, se aproximando de Heck, com uma das mãos empurrando Dean do caminho. – Heck! Lindinho.

Hecktor beijou a mão da mulher, que ficou lisonjeada, se aproximou e beijou a face de Hecktor.

Bella se aproximou  de Nicolle, e disse de forma a só ela sorrir.

– Fica com ciúmes não Ni, ta?! Ela é um partido bem melhor, mas o Heck é fiel.

Ela ria, maldosa. Nicolle respondeu, mas sem raiva na voz, somente temerosa.

– Não irás me irritar. Aliás, eu não temo as duas garotas, temo é o tal do Dean.

Bella sorrio, se segurando para não gargalhar forte, até que conseguiu dizer.

– Está certa. Bem lembrado.

– Sim.

As jovens retornaram para o grupo, eles conversavam com Heck, enquanto Heck apresentava seus amigos. Bella e Ni ouviram seus nomes e sorriram.

– E então. Está é a aniversariante. – Começa Jake, se aproximando de Bella, e mesmo já tendo beijado sua mão, ele beija novamente, agora mais lentamente, e ao se afastar da uma piscadela para a jovem. Heck toca seu ombro, o olhar dele foi tão forte que somente com ele disse tudo: “Com essa não, rapaz!” Jake ficou um pouco se graça, deu um passo para trás, distanciando-se de Bella. E então retomou o sorriso. – Bella Bleck Potter, mais bela que o nome, somente a pessoa. – Ele não dá valor à vida, pensa Heck, mas então decide levar na brincadeira. – Já tens algo planejado para o níver?

Hm… – Bella fica pensativa a pergunta de Jake.

– Eu estava pensado… Se me permitem. – Heck começou, com movimentos de cabeça os jovens aceitam ouvi-lo. – Em algo menor do que sua festa de 17 anos.

– É, pensando bem.

– Mas aquela foi, épica! – Dizia Diana, sorridente e animada. Lux concorda e complementa.

– Aquela foi, foi sim. Três dias de festança. Completo com a virada e o luau de domingo para segunda. – Ela sorria, lembrando de como foi a festa.

– Como? Luau, Oh! Eu queria ter vindo. – Dizia Lilith, Mariana também parecia chateada por ter perdido.

– Pois é, vocês perderam a festa do século, ganha até do casamento do Heck. – Lux completa.

Hei! – Nicolle brandi, chorosa, e abraça Hecktor, que começa a consola-la.

– Desculpa Ni, sou proibida de mentir. – Lux dizia e gargalhava.

– Conte-me como foi? – Pediu Lilith.

– Nossa, tinha muita, mais muita gente mesmo. – Lux começa animada. – Até o Jake ali estava. – Lux aponta para o jovem, que consenti.

– Sim, nunca me esquecerei. Sai de lá enrolado em um namoro. Nunca mais bebo tanto.

Os jovens riram.

– Eu não pude participar, estava ocupada em Milão, mas vi no jornal no outro dia, na matéria de capa. Pareceu ter sido sim muito boa. – Dizia Anne.

– Sim, claro, fui eu quem cobriu a matéria. – Se exibia Rita, que até agora poucos perceberam sua irritante presença, mas após perceberem, todos queriam que ela não estivesse ali, principalmente com uma pena de repetição rápida anotando tudo que eles falavam, ninguém escondeu isto dela. – Continuem crianças.

– Tentaremos besoura. – Forçou Lux. Os jovens permitiram alguns risos. Lux continuou, tentando ignorar a pena que tremia a mão de Rita.  – Foram o que, três dias de festança. – Ela gesticulava animada. – Teve no primeiro dia, um dia antes no “níver”, um baile, com valsa e tal. Um jantar. Os convidados chegaram no início da noite, a festa acabou de madrugada e eles dormiram aqui. – Ela olhou para os jovens que ela tinha certeza que presenciaram, e eles confirmaram com a cabeça. – Segundo dia… Festa da manhã a noite. – Ela ri, junto com outros. – Os que sobreviveram, foram no final da noite nas carroças, vassouras e tudo mais. Fomos até a costa, fizemos um luau, e depois viramos a noite acabando com o que sobrou de bebida e comida.

– Poxa, mas foi comprado bebida para uma semana de festa, direto. – Disse Bella, já sabendo a reação dos outros.

– Sim. E bebemos tudo. Tutô. – Disse Lux, alguns jovens ficaram estupefatos, mas sorriram.

– Problema foi eu ter de cuidar deste pessoal na madrugada, eles nem ligaram para onde dormir. Nascia o sol e tinha gente caída a beira mar. – Disse Hecktor, sorrindo. – Grande problema foi eu ter saído no meio da festa, quando voltei o povo tinha caído já. O que houve neste meio tempo?

Todos gargalharam.

– Ui!

– Pois é…

Lux se aproxima de Heck e murmura.

– Suruba lindo.

Mais risos.

– Mas então… – Bella pede atenção, mais pelos convidados do que por ela. E ela também lembrou-se da maldita jornalista que estava presenciando. Ela apontou discretamente para ela, para que Lux se lembra-se.

Ritinha de meu coração…  – Lux começou irônica. – Porquê diabos você está anotando nossa conversa pessoal.

– Bastidores meu neném. – Ela responde, melosa.

Lux pragueja.

– Então… – Bella insiste. – Vamos lembra da festa de agora, já é dia 11 e a festa é dia 31. Da última vez planejamos a festa com três meses de antecedência.

– Sim. Sim.

Todos consentiram, e deixaram a animação baixar.

Hecktor decidiu apresentar os novos convidados.

– Bem, eu acho que vocês os conhecem…

– Claro, todos conhecemos. – Disse Rita. Hecktor a cortou com o olhar.

– Então… – Heck continua. – Estas são Anne La Font, Elisabeth Delamore,… – Ele pegava e beijava a mão de cada jovem, e elas agradeciam. – Estes são: Jake Mülle e Dean Amakiir. – Hecktor cumprimenta com um aperto de mão os dois rapazes, mesmo que Dean fazendo um pequeno gesto como se pedisse para que ele beijasse sua mão.

Todos agradeceram os cumprimentos. Rita pigarreou pedindo apresentação.

– Oh!, desculpe-me Rita. Está aqui é a Srtª.Skeeter.

– Senhorita? Own Heck, por isso que te adoro. Sempre a massagear meu ego.

– Certo. Srtª.Rita Skeeter. – Ele sorria.

Ela agradeceu também, vindo e beijando a face de Heck.

– E estes são meus familiares e amigos. – Hecktor foi apresenta-los. – Nicolle Maxwell, minha amada noiva, – A jovem sorriu, e mandou um beijinho para Heck. Bella ia gesticular algo para zombar disso, mas logo ouviu seu nome. – Bella Bleck, minha irmã. – Ela agradeceu. – Lux Bleck…

Firefox Bleck. Lembre-se, eu não sou só mais uma Bleck. – Ela o interrompeu, e foi a abraçar os jovens a quem estava sendo apresentada, em vez de simplesmente agradecer de forma cortês.

– Sim, Lux, não me esquecerei. Está é minha prima, Diana Bleck.  – Diana agradeceu, mas foi interrompida por um comentário de Rita.

– A sim. A filha das duas rosas, Diana Black Bleck.

– Sim. Continuando. – Dizia Heck, querendo terminar aquilo logo, mas sem deixar transparecer, já que seria indelicadeza da parte dele. – Lilith Black Malfoy, a ilustre representante da família Malfoy em nossa humilde casa. – Hecktor olhava diretamente nos olhos da jovem. Mesmo sabendo que deveria evitar, a falta de educação que é olhar diretamente nos olhos de uma jovem, principalmente vindo dele. Bella pela primeira vez repara, ela achou estranho, Heck sempre foi antiMalfoys, e ressaltou a família vinda da jovem. – Ela é prima da esposa do tio de minha esposa… – Heck sorriu, a jovem também o olhava.

– Mas, como…

– Não se preocupe, eu simplesmente costumo saber das coisas, simplesmente sei.

– Heck Bleck, cheio de mistérios. – Disse Diana, fazendo os dois jovens olharem para ela.

– Desculpe. – Hecktor disse para Lilith e para Diana. – Melhor dizendo, ela é prima de minha prima. – Diana consentiu. – Enfim. Por ultimo mas não menos importante, claro, a jovem amiga, sem a qual eu nada seria no Brazil. Mariana Delaphrane . – A jovem agradeceu, ela foi se aproximar das damas e rapazes, ela hesita, olhando para Heck, até que retoma, e vai cumprimenta-los. Ela não estava muito acostumada a falar inglês fluentemente. Mas era muito melhor que seus amigos. Heck sabia disso.

– Prazer em conhecê-los.

Todos então se cumprimentaram. Eles tomaram um pouco de silêncio, e Anne pediu atenção, e começou a falar para Bella.

– E então queridinha, o que planejou para esta festa? Algo? Ou meu trabalho terá de começar do zero?

– Ãn… Bem… Sim eu tive algumas idéias. Mas a melhor foi a idéia principal do Heck. – Ela olhou para o irmão sorrindo, só movendo os lábios disse um silencioso obrigado, ele sorriu. Anne reparou que eles murmuravam.

– E então… Vindo do Heck. Vejamos o que é.

– Um baile de mascarás, que tal? – Bella estava animada, já tinha até idéia para a roupa que usaria.

– Sim, bom, bom, vejamos. Sim é uma ótima idéia.

– Nada menos, mágico, era esperado para a festa da princesa Bleck. – Disse Jake.

Hecktor sussurra: Princesa Bleck. Nomes e imagens lhe vêm à mente. Mas ele as deixa passar.

– Nossa, gente, eu tenho até as idéias para como enfeitar este salão. – Dean corria de lado a outro do grande hall, observando as paredes e imaginando como ficariam.

– Eu também pensava levar uma parte da festa para fora. – Disse Bella, arriscando.

– Sim, ótima idéia lindinha. – Dizia Dean. Bella ficou feliz.

Eles conversavam, todos ansiosos, criativos e imaginativos. Enquanto isso Hecktor se afastava, de fininho. Já tinha feito seu trabalho ali, alegrado a sua irmã. Ele decide ir para a torre norte, antigo escritório de seu pai e de seu avô. Para pensar.

Ele pega um estreito corredor saindo do hall por uma porta de carvalho bonita, o corredor de tijolos vermelho-escuro e piso de mármore branco-puro, termina nos pés da escada da torre. O jovem passa por ele caminhando devagar mas a passos largos. Ele sobe a escadaria em espiral, com cuidado devido a seus pequenos degraus de mármore branco (continuação do piso). Não há janelas na subida, ele observa a luz passando por frestas nas grandes pedras escuras, e iluminando uma leve poeira que rodopia com o movimento de suas vestes.

Ele chega ao final da escadaria, subindo por um alçapão a sentinela da torre. Uma sala redonda de piso de madeira escura, encerado. Janelinhas de meia-lua, e um alto teto em forma de cone… A sala é coberta por uma camada de poeira, possui vários livros e papeis no chão… Há vários moveis antigos de madeira talhada, e uma penseira. Existem vários vidros de poções cheios e vazios, e algumas esferas de luz conjuradas magicamente, parecendo vaga-lumes, flutuando próximo ao teto. Era muito bela, Hecktor começa a arrumar o lugar, enquanto procura papéis específicos.

Ele abre a janela de madeira, com um pequeno rangido.

Sobre a escrivaninha ele observa uma rápida planta da torre, onde ele vê a passagem secreta que passa pelas paredes, e sorri. E também vê os dados da torre:

“A Torre Norte é a maior torre do castelo, tem um diâmetro de 5m, e uma altura de um prédio de 19 andares, e é posta de pé magicamente.”

Hecktor somente sorri. Ele vira-se rapidamente. E fala baixo:

Vassal.

E o elfo-doméstico logo aparece sorridente, com seus olhos do tamanho de bolas de tênis. Ele segurava um copo de cristal, ao qual secava com um pano de prato que era mais limpo que o traje que ele usava. Heck olha estranhado para os objetos na mão dele. Ele sorri, e eles desaparecem.

– Vassal estava ajudando na cozinha, Mestre. No que Vassal pode ajuda-lo, aqui.

– Sim sim sim, Vassal. Quero que você…

Hecktor para percebendo a ansiedade do elfo por ajudar o seu mestre.

– Preciso ficar atento ao que ocorre com  meus convidados. Preciso que me mantenha informado, entendes Vassal?

– Vassal entende, mestre Bleck. Mas este pedido não é mais comum, ao seu pai Sr.Bleck?

Hecktor sorri. Ele sabe que o elfo está certo. Comumente os elfos são mandados para vigiar toda a mansão e informar os dados detalhados ao Senhor(Lord) Bleck, atual, Erick Soust Bleck.

– Somente preciso de informações.

– Mas é claro mestre Bleck. Vassal faz.

– Agradeço.

Os olhos do elfo sorriem tanto quanto seus lábios.

– Mestre?! – Ele começa a dizer, hesitante.

– Sim, Vassal. Há algum problema.

– Não mestre, Vassal nunca o incomodaria com problemas dele. Vassal só quer saber, se ele pode, escrever.

Hecktor olha detalhadamente o elfo, que esta com a cabeça baixa, e as mãos a se esfregar. Com vergonha de ter pedido. Hecktor cerra os olhos, mas logo os abre e sorri.

– Claro… – Ele começa a dizer calmamente. – Claro que podes escrever. Demorei tantos anos para lhe ensinar, pois queria que utilizasse desta arte. – Hecktor sorri, sereno. O elfo se encanta. O mestre do elfo pega uma folha de caderno e uma pena solta por ali, e um tinteiro azul em pote de couro que ele tirou do bolso. – Tome Vassal. Se divirta. Anote para mim um… Diário de Bordo.

Hecktor sorri como uma criança. Os olhos de Vassal se iluminam, uma lagrima emocionada desce pelo seu rosto.

– Vassal poderá escrever como o Mestre? Vassal vai escrever um Diário, igual a seu mestre?

– Sim Vassal, exatamente.

O jovem Bleck, tira do bolso seu caderno de capa de couro, e mostra ao elfo, que sorri e reconhece, apontando timidamente para o caderninho.

– Como o diário do Mestre. Vassal está muito feliz. O mestre é muito bondoso com Vassal.

Ele guarda o diário novamente no bolso, olhando sorrindo para Vassal. Com um sinal de aprovação, Hecktor despede-se do elfo. Que some, abraçando seus novos tesouros fortemente contra o peito. Uma folha de caderno velha, uma pena desarrumada e um tinteiro azul em um pequeno cantil de couro.

Heck retorna ao silêncio. Ele meche em alguns papeis ao seu alcance, na escrivaninha a sua frente. No meio da papelada ele encontra alguns objetos estranhos, um deles ele logo reconhece. Uma ampulheta, com o encontro dos dois cones de vidro retorcido, pó de prata descendo lentamente, e com as bases em madeira negra entalhada em desenhos mitológicos. Ele observa-a atentamente. “Nossa, não me lembrava que havia deixado aqui.” Ele sorri, deixando a ampulheta mística no canto da escrivaninha, em local facilmente visível por ele.

A ampulheta media a importância dos pensamentos ao redor, coisas desinteressantes a faziam correr rápido, e coisas que mereciam atenção, a faziam descer devagar. Muito intrigante e prático. Pensava Hecktor.

Mas um outro objeto no meio da bagunça o intrigou. Uma cápsula de vidro transparente, com as bases levemente achatadas com “tábuas” redondas de ouro e seis hastes de ouro em forma de dragões chineses, ligando as duas tábuas das duas extremidades, paralelas entre si e entre a parede da cápsula. Mas o mais estranho era o líquido guardado dentro de 1 cm de espessura de vidro, um líquido que se assemelhava muito a sangue, e que emitia uma leve luz vermelho-arroxeada, girava intensamente como um redemoinho, além de leves descargas elétricas negras. O recipiente estava cheio até a metade de tal líquido.

O jovem curioso pegou cuidadosamente o artefato, que girava com mais e mais intensidade. Ele o inclina, mas logo repara que o líquido não escorre ou cai, simplesmente ignora a gravidade, e continua a girar.

– O que raios é isso!?

Logo que ele proferiu a palavra raio com intensidade um relâmpago ascendeu dentro do objeto. Ele se assustou, mas resistiu para não deixar o objeto cair, ele o coloca sobre a mesa e se debruça sobre ela, e o observa como uma criança, e através do vidro ele vê a ampulheta. Logo ele se levanta da mesa, e arregala os olhos junto com um sorriso bobo. O pó de prata da ampulheta estava estático.

Ele decide cuidar de outros assuntos, achando que eles mereciam mais sua atenção, do que este objeto.

– O coloco na Sala de Alquimia e o estudo depois.

Quando ele começa a observar os papeis, logo a ampulheta retorna a cair, devagar, e aumentando de velocidade. Ele observa, e logo olha atento para o objeto a seu lado, pensa atentamente nele, o pó para novamente.

– Pelo visto, isso merece mais minha atenção.

Ele retorna a observar o objeto, interagindo com outros objetos e folhas de anotação por ali.

 

♣ ♦

Depois de um tempo, mais à tarde, Hecktor estava aos pés da torre norte. Depois de analisar bastante o artefato que ele nunca havia reparado ali antes.  Ele observa os jovens a cavalgar ao redor, por todo o jardim. Bella emprestara o cavalo dele para a nova hospede, Lilith, e conseguiram também alguns unicórnios, que foram convencidos por Tauro, o druida minotauro da mansão, a andar com eles. Estava em um belo pôr-do-sol.

– Vamos garotas. O que é isso? Até parecem que não sabem cavalgar. – Dizia Lux, incentivado as outras a cavalgar mais rápido.

Os rapazes estavam se divertindo com os testrálios, principalmente os que não o viam, e se achavam levitando. A aquele crepúsculo, até Erick Bleck foi tirado de seu quarto. Ele estava montado em seu pesadelo, o cavalo negro de crina e olhos em chamas vermelhas, labaredas encorpadas também saiam de suas patas. Ele cavalgava leve e até sorrindo, friamente, mas sorrindo, para sua filha, enquanto conversavam. Ela andava com seu Mangalarga malhado.

Lux ainda corria na frente, ela usava uma roupa de cowgirl, com chapéu e tudo. Nicolle também a acompanhava nesta moda. Porém, ela utilizava uma roupa de couro rosa, com pelos, que a deixava parecendo uma patricinha urbana metida a country. Ela acenava para Heck, que as observava na torre.

– E então pai… Eu estava pensando, em no início do ano que vem, eu refazer o pedido para me tornar professora de Defesa Contra as Artes das Trevas, em Hogwarts, o que achas?

Dizia Bella, que estava muito contente, com tudo aquilo, e principalmente com a simpatia do pai, sobre o que ocorria.

– Mas que ótima idéia filha. Não é o que sempre quisestes? Des de jovem sonhava com isso. Bem que eu me lembro. E também… o primeiro pedido não foi aceito?

Ela estava mais feliz a cada passada. Erick dava de tempos em tempos uma puxada nas rédeas do cavalo, devido sua teimosia para andar em linha reta paralela ao cavalo de Bella.

– Sim pai. Porém eu preferi… – Ela abaixa a cabeça. – Ficar aqui com o senhor. Já que o Heck iria viajar.

Erick se cala e ela também. Mas um grito quebra o silêncio, seguido do barulho de uma corda estourando.

– BELLA?!

– Socorro!

– Mas o que… ?

A jovem se vira repentinamente para ver de onde vinha os gritos. Sua virada faz o cavalo do pai ficar mais teimoso. Ele tem um pouco de dificuldade em acalmar o animal monstruoso. Bella observa que Hecktor a chamara dos pés da torre, pois aparentemente o cavalo dele, onde estava montada Lilith, havia estourado, e a corda da sela se partido. A jovem agora estava caída e sendo arrastada, presa pelo tornozelo. Todos agitados, Bella estava paralisada, todos os cavalos dispararam, e o risco da jovem ser pisoteada era enorme. Mas ela mal pode ver o que ocorreu, ela não se paralisou devido o trágico acontecimento, mas sim, devido a rápida reação de Heck…

Hecktor nem pensou no que fazia, simplesmente correu e saltou sobre o seu cavalo, montando sobre ele, sem cela, sem nada. A adrenalina resfriou suas entranhas. Erick viu o acontecimento, ele estava impassível, e com um brilho de luz prata Heck corta a corda que segurava a jovem. Que cai sobre o chão.

Os jovens se acalmam, enquanto o príncipe Bleck aquieta o cavalo, e sai dele. Quando ele se aproxima da jovem machucada e aparentemente inconsciente, seu pai também chega a ela. De repente aquele cavalo monstruoso e negro, aparece ao lado do roso de Heck, bufando. Mas aterrorizante que o olhar do cavalo, só o frio olhar de quem o conduzia.

– Pai… ?!

Erick nada disse. Ele desceu do cavalo enquanto Hecktor lhe fez uma breve reverência. Os dois se aproximaram de Lilith, caída sobre o chão, com arranhões e sua testa sangrava. Logo todos os jovens estavam ao redor dela, montados e outros no chão.

– Espaço, por favor, espaço para a jovem poder respirar.

Erick dizia, imponente e respeitável, ninguém ousou ficar a menos de 5 metros dele e da jovem abatida, nem mesmo Hecktor.

Então, Erick, evitando fazer muitos movimentos, saca a varinha, e a auxilia com feitiços não vocais. Ele segura o pulso dela, lança mais dois ou três feitiços, até que ela libera um respirar forte.

– Ela está bem? – Diana pergunta, no meio da multidão atenta.

– Está melhor… – Erick responde friamente. Logo não havia mais sangue sobre ela, nem arranhões, nem mesmo sujeira. Porém, ela continuava desmaiada, respirando devagar. Erick estala os dedos e quatro elfos domésticos aparecem com uma maca. – Atende-a no seu quarto. E busquem o grimório de Emilly, onde quer que ele esteja. – O Sr.Bleck ordenava aos elfos, que logo a carregavam com delicadeza e cautela mágicas. E um outro surge e vai procurar o livro mágico da mãe de Hecktor, onde continha diversas magias de cura.

– Dois de vocês, venham comigo. – Ordenou o Sr.Bleck.

Hecktor e Diana dão passos a frente ao mesmo tempo, se destacando a multidão silenciada, se candidatando a segui-lo. Erick consente, olhando para Diana, quando Heck ousa avançar com eles, Erick o para com o olhar. Os olhos negros dos dois se encontraram, as duas expressões frias. Nicolle se aproxima e se abraça à seu noivo, pois sentira medo do olhar do Lord Bleck para seu filho. Poucos ali perceberam quantos diálogos foram evitados, somente com aqueles olhares. Ninguém mais ousava olhar para Erick, somente Hecktor.

Então, Diana e Erick se retiram, junto com os elfos a carregar a jovem Lilith.

Todos continuaram em silêncio. O dia de Hecktor acabou ali. Com as palavras ditas pelo silêncio impetuoso do olhar de seu pai.

Diário dos Bleck Cap.8 Part.1

Autor: H.B.P  //  Categoria: Diário dos Bleck

Setembro, 11º dia, ano de 2001…

Os jovens Lux, Will e Heck ficaram cerca de 45 minutos no ar. Will e Lux voltaram primeiro, exaustos, disseram que acabou empatado, pois todos os desafios que um passava para o outro, o outro cumpria sem medo.

– Todos os desafios? – Indaga Thiago.

– TO – DOSS! – Ressalta Willyam.

– Ui!

Hecktor só voltou uma hora depois, quando eles já sobrevoavam o outro lado das montanhas, já tendo praticamente entrado no vale. Lux e Will disseram que nem sabia que ele havia saltado junto, pois não se encontraram no ar. Heck não comentou para onde foi, disse somente: Tive de ir…

Dez ou vinte minutos depois do jovem Bleck retornar a bordo, o navio já estava a caminho de pouso. Com muita dificuldade eles param o navio no meio dos jardins lestes da Mansão, os maiores. Com muitos solavancos e depois de um pouso bem forçado eles estavam no chão.

Todos felizes foram levados por elfos domésticos para seus quartos, exceto as daminhas frescas e politicamente corretas como Willyam disse, citando Hermione, Mariana e Lilith.

♣ ♦

No fim da noite, todos já havia jantado no salão, com muita bagunça, onde, no final do jantar Erick Bleck chega, pedindo atenção. Faz um discurso de boas vindas para os novatos e de retorno para os Bleck.

No momento todos já haviam se cansado de brincar no Hall e na Biblioteca. Até correr pelos jardins eles já tinham corrido, mas agora estava cada um em seu quarto. Ou melhor. Os amigos de Will ficaram cada um em seu quarto. Mariana ficou no mesmo quarto de Thiago. Hermione e Rony, e Gina e Harry, ficaram cada casal em seu quarto. Os Bleck tinham quartos dentre o andar dos moradores. Diana acolheu sua prima em seu quarto, enquanto os noivos Sarah e Higor ficaram no quarto de Sarah. Os outros moradores estavam todos só.

Hecktor estava em seu quarto, olhando para o teto. Estava com Seforis a serpentear por seu peito nu. Ele só estava somente com roupa de baixo, deitado na cama, com os lençóis e edredons a seus pés, caso sentisse frio durante a noite. O que ele acreditava ser difícil. Ele ouvia outro LP que ganhará, da mesma banda, e prestava atenção na musica, conhecia pouco de português, e o sotaque brasileiro assassinava a língua latina. Mas as músicas são como poemas melodiosos. E Heck estava encantado com a letra.

–… É preciso amar as pessoas, como se não houvesse amanhã. Por que se você parar para pensar, na verdade não há…

Um barulho da porta o desconcentrou. Seforis se assustou, saltando de seu peito para o chão, de onde deslizou para sua cama, uma almofada bem organizada em um cesto, no canto do quarto.

As batias na porta se repetiam. Eram fracas, como se não quisessem acordar os outros. Heck olha o relógio do medalhão que colocou sobre um dos criados-mudos: 3h 12min da manhã do dia 11.

Hecktor esperou mais uma batida, mas não a ouviu. Até que um retrato seu, preso na parede ao lado da cama chama ele.

– Heck, é a Ni. Ela parece chateada. Vou mandá-la entrar?!

– Sim, claro retrato! – Hecktor se apressou a responder.

O jovem no quadro some pelo canto, Heck ouve uma voz que parecia um sussurro ao lado de fora, depois a porta se abre. E Nicolle aparece, sorrindo para o jovem na cama.

– Nicolle, o que houve, o quadro me disse que parecia chateada?

Hecktor se sentou sobre a cama, enquanto Ni fechava a porta e entrava no quarto. Ele pega a varinha sobre o criado-mudo, e com alguns acenos abaixava mais o volume da musica que já estava baixa. Nicolle sentou ao seu lado na cama. A jovem utilizava um babydoll de seda rosa, composto por um shortinho, uma blusinha, e um pequeno casaco que ela pegou para se aquecer, também rosa. E calçava suas pantufas de algodão nobre, em formato de coelhinhos brancos. Ela estava gélida, constatou Heck, quando ela sentou de seu lado e colocou a cabeça sobre seu peito, sem dizer nada.

– Ni, minha amada, o que aconteceu? – Heck insistiu, enquanto pegava os tecidos e cobertas grossos que estava a seus pés e cobriu os dois.

Depois de um tempo, a jovem olha para ele, com seus belos olhos acinzentados e tempestuosos. E ela sussurra, docemente.

– Sabia que eu te amo?

Heck sorri. Ela devia estar carente, ele pensa, fiquei muito tempo fora.

– Sim querida. Eu também te amo. – Ele sorri, acariciando seu rosto, olhando em seus olhos.

Ela ouvia os seus batimentos, com a cabeça recostada em seu peito, sentindo seu calor.

– Heck… Eu te amo muito muito muito. E sei que você também me ama. Mas você está tão distante ultimamente. – Ela tira os olhos dele, agora olhando para porta, descansada com as carícias do marido.

Um pensamento veio à mente de Heck, ou melhor, uma palavra. Numb. Mas ele fez questão de afastá-la, pois diversas tristezas eram encabeçadas por tal lembrança. Ele pisca forte, e retorna ao tom sereno.

– Me perdoe Mon amour. – Ele parou e sorrio, e mesmo sem vê-la face a face, ele sabia que ela sorria. Ni gostava quando ele falava em francês, que era a sua língua mãe. Ele aprendeu só por ela, e sempre que falava, ela lembrava disso. Heck continuou. – Eu estive enterrado em pensamentos, devido eu estar afastado desta… vida, por tanto tempo. Realmente estou envergonhado de não ter li dado a devida atenção. – Ele diz. Sincero.

Ela dá um suspiro, e vira-se para ele, sorrindo. Eles se beijam por longos minutos.

– Você poderia me recompensar por está falta de atenção. – Ela diz, brincando, logo seu rosto fica corado. Ela recosta a cabeça novamente nos ombros de Hecktor. – Desculpe.

– Não sei por que está se desculpando querida. Mas saiba que não precisa. Não precisa se desculpar para mim. Eu nunca a culparei por nada. – Ele sorri. Ela quase chora pela sinceridade de suas palavras, ele seca uma lagrima que desce pelo rosto dela. Levanta a sua face, segurando-a delicadamente pelo queixo, para que ele possa vê-la nos olhos. – Nunca quero vê-la chorando, nunca. Lembre-se que és uma princesa, minha princesa. Não deves chorar.

– Choro por você. Porque te amo mais do que tudo. – Ela dizia em sussurros. Segurando a mão dele que tocava seu rosto.

– Se quiseres demonstrar que me ama, minha estrela celestial, deves sorrir… não chorar. Adoro o seu lindo sorriso, é minha maior recompensa.

A jovem sorri, envergonhada. Hecktor beija sua face, e deita-a no travesseiro de penas, ela afunda um pouco a cabeça no travesseiro, e fica a olhá-lo. Que ainda estava apoiado pelo cotovelo, olhando para ela, acariciando seu rosto com o indicador.

– Não vai deitar-se bebê? – Ela diz, sorrindo, vendo os olhos dele pensativos.

–Você é muito linda meu anjo. Incrivelmente bela. Tanto por dentro quanto por fora, minha querida. Meu pequeno e delicado botão de rosa. – Ele sorri, deixando-a sem jeito.

– E está beleza está a todo seu deleite. – Ela puxa-o de leve com a mão, deitando-o de seu lado na cama, eles se beijam novamente. Ela puxa o cobertor cobrindo-os até a cabeça.

Os risinhos de Nicolle são ouvidos entre beijos e carícias.

… “Então me abraça forte, e me diz mais uma vez que já estamos distantes de tudo. Temos nosso próprio tempo”…

♣ ♦

Algumas horas depois. O sol nasce majestoso a iluminar a névoa prateada do vale sombrio e mágico onde se encontra a grandiosa Mansão dos Bleck. Um pequeno vulto a torre leste, alguém acordou mais cedo somente para ver o nascer do sol.

A manhã foi calma. Ou melhor, foi calma até que os jovens acordassem.

Um grande quarto. Duas camas de solteiro, piso coberto por um carpete vermelho-sangue de camurça.  Teto alto, de cerâmica, abobadado com desenhos a lembrar a Capela Sistina.

Uma jovem rola de um lado ao outro na cama. Lilith Black não conseguira dormir des de que acordara no meio da madrugada com um pesadelo. Já havia tomado água de uma jarra que estava no criado mudo dentre as duas camas, a ponto da jarra estar vazia. Sua prima, a única pessoa que ela conhece aqui, estava dormindo, pacífica, em suspiros. Educadamente ela decide levantar, colocando pantufas peludas cor creme. Ela está a usar um pijama, mas decide trocar-se. Suas roupas ainda estavam na mala, mas sua prima disse que poderia pegar uma roupa dela dentro do armário.

– Porque ela gosta tanto de preto?! – Sussurra Lilith ao abrir o armário e ver a imensidão de tecidos escuros e jeans. Decide pegar um véu azul escuro, que lembrava muito o céu noturno, e ela sai do quarto.

Estando a porta do quarto, percebe que mesmo com uma fraca luz solar a entrar pela janela, no quarto, o corredor ainda estava no clima noturno. Os quadros a cochilar, até o quadro de Diana, a passear pelo museu do Louvre.

Lilith sai pelas portas de prata no fim do corredor, a luz mesmo sendo aparente forte, não quebra escuridão e não “queima” seus olhos como ela achou que ocorreria devido acabar de sair do escuro. Magia.

Agora a descer pela sacada já no Hall Principal, ela observa um largo corredor, ladrilhado com armaduras antigas, que leva para biblioteca, onde há alguém quieto a ler. Receosa e hesitante, ela decide ir até lá.

– Oi… – Ela perde a voz ao entrar na biblioteca.

Havia uma grande mesa circular no meio, e as paredes eram feitas de gigantescas estantes repletas por livros. E a biblioteca subia, seguida pelas estantes, em um cilindro até o fim de sua vista, acabando na escuridão. Era uma torre.

– Ah! Olá ! Bom dia. – Disse uma voz, feminina, que estava sentada de costas para a entrada, sobre uma poltrona no canto, com um livro no colo. Era uma das jovens que viera com ela e a prima no navio. Ela parecia ter se assustado com a chegada de Lilith mas já estava sorridente, marcando e fechando o livro, para poder dar-lhe atenção. – Olá… Lilith certo?! Eu sou Sarah… Sarah Soph Bleck. – Ela completa. Colocando o livro sobre a grande mesa de madeira negra.

– Ah sim… Sim sim, sou Lilith, prima da Diana. Desculpe, não queria atrapalhar sua leitura. Só estou à procura da cozinha, e… Bom dia para você também.

Sarah sorri, sentando-se novamente na poltrona, ela usava um pijama de seda azul-bebê, e um xale.              – Que isso, não atrapalhou, é uma releitura também. Drácula, já leu?! – Ela dizia, com o rosto um pouco rosado, e apontando para o livro.

– Sim, a Diana insistiu para mim ler e eu acabei lendo, é bom. – A jovem dizia, tentando ser simpática, se aproximando de uma cadeira de madeira estofada em couro negro, e sentando. – Está aqui desde que horas?

– Não muito. Devido à correria que tenho que passar no trabalho, no colégio e na vida urbana em si, não é?! Eu acabo acostumando a acordar cedo. Acordei junto com o sol. – Ela sorriu, um pouco envergonhada, e distraída com a imensidão da Torre da Biblioteca.

Hum… Nós acabamos não conversando muito na viagem né.

– Pois é. – A jovem dizia ainda olhando para os livros.

– Eu fiquei com medo de me aproximar, o seu namorado…

Sarah foca o olhar na jovem e depois recaí a seus próprios pés.

– Desculpe-me.

– Nada. – Ela dizia sem graça.

– Não, por favor, me perdoe, eu não quis insultar você ou seu namorado.

– Noivo. E não insultou não, não se preocupe, ele é assim mesmo. Muito soberbo, com uma pose de soldado. Eu devo me desculpar se ele acabou lhe dando uma má impressão. Ele é legal, depois que o conhece bem. – Sarah deu ênfase sem querer na palavra “bem”, mas logo soube que deveria ter enfatizado mais.

Elas ficam um pouco em silêncio.

Hum… – Lilith quebra o silêncio constrangedor. – Como vocês conseguem pegar os livros, lá?! – Lilith resolve puxar assunto, ela diz apontando para o teto que não se vê devido à distância.

A jovem demora para responder, até que se vira para a outra, e aponta para um grande livro, no meio da mesa, aberto e preso em um apoio que o deixava na vertical.

– Você vê os livros que tem ali… Depois pede por ele, e ele vem… Se você depois deixa-lo sobre a mesa, fechado, por muito tempo… Ele volta.

Ela diz, pausadamente, de forma a facilitar o entendimento.

Hum…

– Pois é.

Elas ficam um pouco em silêncio, até que outra pessoa chega à área. Uma jovem que também aparentava ter terminado de acordar, seus cabelos ainda estavam bagunçados, ela vestira um sobretudo de couro desbotado para cobrir seu pijama, segurava o sobre tudo, fechando-o sobre o busto, mas suas pernas nuas eram facilmente vistas enquanto andava.

Ela veio a passos rápidos, com seu cabelo castanho, e a coçar os olhos.

– Olá Sarah, olá Lilith.

– Olá Mione. – Disseram as duas jovens, com a voz cansada.

– O que fazem aqui? – Granger chega, puxa uma cadeira e se senta entre as jovens, ainda segurando o sobretudo para poder se aquecer.

– Eu vim aqui para ler… – Disse Sarah, desanimada, apontando para o livro antigo sobre a mesa. Hermione se aproxima dele interessada.

– Ah sim. Drácula, muito bom. Mas em quesito vampiro, eu prefiro Anne Rice. – Hermione sorri, mas corta o sorriso com um bocejo coberto educadamente com a mão. – E então Lilith?! Porque acordares tão cedo? Não gostou do quarto ou algo assim?

A jovem ainda olhava a grande torre, mas logo que ouve seu nome presta atenção novamente.

– Na – Não. Eu não consegui dormir bem, e desci a procura de um banheiro para poder jogar uma água no rosto e de uma cozinha. Mas não achei… – Dizia ela, terminando com um expirar desanimado.

Hum. Também, oras. A Diana não lhe disse sobre a Sala Necessita-se? E a cozinha é fechada para uso dos Elfos Domésticos. – Hermione para, com um olhar de raiva. Odiava saber que Heck possuía ainda tantos escravos elfos, em pleno século XXI. – A cozinha é externa. – Ela logo completa.

– Ah é… Eu esqueci de dizer. – Disse Sarah, um pouco aérea, e pegando novamente o livro para retomar a leitura. – Perdão. – Ela sorri sincera para Lilith que aceita com um olhar. A jovem volta se concentrar no livro, de onde parou.

– Obrigada Hermione, mas… E então, como faço?!

– Em breve eles iram acordar, logo que Hecktor ou Bella ou até Erick acordarem, os elfos, vão servir o café. Mas, se quiseres um banheiro, é só chegar próximo a uma parede e se concentrar um pouco. Não é difícil. – Mione diz com a maior simplicidade. Lilith não compreende nada. What?! Hermione sorri.

– Pode tentar, sem medo. Depois você se acostuma com as extravagâncias mágicas que cercam este lugar. Depois de tantas visitas convidadas insistentemente por Heck, me acostumei.

– É que…

– Deixe, eu vou com você.

Hermione levanta, segui Lilith até o Hall, quando estão no corredor saindo da biblioteca, vira-se para Sarah e acenam.

– Já voltamos, Sarah…

– Certo. – Dizia a jovem, levantando seu rosto para sorrir e logo voltando a ler.

Elas foram até o Hall, o grandioso Hall. Logo que chegam ao meio dele, Mione vira-se para Lilith para dizer algo, mas é cortada por uma nova voz, vinda da sacada.

– Bom Dia pessoal!! – Dizia Will, todo animado. Já vestido com calças jeans amarrotadas, camiseta regata branca, e descalço.

– Bom dia Will. Como foi sua noite?! – Respondeu Mione, um pouco estressada.

– Ótima! – Ele abriu um grande sorriso. Pela distância ele tinha de falar alto, sua voz ecoava pela imensidão do Hall.

– E suas acompanhantes? – Arriscou Lilith, tentando pressioná-lo.

– A Jéssica e a Willie? Dormiram lá no meu quarto, não quiseram ficar sozinhas, a mansão é muito grande sabe? – Ele gargalhava enquanto falava. – Elas estão dormindo ainda, devem acordar em breve.

Hermione balançou a cabeça em desaprovação.

– Que foi Mionezinha?! – Ele gargalhava, não deu tempo para Mione responder, logo perguntou outra coisa. – De que vocês estavam falando?

– O quão exagerado foi o arquiteto deste lugar… ?! – Lilith disse, meio insegura.

Will ficou sério, a jovem começou a corar.

O Arquiteto, querida. – Ele disse voltando a sorrir, o que aliviou ela. – O Arquiteto, não o arquiteto, o “O Arquiteto.” – A ênfase que ele dava ao título do construtor da mansão era quase humorística. – Então, vocês acham exagero? Está bem… Eu estudei sobre está mansão, no meu colégio, na aula de arquitetura, lá no Brasil. “IMBB Masoncruzley”… – Ele dizia com um ar de glória, com as mãos erguidas aos céus, descendo a escada. – Instituto de Magia e Bruxaria do Brasil. – Ele completa, chegando ao chão, com um sorriso de orelha a orelha, todo orgulhoso.

– Eu já ouvi falar. – Interrompeu Mione. – Um dos melhores da América.

– O melhor, meu bombom, o melhor!

Will dizia, tão exagerado e suntuoso que chegava a irritar Mione, ela só não demonstrava isto, pois sabia que ele fazia nesta intenção. Ele e o primo gostavam de irritá-la. – Vejamos se eu aprendi direito. – Ele começa a recitar. Corre até a porta, vira-se de costas para ela, imitando uma entrada triunfal na mansão. Ele começa a dizer, como se estivesse lendo de um livro, em um tom glorioso, que chegou a encorpar a voz.

–… “Ao atravessar as altas portas de madeira na entrada da mansão, você se encontra em um grande hall circular que ocupa todo o andar térreo. – Ele para, observando as duas jovens a ver sua atuação. Ele retoma a performance. –… ele possuí chão encerado de mármore verde escuro, paredes grossas e altas de pedra lisa, um teto côncavo alto com um belo desenho da árvore genealógica dos Bleck – completa. – Quando cita o chão as paredes e o teto, ele faz movimentos assinalando-os. – nas paredes há quadros dos antigos donos. – Ele para, em reverencia, se aproxima dos quadros, e os cumprimenta com a mão ao peito, os quadros parecem aceitar, e o retomam com o mesmo respeito, em agradecimento. –…  e no fundo do hall. – Ele corre para o fundo do hall, vai até abaixo da sacada. E vê Sarah dentro da biblioteca, lá no fundo, ele acena para ela, ela sorri e responde ao aceno. –… há um corredor largo que leva para biblioteca. – Ele volta para o meio do hall, próximo as jovens que estão um pouco escandalizadas com o monólogo dele. –… Nas laterais do hall existem mais 4 corredores estreitos, fechados por portas de madeiras diversas, talhadas, eles levam para as 4 torres principais. – Ele aponta para as portas. Ele se move levemente pelo chão encerado. –… Há também neste hall uma lareira, um piano, poltronas, sofás, um grande tapete persa sobre o chão e no centro do teto há um grande lustre de cristal que ilumina todo o local. – Ele começa a descrever mais rápido, devido serem detalhes menores, até que para. Cala-se observando um grande quadro em especial, ele deita um de seus joelhos ao chão, em respeito ao quadro.

As duas garotas, que se interessaram a sua apresentação, ficaram curiosas com sua parada de repente.

– Will?! E este quadro?

– O quadro de Edghar Octávius Bleck. Pai de Erick Soust Bleck. Avó de Hecktor Bleck Potter. – Hermione explica. Will levanta-se olhando para ela zangado.

– Quem que está a descrever aqui Mione? Não é você.

Mione sorri para ele, com petulância, ele sorri de volta, e retoma a apresentação quase teatral. –… Na parede onde está o portão de entrada, lá no alto, próximo ao teto, em local de luxo existe um grande quadro, de um dos maiores e mais famosos bruxos herdeiros desta casa, Sir Edghar Octávios Bleck. – Ele aponta para o quadro, olha para Lilith, percebe que ela reconhece o homem sentado em sua escrivaninha, no meio do quadro, com outros dois a apóia-lo. Ela também facilmente reconhece os outros, que acenam para eles.

Hermione decide pegar a deixa, e mostra que também conhece. – Edghar Bleck; Mago-Presidente do Conselho Universal de Magia, fundado por ele.

Will olha para ela, porém, ao invés de se chatear, somente confirma. – Sim, correcto. – Will se aproxima das jovens, para que todos possam olhar para o três senhores no quadro.

No quadro se vê ele sentado em seu escritório sobre sua escrivaninha, escrevendo sobre um pergaminho, em pé a sua direita se encontra Alvo Dumbledore, e à sua esquerda também em pé com sua mão sobre o ombro de Edghar, Nicolau Flamel.

– Os 3 reis-magos. – Brincou uma nova voz que chegava ao local.

Os jovens se viraram, acabara de sair da luz na sacada de madeira de pinheiro escuro, Hecktor Bleck Potter. Seguido por outros jovens que acabavam de acordar. Nicolle, Lux, Thiago, Mariana e Pedro. Eles desciam as escadas. Hecktor, ainda na sacada, com Ni apoiada sobre ele, calma e sorridente. Heck começa a dizer, em tom de comando.

– Café da Manhã será servido no Salão de Jantar, em 20 minutos.

Todos suspiram profundamente. Até que Will diz, medindo as palavras e se afastando.

– E agora, começa a correria… – Todos se entreolham, ele dá uma pausa dramática. –… CORRIDA PARA O BANHEIRO!

Os jovens saltam, pulando os degraus, e chegando ao chão. Logo a porta atrás de Hecktor se abre com tanta força que Nicolle até se assusta, e Hecktor (que já estava arrumado, com trajes de gala, e sobretudo que se debatia com o a lufada de vento que saiu do “Elevador Encantado”) retoma a dizer.

– Não se preocupem, há espaço. Gente… Gente… Que é isso?!

Das portas de prata saem todos os jovens que ainda dormiam, todos espertos, com caras de sono, mas alertas ao caminho do centro do Hall. – Quando se precisa dela, ela aparece… – Heck recita, solene, do alto da sacada, vendo os jovens descerem, enquanto Nicolle recostava sua cabeça sobre o peito dele, acariciando-o.

Em uma parede próxima algo estranho acontecendo: as pedras e tijolos se movendo, e na parede começa a surgir uma porta de madeira grossa negra em um tom avermelhado e com dobradiças grandes e pesadas feitas de prata maciça. A porta é cheia de escrituras antigas, runas e insígnias, uma maçaneta de marfim toda detalhada. Ao redor do portal existem pedras maiores que uma cabeça humana adulta, feitas de granito branco e todas entalhadas. Acima da porta existe um símbolo rústico muito antigo que lembra dois seres humanóides de sexos opostos em pé, lado a lado.

Os jovens se aproximam. Alguns novatos atentos, outros olham para o sorriso de Hecktor e nele vêem algo que lhes dizia para ir em frente.

– O ultimo que chegar é um centauro manco! – Gritou um dos jovens que Heck reconheceu como sendo Fernando, um dos amigos dele e de Will.

Em uma “manada” eles se aproximam e a porta levemente se destranca com um som oco, abrindo em um rangido ensurdecedor, enquanto sai de lá uma luz trêmula.

– Que exagero Bleck! – Grita um jovem, logo que Hecktor olha a direção dele todos começam a fazer fila para entrar.

– Primeiro as damas. – Diz Lux.

– Primeiro as visitantes… – Completa Mariana, sendo seguida por Lilith e Diana que concordam com ela.

Os garotos começam a gargalhar, com sarcasmo.

Quando a porta termina de abrir, uma “fila indiana” tortuosa e confusa já estava montada a sua porta. Logo ela corria porta adentro, sendo seguida de gargalhadas, agitação e algumas apostas de quem é mais rápidos, coisas assim.

– Sarah, não irá entrar no meio da confusão não?! – Chamou Hecktor pegando de surpresa a jovem que passava de baixo da sacada, vinda da biblioteca. Ela olha para cima, vendo o jovem Bleck sorridente com sua esposa ainda recostada sobre ele.

– Des… Desculpe-me, Heck, eu não… Entendi?! – Ela dizia, tímida, ajeitando uma mecha de cabelo loira atrás da orelha, e desamarrotando o xale.

– Nada Sarah. Só estou dizendo que o café estará na mesa em breve. E, onde está Higor?

– Acordou durante a madrugada. Deve ter saído para caminhar…

– Deixou você sozinha? – Indagou Nicolle, se afastando um pouco de Hecktor.

Sarah sorriu, sem graça.

Pois é… – Ela se esforçou para dizer, mas não foi ouvida, pos sua voz foi silenciada por um grito animado de Nicolle.

– Oi Mione! – Ela chamou, acenando para a outra jovem, que ainda estava no meio do salão, ao lado de Will.

Hecktor olhou para Sarah, sorrindo, tentando ao mesmo tempo se desculpar por sua esposa, e tentando animar Sarah. O estranho, é que pareceu que ele conseguiu, pois a jovem lhe sorriu de volta e foi a caminho da multidão que ainda se dispersava.

– Hecktor, eu vou para o nosso quarto, já que o quarto do filho do dono é uma suíte.

Disse Nicolle em alto e bom som. Ela realmente adorava muito tudo aquilo.

– Nicolle, sua “dementadora”! Abandona meu irmão vai!! – Disse Bella, bem alto, logo que saiu do ‘Elevador Encantado’. Nicolle beijava os lábios de Heck quando ela disse isso, e foi seguido de diversas risadas do piso inferior, pois sua voz ecoara por todo o salão.

Aíííh! Bebê olha sua irmã. Ela é insuportável!! – Ni brandia enquanto batia seus pés no chão, no mesmo lugar.

– Eu?! – Bella continuava, passando por ela, mandou um beijo de “bom dia” para Hecktor, que também o fez. E descendo as escadas, acenou sorrindo para Ni que já estava vermelha.

Hecktor!

– Nicolle, minha linda, você fica tão bonita quando está irritada. – O jovem Bleck não conseguia se irritar com sua irmã, não gostava que ela implicasse com sua esposa, mas nada fazia.

– Para Hecktor, ai bebê, eu vou subir. – Ela pareceu se acalmar um pouco, se aproximou de Hecktor, beijando-o novamente, e sumiu na cortina de luz.

Ai bebê, para… – Zombava alguns dos jovens, gargalhando.

– Ai ai ai! Só vocês mesmo.

– Só agente?! bom. – Eles se viraram e continuaram a zombar.

Hecktor começou a descer as escadas, indo à presença de seus convidados no térreo.

– Você precisa fazer isto sempre, Bella?

Ele perguntou, chamando a atenção de sua irmã, que logo virou-se para ele, saindo de um circulo de amigos que ainda gargalhavam e imitavam a voz de Nicolle. Bella veio até ele, sorridente.

– Mas eu não faço nada, Hecktorzinho!

– Hum… Você faz questão de irritá-la.

Ela sorri.

– Ah, é disso que você está falando?! Sim… Eu faço… – Ela aumentou o sorriso, como se se orgulhasse disso.

Hecktor continuou sério, desaprovando a ação dela.

– Ai Heck. Você sabe que merece melhor… Ainda não entendo como você gosta dela.

– Gostar como? Gostar para casar com ela, e viver com ela por toda a minha vida. Pois eu “gosto” dela, e casei com ela. Lembre-se disso Bella. – Ele não dizia em um tom de sermão, pelo contrário, falava como se fosse um pedido, dizia com carinho, quase como se implorasse para ela. Na verdade ele queria dizer: “Gosto dela, porquê casei com ela…”, mas muito já se foi discutido isso no passado. Ele já aprendera a aceitar.

A jovem continuou quieta, abaixou o olhar, mas logo voltou a fitar nos olhos dele. Um pequeno sorriso apareceu nos seus lábios, de forma que Heck sabia que ela não falaria algo sério, e teve certeza quando ela abriu a boca para dizer:

– Gostar para viver com ela por toda vida, eu não digo, pois a esperança de você cair na real ainda está viva, e a esperança é ultima que morre.

Ela terminou com um sorriso. Hecktor não conseguiu se impor, de forma que ela colocou a conversa como terminada, virando-se sorridente e saindo a caminho do grupo.

– Eu mereço?! Me diz, eu mereço?! – Heck dizia para o nada.

– Merece, primo Potter. Merece. – Conclui Will, que de repente estava ao seu lado, com a mão sobre seu ombro.

– Mereço até mais, não é, Will?!

– Sim… Oh… Merece… Se merece! – Ele dizia com um sotaque e com um jeito, que Hecktor não soube se ria do seu jeito de falar, de sua ironia, ou de sua cara. Decidiu simplesmente rir.

– E o “rango rapá! Cadonde”?!

Disse Guilherme, saindo agora da porta para o banheiro que surgirá na parede.

– Como?!  – Pergunta Heck, segurando o riso. – Se estiver perguntado sobre o café da manhã, já deve estar servido. Salão de Jantar. Ultimo Andar, antes da Torre de meu pai. É só pegar o “Elevador”. – Hecktor dizia, apontando para as portas de prata na sacada superior.

Beleza Campeão! – O jovem passava, dando tapinhas nas costas de Heck, e subindo as escadas. Outros também o seguiram. Até que Will também foi.

No final, as ultimas jovens saíram do banheiro, Lilith e Diana. Elas passaram por Hecktor, que estava sentado sobre o corre-mão nos pés da escada. As garotas sorriram para ele, que retribuiu, sorrindo mais especificadamente para a nova visitante, prima de sua prima. Elas também sumiram no flash acima.

Hecktor continuou ali, pensativo, observando a porta que surgira para o banheiro social da casa. Ele ficou ali, inerte. Observa o piano, o teto, e logo em sua mente vêm às imagens de sua festa de casamento, que ocorreram ali mesmo. Há tantos anos. Em um ano de 1998 que ocorreu há cinco anos para ele.

A musica ainda é viva, os sentimentos, o cheiro do perfume, o gosto do champaing, a leveza da valsa.

Seus olhos se fecharam por um instante, e uma tontura nostálgica lhe atingiu. Ele quase cai do corre-mão, abre os olhos, se equilibra, e olha a porta novamente. A rústica e bruta porta, que por algum motivo, não havia sumido.

– Espere aí… – Ele sussurrou dizendo para si mesmo. A porta sempre se fecha quando está vazia, mas… – Alguém?!  Todos já subiram, o café já deve estar sendo servido. – Silêncio. – Algum problema. – Heck se aproximava devagar, a porta entreaberta. Ele a empurra com leveza. E entra ao banheiro.

Logo ele se encontra dentro de uma sala grande, ampla,  ladrilhada com um teto e paredes num branco impecavelmente brilhante, e o chão com ladrilhos azuis opacos, teto baixo e uma luz elétrica presa só por um fio a balançar no teto, mesmo não havendo nenhum interruptor avista. O banheiro tem pias de granito negro e cerâmica branca com torneiras de prata, todas com o Brasão dos Bleck. Acima das pias tem grandes espelhos extremamente límpidos com uma bela moldura de ouro clássica ao seu redor. Três fileiras de boxes de madeira azul que cobrem do chão ao teto, cada um possui uma privada e podem ser magicamente trancados. E lá no fundo existe três boxes de madeira vermelha do chão até mais ou menos a altura do pescoço de um adulto, com um chuveiro de prata.

A silenciosa freqüência de uma gota d’água a pingar é cortado por soluços sufocados e lágrimas.

– Algum problema? – Hecktor fez sua voz ser ouvida, e logo ecoou por todo o local. Ele encosta a porta. Ouve um som que reconhece com um suspiro feminino, como se tentasse prender a respiração. Um pouco de silêncio, até que uma voz fraca sai de um box ao meio.

– Nada não Heck, já estou de saída.

A voz dizia, tentando conter alguns soluços.

– Sarah?

Logo a jovem sai do box, indo a caminho da pia, sem olhar para Hecktor. Ela abre a torneira, molha suas mãos e com elas leva água até seu rosto, limpando as lágrimas.

– Porquê estava chorando, Sarah?

– Eu não estava… – Sua voz falha, olhando para Hecktor com seus olhos vermelhos e úmidos. Ela repensa, e se corrige. – Por nada Hecktor, nada mesmo. Não se preocupe.

– Já é tarde. – Ele sorri, mas percebe que é um erro. Se aproxima dela devagar, estende a mão para poder secar seus olhos. Mas a jovem recua.

– Não… Por favor. – Ela cruza os braços e abaixa a cabeça, olhando seus próprios pés.

– Mas… Você não está bem. O que eu posso fazer para ajudar?

– Nada. – Ela soluça, e leva a mão ao rosto, se forçando a conter outra lágrima.

Ele continua em silêncio, se aproxima da torneira que ela deixou aberta, ele lava as mãos, e fecha a torneira.

– Hecktor. – Ela dizia com dificuldade, ainda se afastando. – Você é casado, eu sou noiva. E… – A voz dela falha, olhando nos olhos de Hecktor, que nada compreendia.

– Não entendo Sarah. Não sei porquê estás dizendo isso. Só estou tentando ajuda-la. Eu conheço você dês de que você entrou no colégio, aos 11 anos.

– Desculpe Hecktor. – Ela voltou a olhar para o chão. – Loucura minha. Eu quis dizer que… A Nicolle deve estar lhe esperando. Ela e o pessoal. Eles… São seus convidados não? Não deve deixá-los sozinhos. – Ela dizia, tristonha, não queria que ele fosse embora, mas…

– Sim. – Ele aceitou, o que a surpreendeu e entristeceu.

– Qualquer problema me chame, certo? Você também é minha convidada. – Logo ele se corrige. Deixando um sorriso palhaço atingir seu rosto. – O que estou dizendo, você é muito mais do que isto.

Sou?! Ela quis dizer, se animando, olha para Hecktor, mas ao invés de olhar em seus olhos, ela olha para o que há as suas costas, acabando de chegar à porta.

– Algum problema, Bleck?

Dizia a voz grossa e rouca de Higor, que estava a entrar no local.

– Não, Higor. Nada… Eu somente estou tentando ajudar a Sarah…

– Não! Hoho. Ela é minha noiva. Eu irei ajudá-la daqui para frente, Bleck. – Ele dizia com repugnância e arrogância.

Hecktor se conteve para não dizer algo da qual poderia se arrepender. Ele tinha de lembrar que Sarah ainda estava ali, e precisava dele.

– Vá para o jantar, Malfoy. Eu cuido dela, não se preocupe.  Ela é minha prima, está na minha casa.– Hecktor dizia com a mesma arrogância. E ainda de costas para ele. Observando Sarah, que olhava para o chão novamente.

– Você acha que é quem, Hecktor Bleck Potter?! – A mão de Higor agarrou o ombro do garoto, forçando-o a olhar para ele. Ele era um homem. Alto e forte, mais alto e forte que Hecktor. Parecia um soldado. Mas esta pose toda não dava medo ao Bleck. Pelo contrário, lhe dava repugna.

– Largue-me Malfoy. – Hecktor deu um tapa afastando a mão dele de seu ombro. O homem lhe empurrou.

– Hei! – Hecktor sacou a varinha. Mas um pigarreio de Sarah o interrompeu.

– Heck. Por favor, vá. – Ela disse fraca, mas sincera. Hecktor sentiu como se uma faca gélida lhe atacasse as costelas. Quase deixou a varinha cair de sua mão. E a voz grossa de Higor foi audível.

– Isso, Bleck. Saia daqui, não precisamos de você! – Ele brandiu, feliz.

Hecktor virou-se novamente para sua prima, que olhava trêmula para ele. Ele se aproximou, ergueu novamente a mão para acariciar o rosto da jovem, mas hesitou. Deixou-a cair ao lado do corpo.

– Tem certeza?

– Acho que sim. Pode ir. Já estamos indo… – Ela dizia tristonha e incerta. Sabia que se ele ficasse mais tempo por lá, arranjaria problemas.

– Está bem.

Ele guarda a varinha, ajeita o sobretudo, e vai a caminho da porta. Ao passar por Higor, ele lhe dá um esbarrão.

– Oh! Mil desculpas senhor Bleck. Não foi minha intenção. Trouxa. – Ele zombava. Quando o jovem passa por ele, sente um forte cheiro de bebida e droga. Maldito, ainda vem se drogar em minha propriedade. Hecktor fechou os punhos para se conter, sentiu suas unhas cortarem a pele, de tanta força. Logo seu sangue fervilhando escorreu por entre os dedos. Ele respirou fundo e continuou o caminho. Deixando o nojento homem a gargalhar.

Ele passa pela porta, vira-se para Sarah, e diz devagar, de forma que Higor possa entender com facilidade, mesmo estando “doido”.

– Sarah. Se precisar de mim. Estarei lá… É só me chamar. Sempre. Você sabe onde me encontrar. – Ele sorrio, não para ela, mas sorriu arrogante para Higor. A jovem mal o ouviu, continuou a olhar o chão. Mas Higor o compreendeu. Olhou com raiva para ele, prestes a estourar. Quando Hecktor sai e bate a porta.

Hecktor limpa as mãos em um pano branco que tirou do bolso da calça. E logo cura os ferimentos com a varinha, subindo cantarolando a caminho do Salão de Jantar.

– “Não vou me deixar embrutecer. Eu acredito nos meus ideais…”.

Diário dos Bleck Cap.7

Autor: H.B.P  //  Categoria: Diário dos Bleck

Setembro, 10º dia, ano de 2001…

Todos os jovens ficam a observar. O homem encapuzado no posto de observação do galeão que outrora fora uma simples canoa, agora os observava por cima do ombro. Até que ele decide se virar para eles, a distância eles não conseguem ver seu rosto encoberto totalmente pelo capuz. O homem fica de pé, observa Hecktor que estava no chão, no final do tapete vermelho que saiu do navio. E o indigente de capuz salta, mais de cinco andares, caindo no meio do tapete vermelho, com uma forte lufada de vento e areia, um barulho abafado, e o tapete até dá uma afundada, graças a cratera que ele faz na areia. Ele não se machuca, para perfeitamente equilibrado e encurvado profundamente, em respeito ao senhor Bleck presente. Hecktor começa a gargalhar.

Todos eles começam a murmurar, enquanto o homem de capuz se levanta e se aproxima de Hecktor.

– Primo Will! – Lux começa a ir na direção do rapaz de capuz, mas Hecktor a para com um aceno de mão. – Heck?!

– Espere. – Sussurra Heck, todos ficam em silêncio.

O jovem Senhor Bleck sorri para o homem de capuz, que se aproxima, ainda não é possível ver seu rosto, até que ele chega muito perto, cabeça baixa, entrega um envelope a Hecktor.

– Não é ele. – Diz Heck. – Está muito simples e muito forma para ser ele.

Todos se surpreendem. E uma forte gargalhada ecoa de dentro do navio. O homem de capuz vira-se para olhar nos olhos de Hecktor, porém, o homem não possuía rosto…

E em um sopro, aquela capa e roupas caem sobre o chão, vazias como sempre estiveram. A gargalhada ecoa de dentro do navio. Heck abre o envelope, e dentro dele estava escrito em uma caligrafia conhecida:

Cheguei…

Ele decide se aproximar, quando vai passar sobre o monte de roupas vazias no chão, elas se movem, e da mesma forma que elas caíram elas se reanimaram, e de dentro delas uma criatura estranha saiu. Um lobo, não um lobo comum, parecia mais uma raposa, era um lobo guará, que saltou sobre o jovem Bleck.

Antes que os outros garotos pudessem sacar suas varinhas, o lobo derrubou Hecktor sobre a areia, enquanto um gargalhar forte ecoava de dentro da escuridão do navio, risos foram ouvidos do chão, e a rolar na areia, O Hecktor Bleck Potter brincando com um aparentemente dócil cachorro do tamanho de um pastor alemão, porém alaranjado, o lobo.

As gargalhadas no navio cessaram, e de seu lugar veio um som de rock (definitivamente) brasileiro, de dentro do navio saiam fortes e multicoloridos feches de luz, parecendo um concerto de rock in roll e das portas próximas da entrada saíram jatos de fumaça densa, cobrindo o grande vão. Até que três silhuetas humanóides surgem na fumaça, e logo descendo pela rampa de madeira, o tão esperado hospede.

Willyam River Bleck. – Ressoou Hecktor, levantando-se da areia, e cessando a brincadeira do cão, enquanto Heck se limpa seu primo se aproxima, acompanhado por duas belas damas.

Will era um jovem belo, pele branca, olhos claros, cabelo em um penteado popular, barba rala, e um grande sorriso no rosto, tinham as feições de um legítimo inglês, mas se vestia como um turista latino rico e descolado. As jovens ao seu lado eram parecidas, perfis de modelos, tinha a beleza exótica das garotas brasileiras, pareciam que tinham um habito de ir a praia, estavam cercadas de jóias, e com roupas, ao ponto de vista de Hecktor, um tanto quanto vulgares.

– Hecktor Bleck Potter! Meu primo querido… Parece que já conhecestes Eddie, meu animal de estimação, meu lobinho-guará querido.

Will que descia com cada um de seus braços a passar pelo pescoço de uma das damas, agora se desentrelaçava delas e corria até o final da rampa de madeira que saia do navio, ao chegar à areia, ainda sobre o tapete vermelho, ele bate palmas chamando o lobo para perto dele, e obediente Eddie atente e seu junta a seu mestre.

– Pois é Will, como vai? E este atraso todo para aparecer, isto sim é seu estilo.  – Hecktor dizia rindo, todos os jovens atrás dele foram cumprimentar o primo estrangeiro.

Durante os cumprimentos Will apresentou suas acompanhantes.

– Está é a Willie, e está a Jéssica. São amigas minhas, que queriam muuuito conhecer a Europa e principalmente conhecer você Heck.

Willyam se aproximava de Hecktor, deixando as duas belas jovens no meio da multidão de amigos, elas acenavam, piscavam e mandavam beijos para Heck.

– Falei para elas de você, primão.

– Lembrou de citar que eu sou casado?

– Ah! Que isso, só lhes disse coisas importantes. E elas não são ciumentas, não ligue.

Will ria enquanto voltava para os amigos puxando Hecktor.

– A pessoal. – Ele acabara de chegar, mas já controlava todos os sorrisos, Willyam era muito carismático. – Pessoal, pessoal. – Ele pedia atenção aos sorrisos. – Eu achei um pessoal perdido no caminho para cá… E decidi traze-los comigo.

Antes que qualquer um deles perguntasse de que ele falava, ele bateu palmas, almentando o volume da música saindo do navio, e novos jatos de fumaça de glicerina aumentaram a densidade da cortina de fumaça no topo da rampa para o navio. E novas silhuetas saíram da fumaça, pessoas conhecidas, digamos, familiares.

– Marry! Jhon! – Nicolle gritava com sua voz estridente, e dava saltinhos enquanto corri para próximo de um casal que descia da rampa.

Era um homem, sarado, sorridente, com roupas leves, e jeans, e uma jovem muito parecida com Ni, pareciam até ter a mesma idade. Os três eram loiros, de olhos acinzentados tempestuosos, sem dúvida, irmãos.

– Maninha… – Dizia Jhon, a abraçá-la. E Marry o seguia.

– Estes dois eu achei enquanto parava-mos em Paris, as minhas amigas queriam fazer compras…. – Explicava Will, enquanto recebia caricias das duas acompanhantes.

Todos eles foram cumprimentá-los.

– Tem mais gente que disse que a muito tempo não via vocês e tals… – Will brincava, enquanto mais algumas pessoas desciam à rampa, a música continuava.

Umas cinco pessoas, vestidas como Will, desciam algumas dançando a musica de fundo, outras cantarolavam-na, pareciam adorar aquilo, algumas desciam pulando, com as mãos para o alto, acenado, mandando beijos. Hecktor logo reconheceu-os.

– E aê Heck, lembra da gente! – Dizia uma jovem que chegou primeiro aos pés da rampa. Ela era a mais estranha, utilizava uma camisa meio rasgada, vermelha com o rosto do Che Guevara em contraste, ela usava shorts jeans, botas All-Stars de cano longo. Tinha cabelos ruivos, algumas sarnas no rosto, olhos verdes mar, e um grande sorriso no rosto que faziam covinhas em sua bochecha. Logo que Hecktor se aproximou ela saltou sobre seus braços abraçando-o e beijando sua face.

Nicolle, de onde estava no meio da multidão, largou seus irmãos, e começou a correr descendo pelo tapete vermelho, com o rosto escarlate de raiva.

– Hecktor Bleck Potter! Quem é esta senhorita!?

A jovem soltou do pescoço de Heck, ele a olhou, como se dissesse “Aíh! Agora acabou”. Ele olha pra Nicolle e começa a sorrir apaziguador.

– Minha amada, está aqui é Mariana, uma amiga minha e do Willyam, ela me ajudou muito no Brasil.

– Ela e agente né Heck! – Os jovens terminavam de descer a rampa, a musica parecia ter trocado, e eles não aparentava ter tanta preferência quanto à de agora.

– Sim, claro! Como eu poderia sobreviver sem vocês! – Hecktor deixou sua esposa com um olhar irritado para a jovem Mariana que sorria para ela, tentando conter sua a confusão iminente. Heck se aproximou de seus amigos e foi acolhido pos abraços e apertos de mão.

– E aê primo Bleck!

– Como vai grande Heck?

– Mister Bleck Potter! Hahaha!

– Beleza campeão?!

Hecktor só sorria e os cumprimentava.

– Estou bem… Mas vocês parecem estar melhores.

Todos concordaram com sorrisos, eles se aproximaram dos outros, o grupo somente aumentava. Heck começou a apresentá-los a todos.

– Estes aqui são mais amigos meus, os que me salvaram nos territórios latino-americanos. Pedro, Thiago, Samuel, Fernando, Hugo, Mateus, Guilherme, Nate e Eric. – Cada qual, ao ouvir seu nome, dava um aceno ou fazia um “joínha” com as mãos. – Estes aqui são meus famosos amigos: Rony, Harry, Hermione e Gina. – Os sete jovens pareciam reconhecê-los nominalmente. – E estes são meus parentes, minha irmã, que eu havia falado com vocês, Bella, e está é minha esposa Nicolle. – Hecktor deu uma pausa, censurando com o olhar um de seus amigos que parecia querer se insinuar para Ni. – E está é minha adorável prima, Lux. – Todos os rapazes se desfizeram em sorrisos quando Heck indicou a jovem e bela Lux. A jovem agradeceu e logo foi à direção deles, para que eles pudessem cumprimentá-la mais de perto.

Mariana pareceu gostar de Lux, elas eram bem parecidas por sinal, a jovem só não gostou quando Lux se aproximou de Thiago, e logo se pôs ao ataque.

– Thiaguin não, minha amiga, este tem patroa.

– Hei! Hei! Ainda não acabou… Meu navio tem espaço, o Canto de Rio é igual qual coração de mãe, sempre cabe mais um. – Brincava Will, até ser complementado por um dos rapazes que agora cercavam Lux com conversas, sorrisos e elogio.

– Ótimo nome, não Will?

– Claro Pedro, foi você que colocou!

– Por isso mesmo, Canto de Rio, tudo quanto é tipo de coisa para aí!

Todos riram.

– Olha o que você fala cara. Hahaha. Mais estes que agora vem não são qualquer coisa como vocês. São Blecks!

Todos deram atenção, e olharam para o topo da rampa, alguns bateram palmas, e outros gargalhavam. Até que mais quarto silhuetas surgiram.

– O casal de noivos que estavam em lua de mel em Amsterdã foi içado por mim. – Apresentava Will. A jovem que descia acompanhada de um belo rapaz corrigiu.

– Viagem! Lua de Mel ainda não Will!

– Claro, Sarah, claro. Como quiser.

Eles brincavam.

– Hei! Will, explica para o Heck, o que agente fazia nois onze, em Amsterdã, diz. – Brincava outro jovem, deixando Lux interessada.

– Ele deve imaginar, a se deve. – Will brincava malicioso.

– Eu? Nem quero imaginar. – Se defendeu Heck, ao se aproximar dos pés da rampa para receber os novos Bleck. – Sarah Sophi e Higor Malfoy, quanta honra, a quanto tempo seus pés não pisam no solo de minha ilha.

Os dois se aproximavam. Sarah era bela ao natural, era um pouco mais baixa e mais nova que Heck, tinha os olhos azuis mar, caucasiana, não usava jóias ou maquiagem, seus cabelos loiros preso em um penteado estilo rabo-de-cavalo, roupas simples de viagem. Higor tinha pose imponente, andava rígido como um soldado russo, corpulento, cabelos curtos e negros, olhos amarelados. Uma camiseta de manga curta colan e preta, de um tecido grosso, no ombro direito o brasão de seu colégio, e no esquerdo o de seu país. Usa luvas de couro de dragão, marrons, que lembram as luvas de proteção de um adestrador de falcões. Usa uma cinta também marrom, onde embainha sua varinha, e na cinta há uma fivela de prata. Usa uma calça preta skiny, também de um tecido grosso, com alguns bolsos, uma faca atada a sua batata da perna, e com botas de soldado. Sarah vem abraçada a seu braço direito, que era do tamanho do pescoço da garota.

– Sim Heck, muito tempo. – Sarah parecia envergonhada e cada vez mais tímida, ao quanto descia a rampa. Heck os esperava de braços abertos.

Sua, Bleck?! Pelo que eu saiba, ainda não é sua. Hahaha. – Ele era um Malfoy, e dizia maldoso.

Hecktor o ignorou, por respeito apertou sua mão, mas antes disso, Higor fez questão de pisar nas areias, fora do tapete.

– Ops! Mil desculpas, primo Bleck, pela seus costumes a primeira vez que a pessoa visita a sua casa ela tem de cumprimenta-lo primeiro antes de pisar em sua terra. – Dizia ele, brincando e abertando a mão de Hecktor.

O jovem Senhor Bleck teve dificuldade em se conter, mas disse, forçadamente.

– Nada, que isso.

– Certo, Bleck. – Higor se afastou e foi em direção as pessoas.

– Mil desculpas Heck, por favor, tenha paciência, lembre-se que ele também tem sangue Bleck. – Sarah dizia triste, enquanto Heck beijava sua mão e logo sua face.

– Certo certo, mas por favor, não me recorde disto. Tenho vergonhas destes Bleck, a nobreza de seus sangues apodreceu quando os pais dele se juntaram para formá-lo. – Heck dizia com nojo, mas logo se corrigiu com um sorriso, deixando Sarah mais aliviada por saber que ele estava brincando, ou não. A jovem foi de encontro com os outros parentes.

O Ritmo da musica mudou novamente, agora era mais rápida, e animada. E no topo da rampa, duas belas jovens desciam conversando.  Uma delas parou quando Hecktor olhou em seus olhos, eram lindos, ele quis dizer, mas preferiu se calar pois ela já estava muito sem graça. Quando a outra viu porque ela parara, puxou-a para terminar de descer.

– Venha Lilith, depois eu lhe explico, venha, venha conhecer meus primos.

Hecktor ficou um pouco em silêncio, até que retornou, vendo sua prima se aproximar.

– Diana! Diana B.Bleck. A quanto…

– Tempo! – Interrompeu ela. – Sim, muito. E você insiste na aliteração de meu sobrenome né?!

Eles se abraçaram, a outra jovem terminava de descer a rampa, a caminho deles.

Diana possuía cabelos curtos e pretos, sombra nos olhos cor de turquesa claros, e pele pálida, lábios vermelhos de baton, tinha uma roupa estilo punk gótico de grife, e uma boina francesa na cabeça.

– Sim, mas tem uma boa sonoridade, Diana Black Bleck, filhar de Richard Bleck e Dayanne Black. Ah! Sua mãe esteve aqui a menos tempo que você…

– Para, seu besta. Está aqui é minha prima, do outro lado da família. – Ela apontava para a jovem, ela era bela, Hecktor realmente percebeu isto, tinha olhos cor de mel, cabelos dentre castanhos e ruivos, pele branca com bochechas rosadas, nem deve ser por maquiagem e sim por vergonha. A garota hesitou em continuar, ela se desequilibrou para não pisar na areia, e ia cair sobre a rampa de madeira.

Um pequeno suspiro, e ela não cai (?!). Heck se movimenta rapidamente e consegue pega-la pelo braço, antes que ela caia, reequilibrando-a.

– Agradeço o respeito as minhas tradições, mas se você esquecesse ou caísse, eu aceitaria sem problemas, quem sou eu para me irritar com uma dama, com uma Black?

– Hecktor Bleck Potter! – Ela disse sorrindo, envergonhada. – Me desculpe. É que…

– Percebo que terão muito o que conversar. Vamos. – Interrompeu insistente Diana.

– Sim. – Hecktor se afastou, beijou a mão de Lilith. – Senhorita…

Com um gesto ele pede para que ela vá na frente. Ela não hesita, e se aproxima de sua prima, elas vão andando, até que Diana para, olha para trás, e diz a Hecktor de forma que Lilith não ouvisse.

– O que foi aquilo? Você é casado Hecktor!

Hecktor continuou em silêncio, somente observando as duas novatas continuar pelo tapete vermelho e indo conversar com os outros. Um momento de nostalgia se seguiu, os problemas pareciam tão distantes.

O som de fundo mudou, seguido por uns assovios e palmas. Agora de dentro do navio tocava o hino nacional brasileiro, não na batida comum, parecia estar sendo tocado por uma escola de samba. Os jovens brasileiros, dentre eles Will, começaram a cantar, alguns puseram a mão no peito, outros olharam para o céu.

– Oh Will! Você é inglês indivíduo sem luz! – Gritou um dos amigos.

– Hei! Sou nacionalizado brasileiro esqueceu! Sou cidadão brasileiro des dos 13 anos.

Alguns riram. Hecktor observou que no mastro principal do navio havia a bandeira brasileira a tremeluzir.

– Will, por que diabos fostes por toda a Europa antes de vir para cá? – Hecktor indagou se aproximando de seu primo e dando palminha em suas costas.

– Que isso. Passei pela França, Holanda e Portugal só!

– Portugal também?

– Sim, Diana e sua prima estavam em Lisboa. – Will indica as duas que se distanciaram dos outros para conversar, elas confirmaram com sorrisos.

– E eu achei que ainda estivesse no Brasil.

– Você é muito inocente, primo Bleck. – Will zombava. – E você sabe que meu navio é rápido.

– Modesto você.

– Sempre… – Ironizava ele. – Sempre.

Hecktor olha o navio, o tapete retornava rolando para dentro dele. Reparou-se na placa ao lado do navio, uma placa dourada onde havia escrito em baixo-relevo e em letras maiúsculas: CANTO DE RIO.

– Will? Que diabos de nome é, Canto de Rio?!

– Hei! – Pedro reclama do meio da multidão. – A idéia foi minha.

– Tinha de ser né?!

Pedro se encurvou agradecendo, quando percebeu que o jovem estava sendo irônico, olhou para ele, fazendo gestos de raiva, mas sorrindo.

– Eu tinha outras idéias. – Começou Willyam. – Willyzinho, Willyam Jr. ou Pequeno Pardal.

Canto de Rio. Perfect, excellent, wonderful! – Aceitou Hecktor. Willyam começou a gargalhar, enquanto a musica de fundo mudava novamente.

– Vamos voltar para a Mansão, pelo amor de Yaveh! – Insistiu Will.

Hecktor começou a gargalhar, aceitando com a cabeça. Todos começaram a se silenciar, esperando as novas “ordens”.

Will começou a indicar o navio, para que todos retornassem a ele. Os jovens que com ele vieram seguiram sem problema. Mas os outros hesitaram, Rony, Mione, Gina, Harry, Bella e Nicolle ficaram olhando para Heck, esperando uma explicação, Lux pelo contrário, seguia-os sem problema.

– Heck?! – Soava Bella, tímida.

– Vamos gente, terão uma surpresinha.

Ele sorria sacana. E todos entraram no navio, foram até a área externa superior, e a rampa que levava para o porão se fechou.

Com alguns comandos Will, que ficava atrás do leme na sacada superior, lançava alguns feitiços, e o CANTO DE RIO parecia correspondê-los sem problemas, como se pensasse por si próprio.

As três velas principais do navio se viraram 90°, ficando na horizontal, sobre o navio. As cordas corriam de um lado para outro, os viajantes riam da surpresa dos aventureiros de primeira viagem do galeão, eles diziam coisas como: Esperem… Esperem para ver, ou Ainda vai piorar, não se preocupe.

O incrível estava para ocorrer, quando um forte vento vindo do oceano quase derrubou os jovens ali de pé. O vento foi até o meio do navio e subiu pelo mastro principal, estufando todas as velas, e com um forte solavanco o navio balança, e começa a subir, a ascender aos céus.

– Mas como? – Alguns perguntavam.

Is magic! – Brincava o Capitão Will, em um inglês americano.

O navio subia, e velozmente, já estava a cerca de 30 metros do chão em poucos segundos, e sua velocidade dobrava a cada instante, ele subia em direção as montanhas, em direção a mansão.

– Navegar pelo mar é fácil, quero ver fazer isto nas nuvens. – Zombeteiro Will dizia.

Um frio na barriga atingia a todos, quando o navio deu outro solavanco, muito forte, caindo por alguns metros de depois saltando uns 100 metros.

– Essa foi por pouco Will. Os coqueiros bateram no casco. – Dizia um dos amigos.

– Não se preocupem, estou contando com a poderosa sorte de iniciante.

– Iniciante!? – Gritou Bella, que estava enjoada.

– Sim, o navio é novo, eu e os meus colegas que compramos as peças, e os montavam com nossas próprias mãos, querias economizar no material  e na mão de obra, só a placa de ouro ao lado é metade do preço do navio.

Bella ficou sem voz, correu para o lado do navio e vomitou sobre as árvores, metros abaixo. Todos começaram a gargalhar. Hecktor se aproximou para saber se ela estava bem.

– Hei, vocês, parem com isto! – Ele não conseguia ficar sério, mas defendia sua irmã. – Se não vou começar a contar aquelas historinhas particulares de vocês. Pessoal… – Ele chamou a atenção de todos, até Bella pareceu sorrir. – Vocês não sabem o que estes caras fazem no final da noite, depois de beberem até nausear-se.

Todos gargalharam, menos os rapazes.

– Poxa, primo Bleck, vamos esquecer isto vamos?! – Eles brincavam.

Quando Hecktor percebe que Bella está melhor, para.

– Mas vocês nunca voaram mesmo não? – Dizia Hecktor, Bella olhou para ele, e lhe veio outra ânsia de vômito, e ela correu para a lateral.

Risos.

– Pior foi que o Nate tomou toda a champing de batismo, e tivemos que batizar o navio com Flor do Brasil.

Ah! Mas foi melhor assim, agora o barco é 100% Nacional. – Defendia-se o garoto chamado Nate.

– Batizaram com cachaça? – Perguntou Mariana, que estava na proa do navio. – Está eu não sabia. Porque não me contaram antes. – Ela gargalhava, junto com todos, tentando esquecer que agora estavam a mais de um quilometro de altura, e subindo.

– Que tal uma musiquinha? – Perguntou Guilherme, que estava vindo do porão do navio trazendo um violão, e sendo seguido por outros que também vinham com instrumentos.

– É. E o ar rarefeito deste limite de atmosfera vai nos fazer desmaiar enquanto cantamos. – Corrigiu Mione, e foi apoiada por Sarah.

Will e seus amigos gargalhavam, eles disseram a Hecktor.

– Bem que você disse que ela poderia ser bem enjoada e sem confiança.

– Hecktor! Você disse isto? – Hermione brandia.

O jovem se defendeu em negações.

– Mas Mione, você reclama muito! – Disse Will. – Deixe-me lhe explicar. – Ele soltou o leme do navio, que girou no ar, deu um “cavalo de pau” nas nuvens, caiu em rodopios alguns metros, até que Hugo, desesperado salta sobre o leme e o segura, pondo o barco novamente no curso. Will descia despreocupado, escorregando pelo corrimão da escada, indo para o deque. – A mesma atmosfera artificial e mágica que nos protegeu para que agente não morresse nas profundezas marítimas, nos mantém vivos até se estivermos no espaço.

– No espaço Will? – Indagou um dos garotos, arrumava junto aos outros um pequeno palco para que eles tocassem.

– Acho que sim, Eric, eu não disse que não sei. Nem sei se esta atmosfera irá mesmo nos proteger enquanto cruzarmos a cordilheira de montanhas. – Alguns gargalharam, outros olharam assustados. – Nós nos arriscamos no oceano não foi?! O espaço é a fronteira final! – Ele brandiu, seguido de urros de alegria de seus amigos, o galeão estremeceu a sua voz.

– Então, porque não passamos à virada de ano em gravidade zero? – Brincou Eric.

– Claro. E levaremos a Lux também, tens coragem? – Duvidou Will, virando-se para a garota.

Mesmo pega se surpresa, logo respondeu animada.

– Mas é claro, eu quero saber é se você tem coragem, lembra que você tremeu de medo de fazer Wizard Wing Walking comigo!?

Seus amigos gritaram de risos, os outros jovens ficaram em silêncio, se contendo a sorrisos e pequenas gargalhadas.

– A não. O grande e nobre Bleck ficou com medinho? – Thiago falava, carregando uma guitarra e uma caixa de som.

– Pois é, rapá, eu não duvido que seja verdade não! – Zombou Pedro, arrumando os pratos de uma bateria improvisada.

– Hei! Mas deveria duvidar, pois é mentira. Pelo que eu saiba… – Começou a dizer para Lux. – Você teve de descer abraçada comigo no primeiro salto, de tanto medo.

– Ui!  – Alguns gritavam.

– Não exagera River, vamos ver se você tem coragem então. – Ela segura uma corda que desceu pelo mastro, e cortou outra com uma faca (que não estava em suas mãos antes) e ela saltou, subindo até o posto de observação, e descendo, caiu na sacada, com alguns movimentos, fez com que o navio dobrasse a altura e triplicasse a velocidade. – Tens vassouras, River?

Todos ficaram em silêncio, eles já haviam compreendido sobre o que Lux o desafiava. Will confirmou com um sorriso. Ele desceu correndo até o porão, aparentemente para pegá-las. Depois de um tempo ele retorna, com três vassouras, uma Firebolt aparentemente alterada, e duas Crossbolt simples.

– A fire é minha, eu a envenenei pessoalmente. As outras são dos doidos aí.

– Vê se não estraga elas pôh! – Disse Fernando, do porão, sua voz ecoou pelas escadas do alçapão.

– Eu te mato se um fiapo estiver fora do lugar, Bleck. – Disse Samuel, com uma Desert Eagle presa num cinto da calça.

– Não se preocupe… Os dois. Quem tem de se preocupar é a Larissa Katherin Bleck aí.

– Você sabe que eu abandonei este nome, River.

– Sei minha linda. Sei… – Ele joga uma das vassouras mais simples para ela, tira a camisa, e sobe na sua vassoura. A tatuagem de lobo-guará em suas costas começa a correr por todo seu dorso, em animação.

Lux, pega a vassoura, despi sua blusa, ficando somente com a parte de cima de um biquíni branco que estava a usar, e aparece sua tatuagem do brasão da Grifinória no ombro.

– Eu só não lhe mostro a minha outra tatuagem, seu exibido, porque se não os garotões ali vão ao delírio. – Ela sorriu, e deu língua para Willyam, mostrando seu piercing, e com um salto sobe alguns metros no ar.

Ele gargalha e reprime ela. – Não precisa, eu conheço sua outra tatuagem.

Lux retira sua varinha e a joga na direção de Will, que desvia, a varinha cai no chão, ele joga a dele sobre a varinha dela, e salta sobre sua vassoura, chegando à altura dela em vôo.

Todos de olhos arregalados, até que Lux se aproxima de Will, e lhe dá um beijo, ou melhor, O beijo. O garoto fica desconcentrado e só percebeu o que ela queria quando ela desceu como um borrão de velocidade para fora do navio.

– Safadinha. – Ele a seguiu. E os dois sumiram de vista para baixo do navio. Com um zumbido cortante no ar.

E a banda começou a tocar. Nenhum deles sabia direito, mas estavam se divertido, tocando Eu bebo sim da banda brasileira Velhas Virgens.

Eu bebo sim, eu tô vivendo, tem gente que não bebe e tá morrendo… !!

Hecktor sabia que pouquíssimos ali entendiam a letra, pois eles cantavam em português. Hecktor os preferia cantando a tentando falar em inglês com um forte sotaque, e trocando algumas palavras, descontando a má conjugação, da qual ele jurou a si mesmo que nunca falaria para eles.

Bella e mais alguns se aproximaram de Heck e foram lhe perguntar sobre o que estava havendo no desafio de Lux e Willyam. Os que não estavam ali, e nem na banda estavam na lateral do navio, procurando-os.

– Pelo que me lembre, da ultima vez que a Lux tentou me convencer a ir com ela. Era proibido utilizar magia, eles ficam de pé a toda velocidade em suas vassouras, e de costume, fazem saltos suicidas, e pulam de uma vassoura para outra. – Ele terminou com um sorriso, enquanto todos ali estavam de bocas abertas querendo gritar: Pelo amor de Deus, o que é isto!!?

Hecktor observava o deque, até que percebeu um detalhe, uma vassoura no meio do deque, uma vassoura que Will trouxe do porão, mas esqueceu de levá-la. Hecktor observa a vassoura, e olha a banda a tocar, enquanto eles servem algo para o pessoal, que o jovem Bleck não sabe o que é, mas tem quase certeza que é alcoólico, pois Thiago e Mariana acabaram recusando.

A adrenalina começa a latejar em Heck, ele se aproxima e retira o copo da mão de Mateus antes que ele possa beber, e toma todo o liquido. Com certeza era alcoólico. Heck corre para pegar a vassoura, salta sobre ela, e pula do navio de braços abertos. Deixando para trás alguns sorrisos, espantos, e um Mateus reclamando: Poxa!

♣ ♦

Nas nuvens a procura de dois loucos, com uma vassoura. Caindo com o sobretudo a se debater. Olhos fechados, com o vento a acariciar suas madeixas douradas. Ele deixou um suspiro sair, algo como:

– Eu sou o rei do mundo!

…“Don’t worry be happy now”…

os hesitaram, Rony, Mione, Gina, Harry, Bella e Nicolle ficaram olhando para Heck, esperando uma explicaçm problema. Mas os out

Diário dos Bleck Cap.6

Autor: H.B.P  //  Categoria: Diário dos Bleck

Setembro, 10º dia, ano de 2001…

Todos naquela escuridão plena.

Harry e Gina estavam de mãos dadas, mesmo sem ver nada, um olhou para o local onde deveria estar seu amado, e sorriram um para o outro, tendo certeza que o outro também sorria. Até que este clima foi cortado um par de braços que atravessaram o pescoço dos dois, dizendo com uma voz melodiosa:

– Não é que eu tenha medo de escuro, mas eu prefiro que as luzes fiquem acezas. Se importam que eu fique aqui?

– Claro que nã… – Harry foi cortado.

– Sim nós nos importamos Ni. – Disse Gina rispidamente.

–Harry?! – Nicolle pediu auxilio.

–Giny?! – Harry pediu.

–Harry Potter! – Gina não acreditou que Harry estava “desobedecendo”.

Eles ficaram quietos.

– Considerarei este silêncio como se vocês não se importarem.

Gina mesmo na escuridão completa deu uma cotovelada certeira nas costelas de Harry. E Nicolle abriu espaço e ficou entre os dois.

Lux nunca se importou em ficar na escuridão, mas a curiosidade e não poder ver o que estava ocorrendo era irritante. Ela colocou a mão no bolso de seu short e tateando encontrou seu isqueiro de “estimação”, a imagem dele era muito familiar para ela, podendo imaginá-lo sem problema algum na escuridão, e em quanto o descrevia para se mesma, o acariciava cada detalhe: o Isqueiro de Osíris, feito de marfim, tem o gatilho de prata. Uma de suas peculiaridades é que não usa gás comum, mas sim, um gás mágico ilimitado. Em seu “corpo” ele é decorado de pequenas pedras preciosas, que se unem por uma fina teia de prata, formando duas imagens estilizadas de azas. O utilizador do isqueiro não é queimado por sua chama. Este presente de seu tio Erick era uma das coisas que ela mais gostava, ele deu para ela dizendo: “Você é uma Bleck, é especial, e agora além de Bleck és uma MORADORA de um dos símbolos de onipotência do verdadeiro e puro sangue bruxo, e precisa honrar o que é”. Ela gargalhava com o som da voz séria do tio rodando por sua mente.

Ela pegou o isqueiro, acariciando as pedras, levantou-o até a altura do rosto, e o riscou. O calor pode ser sentido, mas sem luz alguma. Que diabos é isso, que o Hecktor fez?. Ela apagou e acendeu o isqueiro algumas vezes, sentindo o calor sumir e retornar, e ouvindo o crepitar das chamas, e sentindo o vulto do fogo, mas sem luz ou imagem alguma. Merda. Guardou o artefato mágico novamente no bolso.

Bella conhecia está escuridão. Ouviu os murmúrios dos amigos ao lado dela, e ouviu bem distante um som de passos quebrando galhos e amassando folhas. HECKTOR BLECK POTTER!.

Correu alguns metros onde deveria estar Mione, encontrou-a, encostou a mão sobre o seu ombro:

–Volte para onde eles estão. Essa magia que o Hecktor usou é Magia das Trevas, pode atrair seres da floresta. Péssimos vizinhos.

–E você Bella?

–Vou dar uma pequenina bronca meu irmão querido.

Hermione riu.

–Mas você vai entrar na floresta atrás dele?

–Como ele diria: “pode ser que sim, pode ser que não, o mais provável é que talvez.”

Hermione virou-se e tateando na escuridão, foi até seus amigos. Bella ouviu um barulho.

–Estou bem, Bella, não se preocupe, estou bem.

Bella abafou o riso com as mãos.

Olhou para os lados: Escuridão, Escuridão e mais Escuridão. Bella sacou a varinha, ela sabia que feitiços não funcionam. Luz material, luz mágica, nada pode dissipar esta escuridão absoluta, nem seres que naturalmente veriam na escuridão podem ver aqui, pois este feitiço é mais forte, ele é um encantamento permanentemente preso a um artefato antigo – A Pedra das Sombras. Uma pedra em forma de gota, negra como a noite, de aproximadamente 6 cm de altura, 3 de largura, e 1,5 de profundidade. Bella gargalhava, os números eram vívidos em sua mente, seu irmão os calculava com perfeição para escrever sobre ela em seu diário. Mas saber isso não adiantaria em nada naquele instante, mas um outro número exato poderia ajudar. A pedra emite uma luz negra esférica de aproximadamente 21 metros de raio, e só pode ser dispersa se a pedra for coberta por algo sólido e opaco, normalmente um tecido, dentro dos bolsos de Hecktor.

Bella olhou para a direita, o local onde provavelmente ela estava mais próxima do fim do raio da escuridão. Tudo negro. Ela se pôs a correr. Com a varinha a apontada para frente, e a mão a tatear freneticamente o nada. Até que a luz do luar foi vista, e além de vista, a ofuscou por instantes, fazendo-a cair no chão. Na grama, esfregando os olhos que lacrimejavam e ardiam, ela xingava Hecktor em Latim.

Quando abriu os olhos à imagem em sua frente era simplismente surrealista. Um grande globo negro de algo que poderia ser descrito como anti-luz. Era escuridão na sua mais nua e verdadeira forma.

Dava medo.

Algo estranho pode ser visto, o globo se movia, e não era devagar, ele começou a correr em direção a floresta. Em alguns instantes seus amigos foram deixados para trás pela escuridão, estavam sacudindo a cabeça, ofuscados pela luz do luar.

Bella pegou a varinha na grama, logo em seguida, ficou de pé. Observava a meia esfera correr em direção a floresta, até que sumiu, sendo engolida para dentro de um vulto negro, que corria com uma varinha com feitiço Lumos, floresta adentro.

–Bella…

Lux perguntava ao achar a garota distante no jardim, Lux esta acariciando as chamas que saiam de seu isqueiro.

–E então?

–Agora infelizmente teremos sim, que segui-lo! Acho que se ele estiver indo para onde acredito que ele esteja indo, será uma caminhada rápida.

Legal… Muuuito legal!

Todos sacaram as varinhas e conjuram luzes. Sem mais delongas, entraram na tão perigosa floresta.

♠ ♥ ♣ ♦

Uma floresta de coníferas nada habitual poderia se dizer. As grossas e altas árvores da floresta são centenárias, suas copas densas impossibilitam que se veja o céu em quase toda a floresta. Há uma névoa rasteira e eterna que por motivos desconhecidos cobrem o chão da floresta, algumas lendas dizem que um dragão cuspidor de fogo vive adormecido nas montanhas, e que toda a manhã libera uma preguiçosa nuvem de fumaça quente que reascende a névoa todos os dias. Lendas não faltam para está ilha.

O grupo de garotos estava andando rapidamente, saltando as grossas raízes das árvores, e tendo cuidado com qualquer estranha visita, eles andavam juntos, seguindo um ponto de luz no horizonte de suas visões.

–Não querida estar aqui. – Resmungava Nicolle, baixinho.

Mione que já estava sem paciência diminuiu a caminhada para aproximar da garota que estava mais atrás, apontou a varinha para ela.

–Seu marido nos pôs aqui, queridinha.

–Não duvido que ele tenha um ótimo motivo para isso, eu confio nele.

Respondeu rapidamente Nicolle, seus olhos brilhavam ao pensar em Heck.

–Meus pêsames, amiga.

Nicolle não compreendeu, viu Mione afastar-se indo a direção do resto do grupo, Ni estava ocupada prestando atenção na borda de seu sobretudo que se enchia de lama.

–Ai… Hei! Não me deixem para traz!

Encurtou o passo.

A caminhada rápida deles estava um pouco longe de terminar.

–Olhem!

Gritou Gina, alertando os amigos. Apontava para uma manada de unicórnios nas sombras. A luz de suas varinhas os espantou, mas atraiu algo pior… Eles olharam em outra direção, um barulho de algo grande e pesado correndo. Quatro patas grossas e pesadas batiam em sequência no chão, quebrando raízes e galho.

–Essa não! – Bella parou, olhou na direção do som. Paralisada.

Todos param. Apontando as luzes das varinhas em todas as direções. Olharam no horizonte onde devia estar Hecktor, a luz sumira.

–Me sigam, O MAIS RÁPIDO QUE PUDEREM!

Gritou a Srt.ªBleck, com uma voz esganiçada e estridente, e disparou a correr na direção a qual Hecktor estava indo. Todos olharam para os lados, não compreenderam nada, até que um ser pulou, surgindo das sombras, vindo correndo na direção deles, com olhos de fúria que cintilavam vermelho ódio pelas luzes de suas varinhas. Uma das mais assustadoras bestas selvagens que se poderia temer enraivecer. Um gigantesco urso de quase 4m de comprimento, com sobrancelhas ósseas e garras do tamanho de foices, e um brilho selvagem e destrutivo em seus olhos frios e penetrantes, que estavam iluminados pelas luzes trêmulas das varinhas dos garotos. Ele corria a ainda alguns metros de distância na penumbra, quando parou e deu um grotesco rugido, que acordou os garotos de suas paralisias instantânea resultante de tal visão. Eles correram o máximo que puderam em direção a luz de Bella. Saltando raízes e pedras musgosas, temendo não poder fugir a tempo.

Harry olhou para os lados, espere aí! Onde está a Ginny? Ele parou a garota havia escorregado e estava caia a alguns metros.

–Socorro! – Gritava ela.

Harry retornou, todos pararam e viram a garota caída, quando se dispuseram a ajudar, Harry pediu que continuassem.

–Eu cuido dela, vão!

Eles continuaram correndo.

Harry voltou, jogou a varinha no chão e abaixou na terra úmida coberta por grossas folhas, a escuridão daquela floresta. Gina esta caída no chão, ralou o joelho, e seu pé direito estava preso entre algumas raízes de uma árvore.

–Acalme-se, eu tiro você daí!

–Me ajude Harry, rápido.

Ele saltou em direção a sua varinha que estava ainda acesa, pegou ela e apontou para a grossa raiz.

Diffindo.

Metade dela rasgou, mas o tornozelo de Gina ainda esta preso, e os passos do grande urso-atroz se aproximavam, cada vez mais fortes.

–Minha varinha caiu em algum lugar e se apagou.

Dizia a garota, ainda sacudindo os pés para tentar ajudar a se soltar.

Harry conjurou novamente o feitiço de separação, e a raiz se partiu de vez. A garota levantou, olhando para os lados. Harry olhou em todas as direções.

Accio Varinha.

E a varinha saltou de um monte de folhas próximo, vindo parar em sua mão, ele entregou para Gina, mas ela não estava prestando atenção nele, o rosto do ser abismal surgiu bem próximo agora, e as luzes das varinhas de seus amigos estavam distantes. A menos de 12 metros um fim horrível se encontrava. Gina pegou rapidamente a varinha da mão de Harry. E apontou para o ser, mesmo sabendo que havia grande chance de não funcionar. A voz odiosa de Hecktor ecoava em sua mente: O que torna os ursos-atrozes desta floresta mais perigosos que o normal é a estranha resistência natural que eles têm a magia arcana. E ele gargalhava.

Imobbilus! – Gritou

Uma luz saiu da ponta da varinha da garota, acertando a pata do urso, ele urrou, e continuou correndo, batendo em árvores, e quebrando as raízes. O seu tamanho dificultava bastante sua locomoção dentre as árvores nesta área mais densa da floresta, mas não a impedia. Harry abraçou Gina, e com sua varinha em punho vendo o urso de perto, de braços abertos à fera iria cair sobre eles.

Avada Ke…

Gina pôs a mão sobre a varinha dele, desorientando-o. E ele parou ao ver um vulto aparecer à frente do urso. Um sobretudo preto de costas foi acertado por uma das patas do urso e lançado a uma árvore. O urso desistiu de atacar Harry e Gina, e se concentrou no novo intruso.

–Porque vocês vieram para cá? Estavam indo para a Torre Negra?

Dizia Hecktor com a boca sangrando, nem ligando para a presença do urso.

–Estávamos seguindo você!

Disse Harry, apontando para o urso com sua varinha, seus olhos saltavam da grande fera para Hecktor e vice-versa. Gina soltou-se dos braços do garoto e também ficou com a varinha apontada para o urso.

–Me seguindo?! Mas eu fui à outra direção… Ah, já sei, outro fogo-fátuo a perambular para fora da Torre. E onde estão os outros.

–Seguindo você, ou melhor, o tal do fogo… Hecktor cuidado!

O urso estendeu as duas patas e foi “abraçar” Hecktor, que com um reflexo se jogou nas folhas e rolou, retornando a ficar de pé, deixando o urso cravando suas garras na árvore. Hecktor segurava sua varinha com sua mão esquerda, que estava imobilizada, aparentando ter se quebrado, sendo amparada pela outra mão.

–Se você lançasse um Avada nele Harry, poderia matá-lo!

–E isso não seria bom?

–Sim, seria ótimo ter todos os Entes, Centauros, Sátiros, Ninfas, Fadas, Tronquilhos, e outros Ursos-Atrozes, putos da vida com agente né?!

–Certo o que você deseja que nós façamos?

Gritou Harry ao ver o Urso se levantando novamente para atacar Hecktor. O garoto saltou por cima do urso, uma manobra quase perfeita, mas o urso percebeu e o acertou de raspão no ar, lançando-o em direção ao chão.

Gina deu um gritinho. E Harry conjurou firmemente:

Crucio!

Harry não sabia o que fazer, conjurou a Maldição sobre o urso em um impulso. Aquela sensação, a ultima vez que utilizou uma Maldição Imperdoável foi em um passado tormentoso, que não seria bom ser relembrado neste instante. Ao atingir o urso, a fera deu outro urro, com olhos enfurecidos olhou para Harry e Gina.

Crucio!

Hecktor se pôs de pé, amaldiçoando o urso, que virou irado em direção ao abatido Bleck. Hecktor soltou o braço esquerdo, deixando-o caído, balançando sem vida preso ao ombro, ignorando a dor dilacerante que nele residia e com um gemido de dor pegou a varinha de sua mão incapacitada, tocou a varinha na nuca, seus olhos viraram por um instante, enquanto o urso corria em sua direção, ele tirou a varinha de trás da cabeça e junto com ela um pequeno fio de prata veio preso na ponta brilhante. O pequeno fio esfumaçado e latejante foi lançado por entre as árvores, em direção a tão distante mansão. Alguns instantes flutuando rapidamente, desapareceu.

–O que você fez? Corra!

Gritou Gina preocupada.

–Eu pedi ajuda.

Hecktor virou as costas, correu em direção a árvore mais próxima e conjurou sobre seu peito.

Ascendium!

Ele foi jogado para cima, se equilibrando com uma das mãos em um galho no topo da árvore. O urso ainda enraivecido abraçou a árvore com força, seus braços não conseguiram se encontrar do outro lado da árvore, mas ele começou a balançá-la com força e fúria. Hecktor agora sentado no topo da árvore tentando se equilibrar, começou a conjurar feitiços sobre a fera.

Enquanto rachadas de luz vermelha caiam como raios da ponta da varinha de Hecktor, explodindo sobre a fera e ao redor dela e lançando fagulhas escarlates em todas as direções.

–Corram, tragam-nos de volta, com o tempo que se passou, se eles tiverem sorte, estarão em um perigo pior que o nosso.

Harry e Gina não tiveram tempo de prestar atenção na ironia de Hecktor, só obedeceram suas ordens e correram pela floresta, deixando a fera a tentar derrubar a árvore.

Eles corriam e a frase de Hecktor ecoava em suas mentes. Tragam-nos de volta, com o tempo que se passou, se eles tiverem SORTE, estarão em um perigo PIOR que o nosso. Realmente o Hecktor era bom em deixar frases ecoando nas mentes. E, o que é um FOGO-FÁTUO (?!).

Alguns metros correndo em direção ao nada, eles pararam de ver os flashes de luz vermelha atrás deles, e também não viam as luzes de seus amigos.

Continuando a correr, com as luzes de suas varinhas balançando, saltando sobre grossas raízes, com sons estranhos ecoando por todos os lados. Nada mais do que a traiçoeira escuridão a ampará-los pela noite adentro. Vultos, sombras, sussurros noturnos, as piores sensações que eles já experimentaram foram revividas, um frio na espinha foi seguido de um aumento nas passadas e uma maior vontade de dar o fora dali o mais rápido possível.

Mas o tempo não para…

Com cerca de 20 minutos de corrida sem cessar e em linha reta ao sul, floresta adentro, uma literal luz de esperança se acendeu em uma clareira a nordeste de sua rota, a poucos metros dali. Os dois jovens pararam estaticamente e foram à direção da esfera de luz branca.

Eles se aproximam aliviados, mas este alivio vai se tornando desconfiança e cautela a quanto mais eles se aproximam. Só havia um foco de luz, ao se aproximar mais eles sussurraram para suas varinhas os contra-feitiços, apagando-as. Os dois se aproximam em uma moita próxima, abrindo devagar espaço pela densa vegetação. Em uma posição privilegiada, além de perceberem que só havia uma luz, também constataram que ela não possuía dono. Ao se chegar mais perto, eles viram uma esfera de luz vagando sozinha, tremulando no ar, parecendo temerosa. Gina achou muito curiosa a cena, e decidiu chegar mais perto. Harry tentou conte-la mais não consegui-o, a garota se aproximou e desajeitadamente pisou sobre um galho, quebrando-o, e produzindo um ruído que estremeceu aquele silêncio concreto que havia tomado o lugar sem que eles percebessem. A esfera de luz logo se assustou. Sua luz tremulou e ela aumentou de tamanho e brilho, e dela completou-se uma corrente, saindo um raio de choque azul ricocheteando nas árvores próximas, e se extinguindo. E rapidamente a luz da esfera começou a diminuir até morrer na frente deles, lançando o local à escuridão.

Não por muito tempo, logo que a esfera se apagou, passos rápido e forte começaram a ir nesta direção, até que cinco criaturas ocuparam o lugar no centro da clareira, as criaturas com capas pretas e com hastes de madeira com esferas de luzes nas pontas discutiam:

– Tem certeza que você ouviu algo aqui?

– Sim. Não só ouvi como vi uma luz.

– Como vocês os deixaram sozinhos para trás!?

Todas as vozes falavam juntas, sem nem pensar Harry e Gina reconheceram seus amigos e saíram das sombras para ir a próximo deles.

Um susto rápido até que os jovens na clareira os reconhecessem.

– Que bom que estão bem! – Gritou Bella.

– Mione estava quase enlouquecendo. – Brincou Rony, enquanto Mione corria para abraçar os amigos.

– Ele estava tão preocupado quanto eu ou até mais, mas preferiu esconder. – Disse rindo, e trazendo os amigos para perto.

– Vocês estão bem? – Pergunta Nicolle.

– Sim, eu acho, só com algumas dores, mas vivos. Não é Harry? – Disse Gina.

– Sim. – O garoto respondeu ofegante.

– Onde está Hecktor, gente? – Indagou Lux, com a varinha nas mãos.

– Nós o vimos… – Começou Harry. – Ele nos salvou de um urso atroz. Ficou lá com o urso e pediu para que nós procurássemos-mos vocês.

– Meu Heck… – Gemeu Nicolle, tanto de orgulho quanto de temor.

Os jovens ali se entreolharam.

– Não se esqueçam que estamos aqui por culpa dele. – Brandiu Hermione, batendo com o pé no chão.

Nicolle soltou um pequeno gritinho de choro, e levou as mãos ao rosto.

– Ele disse que não foi culpa dele… – Defendeu Harry. – Que foi um fogo-arrogante, importante, era um sinônimo disso, como era?! – Pergunta a Gina, que com gestos diz que não se lembra.

– Fátuo deve ser, fogo-fátuo. – Completa Bella. – Eles vivem na torre negra… – Sua voz falhou, lembrava da torre, e jurara a si mesma que nunca retornaria lá, e agora que perceberá, estava muito, muito próxima dela.

– Temos de sair daqui. Se vocês estiverem certos, e com o tempo que passou, devemos achar Hecktor e sair daqui, o mais rápido possível.

Eles todos concordam com a jovem princesa Bleck, mesmo sem conhecer o perigo real, o ar ofegava medo naquela área.

Todos se prepararam e começaram a com cautela sair da clareira, mas, um grande rugido de dor e fúria ecoou, vindo do norte, e logo os passos pesados e abafados vieram a correr.

– Outro urso? – Pergunta Gina.

– Não, existem poucos ursos na floresta, este deve estar com fome, deve ser o mesmo que atacou vocês. – Disse Lux, que logo olhou preocupada para Bella.

A Bleck compreendeu.

– Onde está Heck?!

O barulho se aproximava, parecia menos potente do que antes, parecia estar mancando, mas vinha com a mesma periculosidade. Barulhos de galhos quebrando e árvores sendo batidas com força, e outro urro.

– O que faremos? – Nicolle começa a entrar em pânico.

– Podemos nos defender magicamente, vocês são bruxos oras! – Disse Mione, brava, mas suas palavras não encorajaram ninguém. Até que Bella chegou a ela e explicou com uma calma assustadora.

– Os ursos, e animais em geral, nesta floresta, têm grande resistência mágica… Principalmente os ursos-atrozes. E se por um acaso, matarmos um… Estaremos… Mortos.

Bella conseguiu por pânico em Mione agora. Enquanto o barulho se aproximava. Correr nem se esconder eram opções.

Num momento o barulho se tornou tão forte, com outro urro, que eles se afastaram, foram para o sul da clareira que devia ter uns 15 metros. E no lado norte, galhos caíram, árvores quebraram, quando um ser que representava a personificação mais animalesca da fúria selvagem vista por eles surge.

Ele urra novamente para os jovens que estão sem reação, seus corações acelerados. Mas o que mais os assustou não foi a criatura em si, mas o que havia nela, presa entre seus dentes amarelos de do tamanho de estavas pontiagudas, havia um pedaço de tecido de couro preto, sujo de sangue, na qual quando ele urra novamente, ele voa junto com um pouco de baba de monstro e cai próximo aos pés de Nicolle, que começa a chorar e soluçar quando reconhece sendo o sobretudo de Hecktor.

Lux põe a mão no ombro da garota que se jogou no chão, de joelhos, com as mãos no rosto. Todos sacam à varinha, Harry toma frente.

– Não queria que isso tudo acabasse assim. Mas, não morreremos fugindo, não se esqueçam que somos a Armada de Dumbledore ainda!

Todos concordam.

O Urso se põem de pé, só com as duas patas traseiras, suas garras como foices levantadas, outro urro. Que foi cortado por um grande estrondo.

Uma mancha marrom de 3 metros de altura passa correndo vindo do oeste, derrubando o monstro e o lançando para dentro da floresta. E o novo intruso olha para eles, o ser parece ser mais assustador que o urso, e mais forte também. Ele possuía chifres grande em sua cabeça, pontudos e brancos. Seu corpo humanóide era coberto de pelo grosso e marrom, suas mãos com unhas longas, e ele possui patas de boi, e também, um grande rosto de touro. Um grande minotauro a frente deles, olhando-os de cima a baixo, com seus olhos negros. Ele usa uma tanga de couro de bode, e nas mãos, um grande bordão de madeira maciça, no pescoço um colar que parecia ser de dentes de ursos-atrozes.

O lado bom: o urso se foi. O lado ruim: o ser ali, estático, a frente deles, parecia ser muito pior.

Um momento de terror seguiu, até que uma voz familiar falou, enquanto a criatura se aproximava das luzes das varinhas dos jovens. Uma voz vinda de trás do minotauro.

– Abaixem as varinhas… Não se preocupem. – Disse Hecktor, todos reconheciam a sua voz, mesmo estando cansada.

Bella lançou sua varinha ao chão, e correu em direção ao minotauro. Os jovens tentaram gritar para ela voltar, até que o grande monstro abriu os braços longos e musculosos… e a abraçou. Logo Lux e Nicolle também foram. Enquanto um Hecktor machucado descia das costas do minotauro que havia se agachado para cumprimentar as meninas.

– Tauro! – Disse Bella, a primeira a chegar para o homem-touro, aparentemente conhecido como Tauro.

Nicolle e Lux fizeram o mesmo. Até que Nicolle viu Heck e se jogou em seus braços, o garoto ignorou a dor de ter os braços quebrados para poder dar atenção a sua noiva, até certo ponto, quando ela quis que ele a pegasse no colo e soltou um gemido de dor.

– Desculpe-me Heck, mil perdões… Desculpa, Desculpa, Desculpa?!

– Certo, certo.

A voz grossa do minotauro ria conversando com os outros jovens.

– Quem é ele Hecktor? – Perguntou Hermione se aproximando, do jovem, e arrebentado, Bleck. Ela fala baixo da intenção do gigante touro não ouvir.

– Tauro é o druida da mansão. Ele quem cuida dos animais, da floresta, do labirinto e tal… – Hecktor tentava sorrir, mesmo com as dores. Nicolle ainda abraçava.

Hermione reparou em seus braços: o esquerdo aparentava estar bem, mas muito arranhado e com uma carinhosa Nicolle presa a ele, e o outro estava sem a manga do sobretudo, com cortes profundos, todo manchado de sangue que ainda pingava um pouco. Quando Hecktor repara o que tanto Mione observa nele, ele pede desculpas, retira com um pouco de dificuldade a varinha de seu bolso, e começa a murmurar feitiços de cura, seu braço aos poucos volta ao normal. Até a manga do sobretudo retornou.

Ele vira-se para a garota e sorri.

– Hecktor, você não existi! – Mione critica.

Ele parece não ligar. Ignorando-a, vira-se para o grupo de jovens e para o touro.

– Vamos logo, não temos mais tempo.

Todos concordam, mas não saem do lugar. Tauro fareja algo, ele vira-se para as moitas opostas, a leste, e todos olha a escuridão, de onde pares de olhos vermelhos olham a refletir a luz das varinhas deles. O minotauro se aproxima, e urra de tal maneira para a escuridão que as folhas farfalham e os olhos somem, todos, até os que eles só foram reparar após terem saído, pela primeira vez realmente se sentiram só, e seguros, naquela floresta.

Eles decidiram marchar e continuar o caminho que Hecktor havia escolhido antes, até que Rony indaga: o que diabos é um fogo-fátuo!? E Tauro decide explicar-lhe, enquanto todos caminhavam, com Hecktor à frente, com Ni colada a seu encalço, sussurrando em seu ouvido, e dando risinhos com suas respostas. Ninguém ousava pensar sobre o que eles conversavam. Tauro foi explicar.

– Esta criatura parece uma esfera incandescente. – Ele começou, com sua voz rouca e grossa. – Os fogos fátuos são criaturas malignas que se aproveitam de emoções poderosas associadas a pânico, horror e morte. Eles se deliciam ao atrair viajantes para perigos mortais e se alimentar das emanações resultantes. Um fogo fátuo pode ser amarelo, branco, verde ou azul. – Explicava didático. – Estas são criaturas facilmente confundidas com lanternas, lampiões, varinhas, glóbulos de luz, especialmente sob a densa neblina dos charcos, pântanos e próximo da torre negra, principalmente, e em toda a floresta, onde vivem. – Todos silenciosos e atentos, até Nicolle se aproximou para ouvir, só Hecktor continuava ignorando tudo e todos. – Um fogo-fátuo é um globo material esponjoso, de aproximadamente 30 centímetros de diâmetro e pesa cerca de 1,5 kg, se corpo luminoso emite tanta luz quanto uma tocha.

– Você já capturou um? – Perguntou novamente Rony.

– Sim, uma vez, pois eles são sapecas, e difíceis de prender. – Mesmo com um rosto de touro, ele aparentou sorrir. E continuou a contar: – Os fogos-fátuos “falam” qualquer língua humana que tenham capacidade de aprender, além de sua própria língua.

– Falam… !? – Interrompeu Mione, que já ouvira falar um pouco sobre os fogos-fátuos, mas não tão detalhadamente, parecia que isto havia sido escrito em um livro, pesquisado por anos, mas ela duvidava que o minotauro soubesse ler. Eram experiências dele que ele contava.

– Estes seres não possuem nenhum tipo de aparelho vocal, mas podem vibrar no ar para criar uma voz fantasmagórica. Em geral eles evitam o combate. Eles preferem confundir e desnortear os aventureiros, atraindo-os para lugares perigosos. Quando são forçados a lutar, eles emitem pequenas descargas elétricas, além de poderem ficar 100% invisíveis, simplesmente extinguindo sua luz, o que facilita uma fuga repentina.

Ele soltou um relincho que deveria ser uma gargalhada.

Eles andaram por mais uns dez minutos em silêncio, ouvindo os som da floresta, eles iam em “fila indiana”, com o minotauro em contraste com eles. Todos com varinhas acesas, e com Hecktor a frente, leve. Ele de tempos em tempos olhava para trás, os observava, sorria de forma reconfortante, perguntava se estávamos bem, chegou a se oferecer para carregar Nicolle, que aceitou, pois seus pés doíam, ela insistira em vir de salto alto. Hecktor parecia guiar eles em uma excursão ou acampamento.

Após andar, eles chegam a uma clareira, Bella não esconde de estar aliviada dizendo:

– Estamos vivos… – Além de que este era o lugar que ela achava que Heck os levaria.

– Chegamos sim, Bella. Apresento a vocês, ‘As Ruínas’.

O jovem Bleck diminuía a velocidade ao se aproximar mais da clareira no meio da densa floresta, e o todos o seguiram.

Era uma pequena clareira, onde a mata fechada cercava um circulo de grama alta, a altura dos joelhos. A clareira possuía cerca de 5 m de raio, e em seu centro havia um grande dólmen de pedra, composto por três paralelepípedos de 2 m de altura por 1 m de largura e 1 m de comprimento. E este era cercado de cinco obeliscos da mesma pedra, com 3 m de altura cada, e com a mesma base. Todos de pedra bruta, cinzenta e desgastada.

Hecktor se aproxima do dólmen no meio do circulo de pedras, coloca Nicolle no chão, ela lhe pede um beijo e ele não a nega. Depois, virou-se para os outros… Ele pensou em falar, mas preferiu deixa-los admirar o lugar. Era mesmo belo.

Os visitantes observam o local atentamente, principalmente Mione, que tenta transliterar as runas que haviam entalhadas em cada obelisco e no topo do dólmen. Todas as runas emitiam uma leve aura azulada saindo de dentro de seus entalhes profundos, e um pequeno zumbido, peculiar.

Lux já havia ido ali algumas vezes, a primeira vez foi quando era bem jovem, fora guiado por Hecktor até o local, e até hoje ela o usava para chegar mais rápido a praia, para surfar em top-less ao por do sol, porém Hecktor pedira que não o fizesse, devido os perigos da floresta, e Erick confirmara, ela não liga, mas não pode desrespeitar o tio.

Bella também já havia estado ali, ela e Nicolle, tiveram a infelicidade de serem convidadas por Hecktor, Tauro e Erick a vagarem pela floresta.

Hecktor sorria, até que Hermione olhou ele, ela parecia mais calma, aproximou dele, e disse com a voz pacifica e curiosa.

– Por que não me… Não nos levara aqui antes? Porque não disse? – Ela ficou um pouco corada pelo erro, mas logo o corrigiu e cerrou os olhos para Heck.

Nicolle se aproximou deles, abraçando Hecktor pela cintura. Ele riu para ela, mas ignorou se o sorriso foi mutuo ou não. Respondeu a Mione, com uma calma quase irritante, como se tivesse planejado.

– Feitiço Fidelius conhece jovem, Srtª.Granger. – Ele sorriu, soberbo.

– Sr.ª Weasley, Bleck! Adotei o nome de meu marido. – O sorriso de Hecktor sumiu. Nicolle que não compreenderá muito, deu uma risadinha. Mione continua. – Eu conheço o feitiço Fidelius, e sei que ele não permitiria que você nos trouxesse aqui. – Tuchê, pensou ela.

Ele sorriu, e respondeu.

– O local muda de lugar, em proteção. O Feitiço protegeria que eu os contasse, não que vocês me seguissem, por livre e espontânea vontade, e acabares chegando aqui.

– Mas não tínhamos aonde ir…

– Exato.

Ela se calou, não tinha como contestar, até que…

– E como você achou o local? – Disse, desarmando-o. – Se a magia é tão forte, – Zombou. – Não deveria permitir nossa chegada clandestina.

Ele sorriu, fazendo-a ficar estupefata, e irritada.

– Possuo magia maior. – Ele retira de dentro da camisa um medalhão de ouro, ela lembrou que ele o observava no cominho, disfarçadamente, ela o viu somente uma vez, achou estranho, mas não comentou.

Heck abre o medalhão à frente dela. Ele cabia na palma da mão do rapaz, e era preso em uma corrente de ouro. Nicolle se aproximou, tinha total fascínio por jóias.

Quando Hecktor abriu o medalhão, em uma metade havia uma bússola e outro um relógio. E o ponteiro da bússola que flutuava, não apontava para o norte, na verdade, apontava para a própria Granger, e ela não compreendeu.

– Mas…

Ops! – Heck a interrompeu, dando alguns tapinhas no medalhão, e o colocando sobre a mão de Nicolle, a bússola mudou de rota, começou a apontar para frente de Hermione, para Hecktor.

– Mas… O local só muda em direção ao Norte, não compreendi.

– Algo a se pensar Granger.

Hecktor retira o medalhão da mão de Nicolle, que via graça em a agulha de cobre vibrar na direção de seu noivo. Quando ele pega-o novamente a agulha bate no chão, tentando apontar para baixo, depois, ela vira-se vibrando, e como se quisesse voltar a apontar para Mione… Heck fecha a bússola com um clic, que a tranca de bronze fez.

O jovem Bleck se desentrelaça dos braços da esposa. Afasta-se, contornando as jovens, abre novamente o medalhão e observa seu relógio.

– Já é hora. Segurem-se.

Antes de algum deles perguntar porquê, tudo ficou azul e silencioso.

E logo o silêncio foi coberto por barulho de maré, e o azul, por imagens de pessoas espantadas e por fortes dores nas órbitas oculares, descontando isso, estavam em um local paradisíaco.

A costa, e com uma pequena canoa a se aproximar da costa.

Enquanto todos reclamavam da dor de cabeça, devido ao solavanco da viagem rápida. Hecktor se deliciava com o vento, e só Bella o observava. Ela sabia que se ninguém estivesse ali, ele parecia que acabaria dançando valsa com a brisa marítima. Ela sorri. Mesmo parecendo frio e distante, ele era ao mesmo tempo racional e instintivo, adulto e infantil, espontâneo e calculista, sincero e…

O barulho estranho do barquinho espantou os pensamentos da jovem, o pequeno barco, que era remado com dificuldade por um homem encapuzado parara, alguns metros da costa. O homem vinha remando de costas, e usava uma grande túnica com capuz, e luvas, cobrindo-se por completo. Então, ouve-se o barulho de um assovio, que pareceu vir dele.

Em um instante, o barco é arremessado aos céus, e em seu lugar aparece um grande galeão de madeira. O som do grande navio de madeira atracando na praia e com o barulho de sua ancora a cair, ao mesmo tempo em que um alçapão na popa se abre, atrai a atenção de todos.

Surpreendente. Alguns sussurraram. Harry preferiu se conter com um: Eu adoro magia.

Um grande porão escuro era o interior do navio, e de lá de dentro um som estranho. Um tapete vermelho veio rolando, até os pés de Hecktor, e um som de trombetas e música clássica saiu do interior do navio, ecoando dentro de sua vasta imensidão e pela floresta as costas dos jovens.

O homem no barquinho agora estava lá em cima, a sua canoa se tornara o posto de observação do navio, e ele gargalhava.

Hecktor somente, riu, disse para Bella, mas alto o suficiente para que Hermione que estava próxima ouvisse.

– Nós somos Bleck, esperava o que?!

Hermione olha para ele, pensa em contestar, mas se cala, estava boquiaberta com o acontecimento. Hecktor pedi licença a sua irmã, se aproxima da jovem, e delicadamente fecha sua boca.

– Não podes contestar, Granger. Nós Bleck, nós temos estilo.

Palavra do Autor

Autor: H.B.P  //  Categoria: Diário dos Bleck
Gostaria de me desculpar a todos os meus leitores, pois com feriados, fim de bimestre, provas e tals… O post novo foi atrasado alguns dias. Mas agora ele vai ser postado. Gostaria também de agradecer aos coments e pedir mais, pois sei de alguns leitores que acabam por não comentar, e é através dos coments que eu fico sabendo da frequência dos leitores. Gostaria tambem de pedir participação na comunidade oficial no orkut (link). Vamos então a continuação… DdB.
Gostaria de ressaltar também, que há grande chance de o Diário dos Bleck migrar para o orkut ou para o site que eu estou criando. (Sim, o seu autor sabe criar sites em html, rsss). Pois começo a tropeçar nas limitações do Blog.
E também é bom dizer, que eu já penso no livro dois d’O Diário dos Bleck… E já lhes passo o titulo: “O Retorno do Lord”.

Diário dos Bleck Cap.5

Autor: H.B.P  //  Categoria: Diário dos Bleck

Final do Capítulo Quatro :

Há quanto tempo Hecktor não se admira com esta situação, cerca de sete anos, ou melhor, agora cerca de quatro anos. Há pouco tempo, cerca de 20 minutos atrás, ou melhor, daqui a três anos, ele estava, ou estará, descendo as escadarias da mansão com suas malas, preparado para uma grande aventura, preparado para mudar a história. Essa sensação é viciosa, ter o poder de mudar, e estar a caminho de a isto fazer. Ultima vez que participou de uma grande “cruzada” desta, foi neste ano, 1997.

Ele a pouco atrás, agora, uma miragem profética do futuro, estava (estará) a descer as escadas da mansão, com suas malas, o Sgt. Smith Woll a esperar junto ao Ministro da Magia do Brasil. Eles estavam nos jardins frontais, bem distantes, no limite entre a grama e a floresta. Conversavam calmamente, como se nada estivesse acontecer. Heck olhava para as montanhas, depois observava a torre oeste, com as aves frenéticas, a entrar e sair por sua janela, Às cartas vêem e vão, meu pai estava certo, mesmo a milhas marítimas o caos nos alcançou.

Ele se aproximou dos dois homens a falar, eles se silenciaram a chegada do rapaz Bleck. O homem “parrudo” com um rosto redondo, porém alegre e amistoso, e com bigode e boina veio a ele e lhe entregou uma pasta verde gelatinosa, a qual ele disse que os bruxos brasileiros do Esquadrão de Poções estavam a fazer a cinco meses. Datas de nada importam, tempo é simples movimento. Ele mascou a gelatina como foi explicado pelo ministro, a pasta verde gelada e amarga, o ministro disse que isso daria a eles fôlego para agüentar a viagem. Um fogo, uma energia, uma rigidez dos músculos, uma leveza no movimento, ele havia sentido, segundos após colocar a alga na boca.

Hecktor entrega ao sargento o vira-tempo, e ele passa-o por entre o pescoço dos dois, o ministro deseja-lhes boa viagem, e sem mais delongas, eles começam a rodar a ampulheta de cobre. Tudo se move rapidamente, a coloração das árvores começa a mudar, unicórnios correm em alta velocidade, lobos, elfos, jovens bruxos, o tempo corre contra sua vontade. Um frio na barriga. Pense Hecktor, pense agora, o que você está prestes a fazer, pense nisso. Nenhum bruxo nunca ousou retornar tanto, pelo menos os que retornaram nunca voltaram para contar a história… É… Não pense nisso…

A velocidade da viagem aparenta aumentar, e as pessoas se tornam borrões indistinguíveis. A vegetação já muda de cor tão rápido que não é possível dizer a sua cor atual.

E tudo para. A vegetação, a cor, as folhas no chão, os seres, os borrões.

Janeiro, 7º dia, ano de 1997…

O Sargento Smith vira-se para Hecktor, com a cara meio enjoada, o garoto pensou que ele fosse vomitar quando abriu a boca para dizer junto a um bocejo:

– Chegamos.

Hecktor concorda com a cabeça, retirando o vira-tempo do pescoço dos dois e o guardando ao bolso da calça. O sargento pareceu desconfiado com a ação dele, mas nada falou. Woll cuspiu sobre a grama a alga verde mascada. Hecktor preferiu continuar com ela, mascando como um chiclete.

– Agora me siga senhor, se continuarmos aqui por muito tempo poderemos ser vistos.

O garoto pega sua mala, e vai floresta adentro.

– Mas Sr.Hecktor, vamos andar até a costa? Pelo que eu saiba, a um campo anti-desaparatação maciço ao redor do vale onde se encontra a mansão!

– Senhor não, não estamos mais em uma reunião formal, me chame de Hecktor. – Disse ele, já tomando distância dentro da escuridão da floresta, enquanto o sargento segue-o logo atrás. Eles estão a passos rápidos. – Deixe-me lhe contar uma história Sargento…

Smith Woll começa a andar mais rápido, ficando lado a lado de Hecktor, tendo cuidado com as malas que o jovem carregava. O Sargento estava a levar tudo que necessitava em uma grande bolsa a suas costas, parecendo uma bolsa de camping super lotada.

– Senhor, há muito tempo, os poderosos feitiços que protegem minha casa começaram a entrar em “colapso”, muito fortes, e há muito tempo lançados, e em grande, grande quantidade. Infelizmente, por zombaria do destino, alguns meses ou um ano após está fragilidade na proteção, ouve uma grande erupção solar, enviando uma grande explosão eletromagnética que atingiu a Terra em cheio.

– Mas como eu nunca ouvi falar disso? – O sargento o seguia interessado na história, e saltando grandes ramos de árvores, e se abaixando de galhos.

– Senhor, primeiro, não me interrompa, segundo, o senhor sabe que a Mansão é milenar, ela foi construída no século VIII depois de Cristo. Acho que muita coisa ocorreu de lá para cá, não acha?! – Smith continua em silêncio. – Dizem que quanto à “chuva” de magnetismo atingiu o nosso planeta, pode se ver da Mansão uma belíssima aurora boreal. Mas então… Os danos quase não foram vistos pelos trouxas, a tecnologia deles era baixa de mais na época para sofrer muita interferência, e a nossa então (?!). Mas, como o senhor mesmo disse, a defesa mágica da mansão é maciça. Uma aura arcana tão densa, que interfere nos seres vivos, e é abalada por ondas de eletromagnetismo, além de dar uma forte interferência em ondas de rádio; o senhor não sabe como é horrível para sintonizar uma rádio de meu quarto.

– Hã?! Hecktor, o que isso tem haver. – O jovem Bleck ficou um tempo calado mascando o “chiclete”, como se tentasse se lembrar porque entrará em tal assunto, e eles continuavam a andar pela floresta, até que Woll percebe que eles não estão indo diretamente para as montanhas, na ultima curva fechada que Hecktor fizera enquanto falava eles pegaram um caminho paralelo a elas. – Hecktor, você sabe onde está indo.

– Sim, eu acho. Enfim… A forte interferência abriu uma pequena ruptura nos escudos arcanos do vale, e a ruptura estava se aumentando, e não era possível fecha-la. Até que Arthon Bloch, o Arquiteto da Mansão, que era dono dela na época teve uma ótima idéia, juntando-se com vários magos, ele criou uma forma de não permitir com que à ruptura se alastrasse, mesmo sem “tapa-la”, e conseguiu não permitir que ninguém chegasse a ela.

– Lindo, lindo, lindo. Muito esperto, mas nós temos coisas mais sérias para se preocupar.

Hecktor ficou indignado.

– Senhor, não percebe, é assim que ultrapassaremos as montanhas e chegaremos à costa, ou quer ir a pé até fora do escudo, do outro lado das montanhas? Não podemos pegar as carroças de pégasos e testrálios, pois com certeza alguém vai reparar.

– Agora que eu não estou entendendo. Você não havia dito que o Arquiteto havia conseguido um modo de não permitir que ninguém chegasse a está tal ruptura?

– Sargento Smith Woll, eu sou um Bleck, não sou ninguém! – Disse Hecktor como se fosse dar uma bronca, mas acabou gargalhando e aumentando a velocidade do curso.

Eles permaneceram em silêncio. Sua caminhada levou cerca de 10 minutos, na qual Hecktor a cada 3 minutos retirava um medalhão do bolso, o abria observando-o, e o guardava novamente, e a cada vez que o olhava, mudava de direção de curso. Até que Smith decidiu protestar.

– Hecktor, diga logo seu arrogante, que nós nos perdemos! E o que tanto olha neste maldito medalhão?

– Chegamos senhor.

O jovem Bleck diminuía a velocidade ao se aproximar de uma clareira no meio da densa floresta, e o sargento o seguiu.

Era uma pequena clareira, onde a mata fechada cercava um circulo de grama alta, a altura dos joelhos. A clareira possuía cerca de 5 m de raio, e em seu centro havia um grande dólmen de pedra, composto por três paralelepípedos de 2 m de altura por 1 m de largura e 1 m de comprimento. E este era cercado de cinco obeliscos da mesma pedra, com 3 m de altura cada, e com a mesma base. Todos de pedra bruta, cinzenta e desgastada. Esta imagem espantou Woll, pareciam ruínas, mas o mais estranho estava por acontecer. Ele repara que em cada obelisco havia entalhado uma runa, na face piramidal no topo virada para o dólmen, e no topo do “arco” formado pelo dólmen também havia uma runa. E o mais estranho, todas as runas emitiam uma leve aura azulada saindo de dentro de seus entalhes profundos, e um pequeno zumbido, como se por elas passassem uma corrente elétrica. Aquelas ruínas desconhecidas intrigaram Smith.

– Hecktor, me explique já!

– Sim senhor Woll, mas é claro. – Hecktor chegava próximo ao dólmen e colocara suas malas embaixo da pedra, dentro do portal por elas formado. – Como eu dizia. Aqui esta é a criação de Arthon Bloch para conter a fissura. Aqui não há aura anti-desaparatação ou aparatação. Porém, este local tem o péssimo costume de mudar de lugar, e se alguém não souber onde ira aparatar, eu acho, um pouco perigoso. – Hecktor sorri, e o sargento continua observando as ruínas. – Eu não posso contar a ninguém sobre este lugar, graças aos fortes feitiços de lealdade nele impregnados, só posso comentar a história, como qualquer bardo por assim dizer, mas nada direto, só para pessoas que já tenham vindo aqui.

– Bom, bom, bom. Então vejamos. É. Desculpe-me pelo insulto, e por desconfiar de você, Hecktor. – Disse o sargento, observando a runa no dólmen a brilhar. Seu brilho e o som pareciam ter aumentado de intensidade. – E o que está havendo?

– Estamos nos preparando para desaparatar.

– Como?

– Vamos para a costa, segure suas malas.

O zumbido começou a se intensificar com grande velocidade, e a aura azul das runas começou a se tornar uma forte luz de “neon”. Até que a luz os ofuscou, e o barulho se tornou ultra-sonoro, jogando-nos no silêncio.

♠ ♥ ♣ ♦

E após uma forte pressão costumeira na desapartação, o solo se torna arenoso, úmido, o ar ao redor se torna quente, com uma marola salgada marítima. Os olhos do sargento doem, ele se desequilibra um pouco pela mudança do solo, e começa a passar a mão nos olhos, tentando aliviar a dor da mudança repentina de iluminação. Atrás deles uma selva que leva para as montanhas azuis, e sobre suas cabeças um forte sol de cinco da tarde. Hecktor sabia da hora, pois acabara de retirar o medalhão dourado de seu bolso interno do sobretudo, e o colocara no pescoço e por dentro da blusa.

O medalhão dourado, com desenhos estilizados em alto e baixo relevo, tinha uma pequena tranca de bronze, e uma corrente de platina. Ele se abria ao meio, em uma parte, um relógio e em outra uma bússola, todos feitos de metais e pedras preciosas, e não aparentavam serem itens mundanos. Eles faziam parte do “kit básico do aventureiro feliz” de Hecktor, pois o jovem Bleck sempre o levava.

– Necessitava da luz? – Reclamava o homem fardado.

– Sim. – Respondeu o garoto, simplório, ele fitava o horizonte, o mar.

– E aquele som?

Is magic. I love magic. Se aquele som fosse de ondas mecânicas nossos tímpanos estourariam e quebraríamos alguns ossos. – Disse o garoto, sorrindo, e ainda de costas para o sargento, olhando o céu tocar o mar na linha do horizonte. Disse o garto, sorrindo, e ainda de costas para o sargento, olhando no c

O vento a acariciar suas madeixas, as ondas a lamber seus sapatos, os grãos de areia carregados pela brisa a salpicar seu rosto, e seu sobretudo a dançar no vendaval. De braços abertos como se fosse abraçar o horizonte, com suas malas um pouco distantes, longe das ondas cristalinas.

– Você fuma Hecktor?

Hecktor vira para o homem, como se fosse avançar sobre ele, sobe tamanho insulto.

– Tens um grande senso de humor para um sargento.

– Faço o que posso. Vamos.

Smith dava uma ultima chegada nos utensílios em sua bolsa, enquanto Hecktor secava sua calça e sapatos com sua varinha.

– Sargento sabia que há belíssimos recifes de corais ao redor da ilha, realmente belíssimos.

– Que bom. – O Sr.Woll dizia, sarcástico, ainda atento às coisas em sua mochila.

– Eu tenho um navio…

– Nossa. – Continuava no mesmo tom.

– Ou melhor, terei, em 97 eu não o tinha, digo, não o tenho. – Heck sorria.

– Pare com essa bobagem.

Hecktor continuava a sorrir, mas não para o sargento, para as montanhas, para o futuro inesperado.

– Eu comprei o navio como um presente de casamento para mim mesmo. – Soltou um pequeno riso. – É um galeão trouxa, eu o personalizei para tratar bem com magia, e poder ser tripulado por uma só pessoa. Da para viver sem problema nele, em alto mar, por meses. No momento ele está estacionado em uma gruta, ao outro lado da ilha, protegido de olhares intrometidos. – Hecktor fitava o mar agora. – U.S.S Caçador de Horizontes.

– Fico muito feliz que você possa realizar todos os seus sonhos, enquanto se gaba para os outros. Eu desejo que se afogue em sua tão valiosa fama e glória. – Disse irônico. – Isto não me interessa, mas lembre-se, precisamos completar esta missão.

Hecktor sacou a varinha, observando que o sargento estava ainda de costas para ele e ajoelhado ao chão mexendo em sua mochila, ele resolveu se conter. Perdeu a chance de azará-lo sem ele nem sequer saber o que o atingiu.

– E também precisamos continuar vivos e nos aturando por quatro anos, e se o senhor continuar a tratar mal a minha pessoa, saiba que não sei se poderei manter o senhor vivo até lá.

O sargento soltou a mochila e se pôs de pé, de frente a Hecktor, e estava a retirar a varinha ao observar que Hecktor já estava com a dele sacada e apontada firmemente para Woll. Se ele fosse fazer algo, já teria finalizado.

– Você sabe o que eu acho do senhor, senhor Hecktor?

– Acho que sei, não necessita confirmar minhas hipóteses.

– Acho o senhor um playboy, filho de papai que sempre teve tudo nas mãos, nunca teve de aturar a fome e a violência do mundo, seguiu o nobre Potter em suas aventuras pois sabia que havia um grande potencial no rapaz, e não porque queria ajudar alguém. Você se acha um justiceiro, mas não tem caráter nenhum para enfrentar algo, é só mais um que quer a fama a preço fácil, quer histórias sobre você.

– CALE-SE!

– Isso se chama inveja, senhor Bleck. Nem tudo se compra.

A varinha de Hecktor apontada, de sua ponta pequenas fagulhas verdes saltavam para o chão, e sua coloração refletia aos olhos negros de Hecktor, seu rosto vermelho de cólera, uma veia ressaltada a latejar em sua têmpora.

Irá se arrepender de insultar diretamente um nobre Bleck. Provarei que meio sangue vale mais que o seu, soldado maldito. – Seu berro ecoara pela selva até as montanhas. Uma luz verde forte saltou da ponta de sua varinha a caminho direto ao tórax do outro homem. Com um som de algo quebrando, e seu corpo sem vida recaí ao chão. Hecktor começa a gargalhar fortemente, enquanto lágrimas escorrem por seu rosto – lágrimas de sangue.

E ele teve de se esforçar para retirar este pensamento de sua mente, esta visão o assustou. Este pensamento não é meu! O sargento ainda a sua frente, com os olhos firmes na face de Hecktor. Foi uma alucinação, e só. É tudo culpa deste soldado. As chispas verdes na ponta da varinha de Heck param de sair, sua palidez natural retorna, ele respira fundo. E mesmo sem o jovem Bleck notar, uma gota de suor gélido escorre pelo pescoço de Woll. Achei que ele fosse mesmo me matar. Pensou.

– Muita insolência de sua parte, senhor Woll, além de uma insensatez sem tamanho. – Disse serio, gélido.

– Foi infantilidade minha, me desculpe. – Disse Woll, ainda observando a reação de Hecktor, tentando esconder a sua própria falta de reação.

O rapaz fica desconfiado da reviravolta do militar, mas abaixa a varinha, e a guarda. Ele aproveita e retira de seu bolso uma luva de vinil preta, que deixa as pontas dos dedos à mostra, e a coloca na mão esquerda. Também ajeita sua aliança, pega as malas e vira-se para Smith dizendo, ainda a mascar a alga pastosa:

– Vamos então. – Completou com um suspiro desanimado.

Woll retira a varinha, põe a mochila nos ombros. O jovem Bleck coloca uma de suas malas embaixo do braço direito, deixando o esquerdo livre, e se ampara no ombro do soldado para que possam, enfim, desaparatar.

♠ ♥ ♣ ♦

E ao final da quinta badalada do grande relógio inglês, um vulto diferente assusta um gato preto sobre uma lata de lixo em um beco úmido. O gato derruba a lata e corre, quando dois homens aparecem do nada no final do beco sem saída.

– Onde estamos senhor Woll?

O sargento olha para ele, com um olhar devasso. Está brincando?

– Estamos em Londres. – Respondeu então, ainda estranhando a pergunta.

– Oh sim! Mil desculpas pelo desrespeito. – Hecktor olha em volta, a procura de algum ponto de referência. Ajoelha-se ao chão, sussurrando. – Deus salve a rainha. – Depois levanta-se e olha para Smith novamente. – Perdão senhor, não costumo vagar pelos becos da cidade. São quase irreconhecíveis comparado com os lugares que visito. Não é… Ou melhor, não parece ser Londres. – Disse ainda mascando o chiclete-alga.

Woll entende mais ainda está com o mesmo olhar para Heck.

– Nunca visitastes então as zonas pobres de sua cidade natal?

– Desculpe-me, não é insensibilidade ou arrogância, mas olhe para mim, eu normalmente prefiro evitar tais lugares.

O sargento bufa e começa a andar para fora do beco com passos pesados e a bater nas poças de água no chão. Hecktor o segue.

– O q-que houve? – Engasga com o chiclete, mas retorna a mascá-lo.

– Nada, mas, não quero ser incômodo, porém, isto somente confirma o que eu havia dito na praia.

– Sim, aquilo pela qual quase o matei.

– Não teria coragem, Sr.Hecktor. – Smith realmente queria acreditar naquilo.

Eles ficam em silêncio. Woll percebe que o jovem parou, logo ele virou-se para ele. Não o deixarei me pegar desprevenido novamente.

Quando se vira já com a mão ao bolso, pronto para sacar a varinha, observa que Hecktor não estava querendo atacá-lo. O jovem estava parado, olhando o céu, seus olhos negros brilhavam como o de uma criança, enquanto ele via os pássaros a cortar o azul e límpido céu.

– Hecktor? – Tentou o sargento.

O garoto acordou de seu transe, e como se nada houvesse ocorrido, ele continua a conversa e continua a andar.

– Como diriam os franceses, passons, passons

O homem concordou, eles continuaram a andar, quando saiam do beco o senhor Smith voltou a falar.

– Línguas latinas são tão, estranhas. És poliglota Hecktor?

Hecktor quase parou, ainda bem que soube disfarçar sua surpresa. Que educação. Onde foi parar aquele bruto intransigível que estava me seguindo? O que você fez com o Senhor Woll?

– S-Sim. – Ele sorriu, sem jeito. Não queria parecer arrogante, se não a discussão recomeçaria. – Sim, eu dês de pequeno comecei com aulas particulares – disse baixinho – e cursos de outras línguas. – Disse sorrindo e mascando o chiclete.

– Hum. – O sargento realmente aparentava estar atento ao que ele dizia.

Hecktor continuou sorrindo.

– Fala assim das línguas latinas, mais só conhece as suas versões Européias. Eu ousei aprender a falar português “a ultima flor do lácio”, e já foi difícil, mas minha mãe veio de Lisboa e tal. Resolvi me empenhar. Mas agora, tive de aprender a falar Português-Brasil.

Eles gargalharam um pouco. Ao sair do beco os dois cruzaram em direções opostas. Se olharam, como se isto fosse um desaforo.

– Onde pensa que está indo? – Indagou Woll.

– Vou a um hotel, vamos passar um tempo na cidade não vamos?!

– Só você Heck. – O sargento ria. – Hotel, hotel. – Estava se contendo para sua gargalhada não chamar mais atenção na rua. – Nada de hotéis de luxo não, pequeno Bleck. Terá de se acostumar com as estalagens d’O Caldeirão Furado.

– O bar?

– Exato.

brincando?! – O chiclete quase caiu de sua boca.

O Sargento ria e ria mais ainda. Mas o melhor foi olhar seriamente nos olhos do pequeno Bleck, que estava com o olhar de assustado, e balançar a cabeça dizendo que não. Não estou brincando.

Sua forte gargalhada ecoa.

♠ ♥ ♣ ♦

O sargento acaba convencendo Hecktor que era melhor assim, enquanto eles caminhavam até o bar, passando pelo caminho mais comprido, porém mais rápido e seguro – pelos becos da cidade. Mas é claro que Smith tirou muito sarro da cara dele durante este percurso: – Você tinha de ver sua cara, moleque, quando eu disse não. Nos últimos minutos para chegar ao “Caldeirão Furado” eles já estavam em silêncio, até que o senhor Woll resolveu relembrar algo importante:

– Você não poderá ficar se exibindo, terá de lembrar-se que não é mais o grande Hecktor Bleck Potter, por enquanto.

Ele estava sério, porém Hecktor sorriu.

– Eu sei, eu sei. Já tenho uma idéia… – Eles pararam em um beco de onde se via as portas do bar. Hecktor sacou a varinha. – As minhas boas notas em transfiguração devem de me servir de alguma coisa. – Ele começa a murmurar algo, enquanto passa a varinha sobre sua pele, e próximo a cabelos e olhos, que logo mudam: Seu cabelo vibra e muda de cor, dos tons de louro dourado se tornam castanhos claros, o penteado muda, suas sobrancelhas se tornam mais escuras e mais grossas, vestígios de uma pequena barba escura começa a surgir, seu maxilar torna seu rosto mais quadrado e mais bruto, diminuindo os traços “elficos”, ele se torna alguns centímetros mais alto, e em seus olhos a maior mudança, do negro denso, se tornam celestiais, cor de cristal.

Ele olha sorridente para o sargento, que está sério, achando ridículo tamanho exagero, ele retira um pequeno cantil de couro batido com gargalo de prata, e despeja o liquido em sua garganta. Sua pele começa a borbulhar, suas estatura diminui, sua pele clareia, ele se torna um homem um pouco menor que Hecktor, gordinho, de pele clara, com cabelos negros grisalhos e com grande e profundas calvas na cabeça. O jovem Bleck começa a gargalhar.

– Com essa aparência, Sr. Woll, poderia ser até meu pai.

– Está aparência não é minha preferida, é de um homem que estava em um cargo maior que o meu neste tempo, Zachari Hosnel, lá no ministério. Eu o deixarei esta noite aqui n’O Caldeirão e vou resolver alguns outros problemas internos do ministério, certo Hecktor?

– Certo… Certo… – Dizia Hecktor, ainda sorrindo.

– Vamos, precisa conseguir novos documentos, eu já tenho os meus.

– Isso não é problema, conheço uns Leprechauns muito bons em falsificação que moram nos fundos da travessa do tranco, eles só abrem suas lojas a noite, quando tem lua, pois brincam que tiram seus poderes de falsificação da lua. – Ele não consegue nem se concentrar para falar, de tanto que ri só de pensar nisso. – Tamanha é a ignorância dos que acreditam, mas… Eu vou lá hoje à noite, sem problemas.

O sargento olha o garoto, sério, observando cada detalhe, cada movimento de músculo.

– Como você sempre consegue surpreender a todos? – Perguntou indo logo ao ponto.

– Na verdade, as pessoas que não me conhecem, esperam sempre outras reações de mim, e eu acabo do surpreendê-las. – Disse ainda sorrindo.

– E quem o “conhece”?

– Acho que, integralmente, somente eu. As pessoas dificilmente prestam atenção em pequenos detalhes, e eu ADORO pequenos detalhes. – Disse, terminando com uma gargalhada.

Ele vira-se e vai cruzar a rua, em direção ao bar. Woll vai em seguida, com sua mochila nas costas. Era um barzinho sujo. Se Hecktor não conhece-se o caminho, dificilmente repararia que ele ainda existia. As pessoas na rua passavam apressadas nem olhavam para aquele lado. Os olhos delas corriam da grande livraria a um lado à loja de discos no outro, como se nem conseguissem ver O Caldeirão Furado. Mas esta era a verdade.

Hecktor carregava uma mala na mão direita e a outra amparada debaixo do braço, deixando a mão esquerda livre, ele abriu a porta e entrou no famoso Caldeirão Furado. Nostalgia.

Para um lugar famoso, o Caldeirão era muito escuro e miserável. Havia umas velhas sentadas a um canto, bebendo pequenos cálices de xerez. Uma delas fumava um longo cachimbo. Um homenzinho de cartola verde conversava com o velho dono do bar, que era bem careca e parecia uma noz viscosa. Deitado sobre o balcão um homem baixo e magro, com um alaúde preso as costas, desmaiado, dormindo com um copo de cerveja-amanteigada suíça nas mãos, ele sorria e roncava. Logo foi acordado pelo taverneiro, o velho Tom, a tapas.

– Acorde Ralph, nada de dormir antes de pagar a conta, você já está me devendo muito. Dei-me o dinheiro e vá para casa.

O rapaz acordou, pegou algumas moedas de sua algibeira e o pagou. E voltou a dormiu. Enquanto isso um rapaz bem baixo, magro e moreno, com um topete loiro, gargalhava na mesa. Cercado por cinco belas damas, que soltavam rizinhos junto com ele.

– É, mas o Ralph não tem casa!

Todos n’O Caldeirão Furado riram.

Hecktor até que sentia saudades daqui. Só vinha aqui em seu período de colégio, lembrava de tantas coisas que ocorreram aqui e no Beco Diagonal, na Travessa do Tranco, em Hogwarts, Hogsmead, dentre outros lugares.

Eles foram a caminho do balcão.

– Sim meus senhores. Percebo que vêem em viagem. Se procurarem por uma hospedaria, os serviços desta daqui são os melhores. – Veio dizendo Tom, enquanto limpava um copo com um pano de prato encardido.

– É mesmo. Pode perguntar para o Ralph, ele sempre vem aqui, ele poderá lhes dizer assim que conseguir falar. – Disse o homem pequenino na mesa. Suas acompanhantes riram.

– Pois é né Josep. É que eu sou o único que ainda aceita vender à fiado para este aí.

Risos.

O vapor do álcool deste lugar o salvou do caos que estava (está) havendo no mundo bruxo nestes tempos. As pessoas vêm aqui para afogar as mágoas, e parece ser o único lugar ainda imaculado, por assim dizer.

Tom larga o copo sobre a mesa assim que os viajantes se aproximam mais. Ele limpa as mãos no avental amarelado e vai cumprimentá-los.

– Sim. Necessitamos de hospedaria. – Disse o sargento, com uma voz esganiçada, Hecktor teve de segurar o riso, se não se engasgaria com o chiclete.

– E então, nos tempos dois quartos de solteiros vagos no 2º andar. Desculpe-me, mas terei de pedir um pagamento adianta, nestes tempos, com este caos. Não quero ser incômodo senhores.

– Não. Que isso, que isso. Sem problemas senhor, eu agora pelo período de uma semana, e se desejar-mos ficar mais, decidimos depois. – Respondeu rapidamente Hecktor.

Para o jovem Bleck, dinheiro não era problema, o quanto de problemas ele puder resolver melhor.

Tom abriu um grande sorriso amarelo. E correu para detrás do balcão novamente, pegando um grande livro, uma pena e um tinteiro, pois a perguntar.

– Certo. Muito obrigado, mas então. Em nome de quem eu ponho os quartos?

Hecktor olhou para o sargento Woll, sorridente, e o homem com o olhar ríspido, mas fez um movimento como se aprovasse a rápida reação do jovem.

– É. Meu nome é He…

O sargento pigarreou alto. Alto o suficiente que Hecktor achou estranho ninguém reparar.

Hetori Bridgar. – Ele olhou para o sargento que não compreendera muito. O homem careca ainda anotava. – E meu amigo é Zachari Hosnel.

– Sim. Pronto… – Tom terminou de anotar.

Hecktor se aproximou do balcão, tirou um saco de galeões do bolso, pesou-os, e entregou ao taverneiro.

– Imagino que seja a quantia certa.

– Mas… Senhor eu nem… – Tom abriu o saco, passou as moedas em sua mão, grande moedas douradas. E virou-se para Heck sorrindo, e concordando com a cabeça. – Exato.

– Vamos subir então, Sa… – Hecktor olhou para os lados, o sargento de olhos arregalados, o jovem logo de corrigiu. – Za… Zachari. – Suas orelhas ficaram vermelhas. Ele pegou as malas e subiu, quase correndo, pelo nervosismo.

“Zachari Hosnel”, já o seguia, quando estava subindo as escadas, observando a porta, que ao se abrir entraram dois homens encapuzados, com roupas pretas. Comensais da Morte, problemas, aí!

Hecktor logo chegou ao quarto. Um quarto pequeno, chão, parede e teto de madeira, uma janela de vidros sujos, com uma cortina grossa e embolorada aberta. Havia só uma cama no quarto, um guarda-roupa, uma penteadeira, um criado-mudo ao lado da cama, todos de madeira comum, de cor escura, e uma porta entre aberta que levava para um banheiro.

Ele entrou no quarto, jogou as malas sobre a cama.

– Pois é… Oh Life!

 – De que estas reclamando agora, não gostou das 5 estrelas do hotel de luxo?

Woll estava na porta. Hecktor se virou, não o reconheceu por um estante, até que a imagem de sua transformação através de poção Polissuco veio a sua mente.

– Não estou reclamando de agora, estou lembrando do passado, ou do futuro, como preferir.

– Hum…

– Hum.

– Ér… Heck, quer dizer, Hetori. Poxa, não dá para levar a sério assim, que diabos de nome é este?!

Hecktor sorriu.

– Hetori, é italiano, é a tradução de Hecktor, para italiano. E o sobrenome, Bridgar, acho que conheci alguém com este sobrenome.

– Ãh… Isso não é um tanto arrogante?

– Acho que sim. – Ele gargalha enquanto tira o sobretudo e coloca no cabideiro dentro do guarda-roupa. – Não foi para isso que veio. Foi?! Pois pelo que eu saiba seu quarto fica no final do corredor.

Eles ficaram em silêncio, o único som vinha de fora, e de Hecktor mascando o chiclete, mesmo da forma mais educada possível, perante o silêncio, se ele deixa-se cair uma agulha, ela seria ouvida. Heck para de mascar, e cospe o chiclete em uma lixeira próxima. Logo que o gosto saiu de sua boca, toda a animação abandonou seu corpo, se sentia acaba, como se ficasse algum tempo fazendo exercícios físicos pesados, e ele teve uma rápida vertigem, mas se recompôs. Ele olha a lixeira, a pasta de alga verde aforme estava se evaporando por completo, e agora só sobrará um pequeno resquício de pó branco, em um circulo periférico de onde ela estava. Ainda de olhos arregalados ele olha para o sargento, que parece não perceber, e continua a falar.

– Não. Não foi por isso. E eu acho que o senhor Hetori, sabe o porquê, presumo que lestes o contrato antes de assiná-lo e… Entregar sua alma a sacrifício pela pátria e o mundo.

Que exagero, não senhor?! – Hecktor respira fundo, parece retornar ao normal.

– Sim. Mas…

– Claro… Claro… – Hecktor retira o medalhão de ouro que colocara no pescoço e o põe sobre o criado-mudo, e então devolve a mão ao bolso, e retira o vira-tempo. – Aqui está… É uma história bem interessante de como eu o consegui. – Ele leva o amuleto até próximo a seu rosto, e fica a observa-lo, brilhando com a luz que vinha da janela. – Eu o guardei de recordação. Nós o usamos no terceiro ano, para salvar o Sírius. A Mione o conseguiu da McGonagall. – Hecktor da uma pausa e ri. – Depois, como ela estava sem tempo, pediu para que eu o devolve-se a ela. Eu devolvi, mas não este, devolvi a ela um cópia perfeita, ela até funcionava bem, porém em 95 o Ministério caçou todos e os quebrou, graças a um pequeno incidente, o senhor deve saber. Mas, eu guardei este, de recordação, ele tem grande valor emocional.

– E depois de tudo isso, assinastes um contrato para o Ministério prometendo devolve-lo para ser destruído?! Muito engenhoso, Heck.

– Sim, também acho.

Hecktor pega o vira-tempo e coloca-o em uma caixinha que acabara de tirar do bolso, era uma caixinha de musica daquelas que se guarda jóias também. Era de um couro legítimo, pelo que se via, mas era um couro azulado da qual Woll não reconheceu pertencer a nenhum animal, parecia ter uma fina camada de cera translúcida que a fazia brilhar. Hecktor abriu o fecho de bronze, e coloca o amuleto bem devagar dentro da caixa, o interior era de veludo vermelho, com almofadinhas. Hecktor aproxima a caixinha que cabia na palma de sua mão para o homem, os dois se olhavam nos olhos, a caixinha aberta e o amuleto a brilhar dentro dela, Woll estendeu a mão para pega-la, quando a toca Heck fecha a caixa com um clic, e a entrega para Smith.

– Pronto senhor… Hosnel, ai está.

O homem com a caixa nas mãos olha desconfiado para Hecktor, olha para caixa fechada.

– Ele não está mais aqui não é?!

Hecktor vira as costas, tira uma toalha branca de sua mala, e começa a caminhar para o banheiro. E para.

– Não. Não está.

– Isso será constatado ao Ministério.

– No contrato disse que eu deveria entregar-lhe, e foi o que fiz, você o perdeu em suas mãos.

Woll olha para caixa, tenta abrir o fecho, não consegue, faz uma força maior, até que abre, e nada havia lá dentro. Ele fecha e abre novamente, desta vez com um pouco menos de dificuldade.

– Maldito! – Estourou.

– Oh, oh, oh! Não fiz nada…

Ele rosna mostrando os caninos, e sai do quarto, arremessando a caixa na parede, que ricocheteia e vai para aos pés de Heck. O garoto pega observando o sargento bater a porta do quarto, ele ouve os seus passos pesados no corredor e o bater de sua porta.

– Pois é.

Ele abre a caixa, e observa o vira-tempo novamente ali, puro, intocado. Ele fecha a caixa e a abre novamente, e só fita uma almofada vazia dentro da caixa. O garoto sorri, fecha a caixa e a coloca sobre a cama. E continua seu percurso para o banheiro, com a toalha sobre o ombro, ele vai assoviando uma música clássica – Hedwigs Theme.

Desnudo ele joga uma ducha de água quente sobre o corpo, zombeteiro sussurra:

Pandora, danadinha…

 

E em algum lugar fora do universo vaga um pequeno amuleto, a espera de que a pessoa certa o traga de volta. Enquanto isso, perdido no vazio, em um lugar onde não há tempo, não há movimento, não há espaço, não há vácuo, não há nada… No limbo.

Diário dos Bleck Cap.4

Autor: H.B.P  //  Categoria: Diário dos Bleck

Janeiro, 7º dia, ano de 2000…

 

       Todos sentados no Salão de Jantar. Um grande salão. O ar ali é aconchegante. Normalmente há uma musica calma de violino vindo das paredes, mas para tal séria e ilustre ocasião, elas foram silenciadas.
      O teto é alto e abobadado, feito de cerâmica e repleto das mais belas obras de artes do mundo, bruxo e trouxa. O seu piso é uma peça única do mais belo mármore, branco e límpido, e devidamente encerado. No meio da sala existe uma grande mesa oval de granito negro, com cadeiras de madeira da mesma cor, que no momento estavam sentados pessoas de grande importância.
      Acima da mesa existe um belo lustre a vela, feito de prata e com velas vermelhas. A sala a primeira vista parece um círculo, mas ‘O Arquiteto’ quis diferenciar esta sala em especial, ela na verdade é um polígono de 20 lados, com um apótema de 10m. As paredes são totalmente cobertas por um grandioso quadro misterioso, onde se pode observar várias pessoas a mesa, todas muito diferentes com vários aspectos e trajes exóticos e tradicionais, algumas sentadas outras em pé, outras comendo bebendo dançando cantando, tudo em mímica, pois por algum motivo, todos retratados neste quadro são mudos, mesmo não tendo sido realmente, e na mesa onde eles estão há muita fartura, com comidas e bebidas diversas, há algumas taça de vinho derramadas e 1 ou 2 pessoas bêbadas.
      Mas em um lugar de honra, diametralmente oposto a entrada, há uma pessoa facilmente reconhecível, um homem de idade, calvo, com a barba rala e branca, com aparência de sábio imponente, seus olhos cinza pacatos passavam um ar de calma para quem o via, ele possuía um leve sorriso; sentava em um grande trono de marfim, deixando-o em destaque. Suas mãos enrugadas e machadas pela crueldade do tempo seguravam uma bela taça de ouro, com o gargalo repleto de pedras preciosas, e com um brasão, meio que apagado no pé da taça, do qual aquele velho o acariciava com seu indicador trêmulo.
      Mas toda a farra do quadro foi cessada para aquela ocasião, que exigia seriedade, todos estavam parados, prestando atenção no que ocorria na sala.
Ali, sentados a mesa estavam grandes homens e mulheres. Ao lado direito a cadeira de canto, estavam respectivamente, Hecktor Bleck Potter, Bella Bleck Potter, Nicolle Maxwell Bleck, e Larissa Katherin Bleck, mais conhecido como Lux Firefox Bleck.
Eles juntos formam a nova geração de moradores da Mansão dos Bleck.
A frente deles, no lado esquerdo da mesa, pessoas de grande importância no mundo.
Um velho de cabelos brancos, corpo cansado, e olhar preocupado, seguravam as mãos um envelope, papel pardo, e o selo oficial do Ministério da Magia do Reino Unido, o mesmo símbolo que estava nos botões de seu paletó preto desbotado, e em sua gravata cinza listrada, Conélius Fudge gostava de exaltar e de exibir seu poder, mas naquela sala, ele era só mais um. Ao seu lado, um homem negro, alto, corpo esbelto, olhos verdes musgo, rosto sério, não demonstrava nenhuma expressão, aparentava ter uns 40 anos, talvez 45, foi bem maltratado pelo tempo – ou pelo que ele fez ao longo do tempo. Ele usava uma farda de soldado, perfeitamente arrumada, pelas medalhas e condecorações exibidas nela, deveria ter um posto respeitável, provavelmente sargento. Ele somente observava o que ocorria – o silêncio.
      Continuando, ao lado esquerdo dele, um homem magro de forma quase fantasmagórica, sorria um sorriso forçado, rosto pálido como páginas abandonados de um livro antigo, seus olhos negros, pálpebras caídas, nariz empinado, cabelo negro com traços grisalhos, usava um traje a rigor bem exótico, com um lenço mal amarrado e amarrotado no pescoço. À esquerda, com braços cruzados e sobre a mesa, um homem de aparência jovial pouco mais de 30 anos, usava um paletó bege, que combinava com seus sapatos sociais de camurça, e com seu terno de seda. Ele tinha um olhar desatento, observando os retratos das paredes, sua atenção foi chamada por um ruído estranho a seu lado, quando olhou, seu colega, um homem de meia idade, com um rosto alegre, um bigode negro e realçado, barba mal feita, cabelos lisos e negros, usando uma boina, estava tomando um chá típico de sua terra que fez o favor de trazer, tomava-o com um canudo de metal copo de madeira bem exótico onde no gargalo se mostrava meio sujo de uma pasta de ervas verdes, e o barulho se repetiu, ele sugava o final do líquido em seu recipiente, e fazia este som com gosto.
      – Bah! Queres Chimarrão? Posso pedir para que traga-lhe um, tchê. – Ofereceu o senhor.
Com gestos o homem recusou e agradeceu.
      – Certo!
Virou-se, como se fosse sair da cadeira, podendo ser visto um elfo-doméstico corado, com olhos esbugalhados que pegava o copo e saia levando-o até desaparecer em um estalo. Liberando a visão para um outro visitante ilustre para aquela reunião. Uma mulher, com roupas de grife, e maquiagem na medida certa, vestida como uma legítima burocrata de alta classe inglesa, seus belos cabelos castanhos claros amarrados em coque por duas hastes que se cruzavam em “x”, ao reparar bem, o homem percebeu que eram duas miniaturas em jade de adagas com o punho em forma de serpentes, mesmo com certa idade, 55 anos, a mulher era belíssima, sua roupa possuía um decote rente ao queixo, usava salto alto, e colares de prata.
      Quando a mulher reparou que o homem a observava com insistência, insinuou retirar a varinha e azará-lo ali mesmo, e mostrou a aliança em seu dedo – casada, e não com qualquer um, pelo brasão, era um Bleck. O homem se recompôs, ajeitou sua cadeira, e olhou a porta de entrada, esperando a chegada de alguém.
      Ao lado esquerdo da mulher, um homem que estava mais distante a mesa, ele possuía ombros largos, rosto quadrado, cabelo ensebado, corpo rígido, em seu peito estava pregado um crachá com o símbolo da ONB. Estava parado virado para frente, seus olhos vagavam pela sala discretamente, ele possuía as mãos unidas à frente do corpo, sobre a mesa, segurando uma taça com água e um cubo de gelo, de vez em quando tomava um pouco do líquido.

      Todos incomodados com o silêncio que havia recaído ao local, todos se entre olhando, vieram de diversos lugares para aquela ocasião, observavam a cadeira vazia, onde deveria se sentar o anfitrião, faltava 1 minuto para as 4 da tarde, horário marcado para a reunião, e todos sabiam disso, pois de tempos em tempos observavam de esgoela seus relógios.
      O Ministro do Reino Unido tossiu um pouco, mexeu no envelope em suas mãos, e com uma voz arrastada falou:
      –  Sr. Hecktor, seu pai sabe de nossa presença em sua casa não sabe?
      – Mas é claro meu senhor! O que, achou que entrarias na Mansão sem o consentimento do Sr.Bleck? – Respondeu Hecktor, exaltando-se um pouco, e se ponto ereto na cadeira.
      – Certo. Você sabe se ele demorará?
      – Bem…
      A resposta de Hecktor foi cortada por um barulho vindo da porta, a maçaneta estava sendo aberta, todos silenciaram e observaram atentamente a chegada do tão esperado anfitrião. As portas de prata se abriram a luz conhecida por todos os visitantes inundou o aposento por um momento, e depois cessou, deixando ali surgir um personagem bem peculiar. Um homem imponente, barba rala grisalha, cabelos penteados, olhos tão negros que não se via sua pupila, ele usava um terno e paletó pretos, com uma gravata cinza, sapatos impecavelmente engraxados e escovados, roupa de gala. Ele andava suavemente pelo chão, usando de apoio uma bengala mesmo que não precisasse, ela era do tamanho ideal, do chão a suas mãos, ela era fina, e possuía em seu topo superior a cabeça de uma águia, feita de ouro maciço, e na ponta inferior patas de leão. Herança importante, usada por todos os Srs.Bleck. Todas as pessoas que viam aquele senhor pela primeira vez sempre dizem que tiveram o mesmo pensamento: “Nunca ousarei desobedecer-lho ou desaponta-lo.” Os que não dizem isso, é por que tem medo de estar desapontando-o com medo de sua imponência.

      Em um instante foi ouvido um farfalhar de movimentos. Todos os jovens Bleck se puseram de pé com a entrada de Erick, também ficou de pé a mulher, que conhecia e tinha o devido respeito ao dono da mansão. Erick andou até sua cadeira, mas continuou em pé ao lado dela. Todos se entreolharam. Erick olhou rispidamente para os ministros, atravessando-os com um olhar forte, todos se puseram de pé em um salto, como se temessem o que poderia ocorrer se não o fizessem. O Senhor Bleck puxou a cadeira e se sentou, sendo seguido por seus visitantes.
      – E então senhores?! – Disse Erick, sua voz firme quebrou o silêncio que impregnava o local.
Os jovens Bleck estavam se entreolhando e sorrindo, e ao olhar para a seriedade de Erick, decidiram continuar concentrados nos acontecimentos seguintes.
      – Como já deve saber senhor, sobre a futura missão da Reforma de Paz envolvendo seriamente seu filho. – Disse Cornélius, olhando para Hecktor e depois para Erick.
      – Sim senhor, estou ciente de tal… Loucura.
Ao dar ênfase na ultima palavra todos na sala prestaram total atenção nele e no ministro, Cornélius ficou constrangido.
      – Meu senhor, percebo que desaprovas a viagem que Hecktor fará pela RP.
      – Meu senhor, eu não desaprovo a viagem que meu filho irá fazer. Desde o momento em que eu desaprovo, não haverá mais viagem para ser desaprovada. Compreendes?
Cornélius tossiu, olhou para o Sargento ao lado dele, pedindo auxílio. E depois foi procurar auxílio nos olhos da mulher nas últimas cadeiras. Ela logo percebeu, ajeitou os papéis em suas mãos, e começou a falar.
      – Senhor Bleck, gostaria de pedir desculpas pelo ministro se por algum acaso se sentiu ofendido. Mas… – Sua voz começou a falhar e a gaguejar, o sargento ao lado do ministro interrompeu-a e continuou.
      – Mas você entende, senhor, que Hecktor já está inscrito, ele é maior de idade, e a missão já está toda projetada. Não estamos aqui para pedir sua aprovação, mas sim, para lhe passar os dados da missão.
Erick Bleck cerrou os olhos para o homem, que se manteve firme, de cabeça erguida, olhando diretamente nos olhos de Erick. Coragem, o Sr.Bleck respeitava isso.
      – Mas então, senhor…
      – 3º Sargento, Smith Woll. Regente da Reforma de Paz.
      – Sim, sim, Senhor Woll. Explique-me então, novamente, sobre está missão.
O Sargento parou de encarar Erick e olhou para o Ministro, Cornélius abriu o envelope em suas mãos, tirou algumas folhas de papel de dentro dele. Quando abriu a boca para começar a falar, foi interrompido por Erick.
      – Ér… Sr.Fudge, por um acaso és sargento?
Fudge ficou corado, quando foi responder foi cortado novamente por Erick.
      – Presumo que não, então permita que o Sargento Woll me conte sobre a tal missão da reforma de paz.
      – Sim, Sr.Bleck. – O Sargento tomou então a palavra. Ele falava bem, tinha uma voz firme que passava confiança, rigidez e imparcialidade. Não parecia ser um bom orador, mas tinha segurança em suas palavras e ações. Sabia conseguir atenção.
      – Presumo que conheças, senhor Erick, os contos de Joanne K. Rowling.
      – Sim. Não poderia deixar de conhecê-los após o caos criado por eles no mundo bruxo. Graças aquela abortada e aos que contribuíram.
Erick olhou para Hecktor. O jovem ficou escarlate de vergonha, mas sem nenhum arrependimento. Tomou um grande gole de água em um cálice de cristal a sua frente, e encheu-o novamente, com a água da jarra de prata no meio da mesa.
      Hecktor sabia que uma boa parte deste caos era por culpa sua. Rowling havia massageado seu ego, até que ele caísse no erro de contar-la mais sobre os acontecimentos dentre a 1ª e a 2ª guerra contra o Lord das Trevas. Hecktor conhecia mais do que o próprio Harry, que nos livros dela foi tratado como “herói”. O Potter só teve sorte, foi só coincidência genética por ser herdeiro do terceiro irmão, SÓ! Mas Hecktor não podia se irritar com seu amigo, Harry insistiu com Joanne para mudar, mas ela o quis assim, ele não queria ganhar as glórias. Mas isso não vinha ao caso, Hecktor e Harry já se resolveram no passado. Enquanto isso, o jovem Bleck continuava a rodar a água na taça olhando para ela, vidrado, ouvindo o Sargento fazer um resumo do conto, e do caos incidido por ele. Neste instante Hecktor sentiu uma mão encostar-se com delicadeza em seu ombro. Bella queria dar-lhe uma força, mas o seu olhar era mais de pedido de perdão.
      Bella contou também tudo que sabia, além de também convencer seu irmão e seus amigos a contar. Ela que lhes apresentou a tal escritora. Mas Hecktor disse a seu pai que ele a conhecia a anos, que a encontrou nas férias natalinas de 1995 quando ele viajou para Londres. E o pior ocorreu – ele acreditou.
      – Como você sabe senhor, o que ela revelou sobre o mundo bruxo, sobre o ministério, nossa cultura e nossos segredos conhecidos por poucos – até bruxos.
Os olhos de Smith e de Hecktor se encontraram. Ele começou a se irar.
      – Mas foi a Reforma de Paz, bancada pelo Ministério da Magia do Reino Unido que a mantiveram. Que eu saiba ela era assalariada de vocês não?!
Cornélius se remexeu em sua cadeira. Este jovem sabe demais.
      – Sim senhor Hecktor, nos a mantivemos, ela fazia um ótimo serviço para reforma de paz. Em 97, 98 e início de 99, tudo ocorria bem. E a missão da Reforma estava indo perfeitamente bem.
      – Missão?! – Lux não estava nem aí para qualquer coisa que eles tinham a dizer. A única coisa que sabia era que seu primo tinha feito uma merda e ia ter de concertar, e de brinde ganharia uma aventura daquelas. Mas ela queria se parecer interessada, e viu uma deixa.
      – A filosofia da Reforma de Paz é…
Enquanto o sargento explicava foi cortado.
      – Deixe-me corrigi-lo Sr.Woll, a utopia da Reforma. Continue…
      – Sim senhor Erick, se assim está bom para você, mas nós não costumamos ser tão pessimistas.
Erick não tinha tido um bom dia e nunca teve paciência para insultos, principalmente em seu próprio salão de jantar.
      – E como os senhores conseguiram silenciar os conservadores de dentro do Ministério para que este departamento não fosse fechado.
A mulher no outro canto da mesa pareceu ter sentido uma forte dor de barriga. Fechou os olhos e mordeu os lábios inferiores. Ele não vai aceitar, viemos aqui para nada, não haverá viagem, não haverá solução. Soltou o ar com força.
      – Algum problema Dayanne? – Erick percebeu a irritação dela, ele percebe tudo.
      – Não, nada Sr.Bleck. Mas acho que o senhor com certeza sabe que este é um dos principais motivos de mantermos a RP como um departamento secreto do ministério.
Erick sorriu, cruzou os braços.
      – Pois é.
Eles ficaram um tempo se entre olhando.
      – Senhor… Woll. Acredito que não respondeu minha pergunta.
Lux pedia atenção.
      – Ah sim, Srtª.Firefox. A Missão principal da Reforma é restabelecer a paz entre o mundo bruxo e trouxa.
      – Simples assim. – Disse Lux com todo o sarcasmo que pode colocar em duas palavras.
      – E graças a esta idéia tola foi recomeça a caças-bruxas. Nascimento de novas seitas de trouxas e nós bruxos como seres civilizados estamos proibidos pelo Ministério e pela ONB a reagir. – Disse Erick, com um sorriso de desprezo. Lux achou graça.
      – Mas senhor, se as Organizações das Nações Bruxas não tivessem segurado este tumulto, um real caos já teria assolado este planeta. – Disse o senhor no final da mesa, tomando partido. Logo se percebeu novamente o crachá, ele representava o Parlamento da ONB.
      Percebendo que essa discussão não daria em nada. O homem de paletó bege resolveu intervir nesta conversa, mesmo fora de sua jurisdição, ele ainda era um Ministro, e de um dos maiores países mágicos deste tempo.
      – Senhores, acredito que debater não adiantará em nada. É melhor irmos direto ao ponto, como a Sr.ª Dayanne Black e o Sargento Woll haviam dito, estamos aqui só para confirmarmos os últimos detalhes da missão que terá seu início ainda hoje.
Todos prestaram atenção no homem, alguns concordaram com a cabeça, outros só olharam, mas Erick Bleck não mudou sua postura, e disse sem olhar para ele.
      – Descontando seu sotaque hispânico que não consegue esconder de seu inglês arrastado, até que falas direito. Proponho-me a ouvi-lo senhor…
O homem se calou sorridente, não conseguia falar. Ele conhecia Erick Bleck de longe, mas conhecia bem. Sabia que era difícil se tirar um elogio dele, e que isso realmente valia muito.
      – Senhor… – Insistiu Erick começando a ficar impaciente, mas o homem não parecia estar ali.
Dayanne percebendo que o homem acabaria passando vexame resolveu intervir, procurou entre os papéis em suas mãos o nome dele, e respondeu a Erick, enquanto lia.
      – Sr.Siero, Siero del Elloy, Ministro da Magia da Espanha, tomou posse no dia 1º deste mês. Por isso desculpe-o.
      – Certo, certo. Sr. del Elloy, Prossiga.
Siero estava meio abobado, mas logo retornou. Pediu a pasta na mão de Dayanne, pegou algumas folhas de papel dentro e começou a ler o trecho de introdução.
Parecia tudo bem, mas Erick Bleck ainda estava impaciente.
      – Senhor, senhor, desculpe-me, mas, isto irá demorar?
Siero ficou meio sem graça. Checou as páginas.
      – Cerca de duas páginas de introdução.
Erick pegou as folhas da mão do homem, as organizou e deixou a sua frente. Os jovens Bleck pareceram agradecer por isso. Mas os Ministros não compreenderam.
      – Senhor, eu já estou ciente de todos os mínimos detalhes da missão 126 da reforma.
      – Desculpe senhor. Deves saber de boatos ou no máximo do resumo, os detalhes desta missão eram de sigilo máximo absoluto dentro no Ministério. As pessoas envolvidas foram escolhidas a ‘dedo’. – Disse Cornélius se gabando.
      – Sr.Fudge. – Erick estava sorridente, ajeitou-se na cadeira de forma a ficar de frente para o ministro. – Já se foi o tempo onde havia missões de sigilo absoluto no ministério. Sabe muito bem que mesmo distante, a Mansão tem muita influência dentro do Ministério, em Londres.
Todos calaram.
      – Você acha que se eu não aceitasse esta missão, ela não teria sido abolida no mesmo dia de seu planejamento. Nem a RP existiria se eu, e meus amigos, fossemos contra.
      Eles permaneceram em silêncio. Cornélius simplesmente aceitou.
Ele sabia que Erick Bleck, dentre outros homens muito influentes faziam parte de uma ordem que dava muito trabalho ao ministério, The Brotherhood of Rose – A irmandade da Rosa, obtinha grande influência. Eram todos homens ricos a maioria de importantes famílias, e muitos possuíam grandes cargos no Ministério. As ‘cadeiras’ mais importantes são hereditárias, ou seja, problemas para diversas gerações.
      – Sr.Fudge, acredito que já entendeste aonde quero chegar. Eu já tenho conhecimento até do percurso um tanto atemporal desta jornada.
Alguns murmúrios foram ouvidos em toda a mesa, os ministros não compreendiam como ele sabia de tal detalhe, e se ele sabia, mais quem sabe? Os jovens Bleck que estavam sem a mínima paciência para estar ali, perceberam que há algo além do esperado, meio fora da compreensão, prestes a acontecer.
O Ministro permaneceu calado. Hecktor ousou falar.
      – Desculpe-me pai. Mas acho que atemporal tende a ser algo fora do tempo, seria algo mais, retro-temporal. – disse um pouco humorístico, tentando conter a situação.
      – Sim, Hecktor, como queira. O que tens a dizer sobre isso Ministro?
O Ministro tomou um longo gole de água, na taça a sua frente. Parecendo muito desanimado. Erick continuou a falar, provocando-o.
      – Como pretendes quebrar todas as leis possíveis da natureza? Uma Viagem no Tempo meu senhor, já é algo fantasioso e perigoso, e uma viagem de três anos?
Todos a mesa ficaram desconfortáveis. As garotas Bleck estavam irritadiças, as ultimas a saber, mas como? Todos ainda estavam em silêncio, dando a voz a Erick.
      – Uma vez um grande físico disse que isso era impossível: uma viagem no espaço-tempo. Descontando o fato de ele ser um mero e decadente trouxa, incapacitado e limitado naturalmente. Ele poderia vir a estar até certo ponto certo, quanto a uma mudança tão radical no tempo, na história…
      Hecktor já não sabia mais o que fazer: se irritar com o pai pelos insultos de graça aos trouxas ou arregalar os olhos pelo elogio, merecido, que ele acaba de declamar. Um grande físico. Hecktor não conseguiu segurar o riso, enquanto seu pai explicava um pouco sobre a teoria de Albert Einstein. O garoto se lembrava que no passado seu avô, Edghar Bleck, havia lhe contado que o jovem Erick ficou muito rebelde ao descobrir, bem cedo, que Einstein havia ganhado o título de maior físico da história, pelo parlamento bruxo e no mundo trouxa, título que a muito pertencia a um mago e alquimista, Isaac Newton. Erick demorara muito para aceitar, isso se algum dia aceitara. Mas, agora, ali na frente de todos àquela mesa, estava declamando uma de suas teorias, como um verdadeiro Tiete.
      – ,.. Uma viagem tão longa e que provocaria tantas mudanças, poderia cair em um perigoso paradoxo temporal. Hecktor, algum problema?
Erick se interrompeu ao reparar o sorriso bobo de seu filho ao seu lado. Hecktor se enrubesceu, se desculpando e pedindo perdões pelo seu devaneio tolo, estava a pensar em outra coisa e não queria atrapalhar. Tendo um pequeno instante de descontração, o Sargento Smith Woll decidiu enfim retomar a palavra.
      – Senhor Bleck, tudo está sobre controle, agradecemos sua preocupação, já pensamos em tudo.
Erick sorriu, sentindo que estava certo e que Woll perderá um pouco de sua confiança ao falar, o Sr.Bleck se deliciava com a cena.
      – Não senhor, não pensou em tudo. Dar-lhe-ei um exemplo, muito usado para explicar-lhe sobre os paradoxos.
O sargento consentiu com a cabeça. Erick começou a falar.
      – Um exemplo: Uma jovem, rebelde, decide ao tempo retornar, para impedir que Leonardo da Vinci pintasse a famosa Monalisa, no sentido de ver se ela ainda estaria no Louvre, no futuro. Ao chegar, ela não encontra o quadro, acaba no final desistindo e decidindo retornar, pouco antes, um artista local, pediu-a para retratá-la, ela aceita. Ao retornar ao seu tempo, percebe que ela é a Monalisa.
As garotas Bleck ficam refletindo sobre isto, pois nunca ouviram tal fábula. Hecktor repara que o Ministro da Espanha e o Representante da ONB também estão a refletir.
      – Sim senhor Erick, a famosa história de que o tudo no tempo já ocorreu. Sim sim, pensamos nisso, isso nos preocupa bastante, mas como é nossa ultima opção antes de entrar em uma guerra contra os trouxas, é bom que tenhamos sido originais.
Erick continua a contestar.
      – Mas meu senhor, se o tempo for mudado, Joanne nunca escreveu, porque motivos então, teríamos feito esta reunião? E assim sendo, sem a reunião, meu filho e o senhor nunca retornaram no tempo e nunca o mudaram, então Rowling escreve os textos, e tudo retorna ao normal, um looping, um paradoxo.
Alguns a mesa começam a se desanimar e consentir com a hipótese de Erick.
      – Nos pensamos nisso. – Disse o senhor de cara pálida e fantasmagórica a mesa, ao lado dos ministros, ele até o momento nada falara, só sorria com seu sorriso amarelo.
      – Senhor?
      – Ah sim, senhor Bleck, eu sou Diahsper Voltesier, Ministro da Magia da França. Estou contribuindo para esta missão. – Disse ele sorridente, com acenos de cabeça. – E esta hipótese já foi pensada, e resolvida, pela perspicácia de… Mim.
Muito humilde.
      – Então, senhor Diahsper, como resolvestes tal questão?
O Homem ainda sorria. E seu sorriso parecia incomodar a todos.
      – Mandaremos uma carta através do Sr.Woll. Para o Ministro Fudge e os outros, para a ONB, e para o Senhor. Explicando-lhes o que houve com o mundo neste lado da história. Assim, esta reunião ocorrerá. E o Sr.Hecktor e o Sr.Woll retornarão, e concretizarão os acontecimentos que salvarão nosso mundo e nossos costumes.
Terminou com um sorriso de orelha a orelha, acendendo bastante suas maçãs ossudas do rosto, e suas rugas que tentou encobrir com uma grossa camada de maquiagem e pó de arroz.
      – E se o tempo uma vez for mudado, nunca mais retornará ao normal. – Completou o sargento.
      – Hum. O que pensas sobre isto Hecktor? – Disse Erick, deixando o garoto surpreso.
      – Penso que isso torna possível, a nossa missão.
      – Pois eu penso que não. Ainda há outro porém. Pelas leis naturais, um ser humano, normal, não agüentaria uma viagem de três anos, no tempo. A chance de morrerem de fadiga seria grande.
Todos se calam. Mas um sorriso desabafado foi ouvido no final da mesa, seguido de uma pequena gargalhada.
      – Senhor Erick, tenho-lhe a honra de lhe dizer, tchê, que temos em minha terra, minha amada pátria, a solução de seus problemas!
O inglês horrível com um falso imite de sotaque londrino arrebitado e com uma forte influência sulino-brasileira do homem de bigode no meio da mesa rangeu nos ouvidos de Erick. O Sr.Bleck fez uma enfática careta, que por sorte conseguia cobrir atrás de sua mão. Tomou um copo de água na taça que quase quebrará com a pressão de seu punho, limpou as gotículas de suor de sua testa com as costas de sua mão. Recompôs-se, devolveu a seriedade e a frieza a seu olhar, e quase se arrependeu, mas disse:
      – Diga-me senhor, qual a sua terra, e o que ela oferece? – Disse pausadamente, se preparando para o que ia ouvir.
O homem sorriu. Colocou uma taça do chá que tomava sobre a mesa.
      – Senhor. A flora brasileira é muito diversificada, tanto a flora não mágica, quanto a mágica. Temos uma planta rara encontrada somente lá, que enriquecida na poção do Soldado Perfeito, pode dar a resistência necessária para Hecktor e Woll, para que completem a missão.
      Erick se silencia. Hecktor olha para seu pai sorrindo, com um sorriso que diz: mais alguma pergunta? O Sr.Bleck tomou um grande e demorado gole de água gelada.
      – Sem mais perguntas senhores. – Aceitou a derrota.
      – Ah! Gostaria de lembrar, que pelo que o senhor falou, pareceu-me que houve um engano. – Hecktor começou a falar, olhou para Smith, pedindo-lhe apoio. – Hã. Os livros dela ainda serão escritos, só pediremos a ela para retirar os detalhes que acabaram por causar está eminente guerra.
Erick engole em seco.
      – Como?
      – Está aí algo que o senhor não sabia, não é?! – Hecktor soltou um sorriso, que logo acolheu novamente ao ver a reação do pai.
      – Ministros, como deixarão que estes livros sejam publicados?
Os Ministros nada falaram. Erick não olhava para Hecktor.
      – Mas se não houver nenhum caos eles poderão continuar ajudando a RP na missão central. A missão № 1, que está em estado de: a caminho de conclusão.
Erick continuava sem olhar para seu filho, mas pareceu compreender. Logo se aquietou novamente em sua cadeira, e voltou a encher seu copo com água, e a tomá-la em grandes goles.
      – Aproveitando a ocasião. – Hecktor queria descarregar as novidades sobre a missão que com certeza seu pai não conhecia, todas de uma vez. Ele sabia o quanto o Sr. Soust Bleck odiava ser o ultimo a saber, de algo. – A missão inclui uma viagem de quatro anos, de hoje a 1997, mas só retornarei no dia 2 de setembro do ano de 2001.
Erick pareceu se engasgar com sua água, balançando na cadeira.
      – Então ficarás como foragido e o pior, fora de casa, por QUATRO ANOS!
Erick quase gritou. Até as pessoas no quadro do Salão de Jantar se esconderam.
O pensamento de Hecktor naquele momento refletiu em seu rosto, Agora fudeu. Ficou feliz em saber que este foi o pensamento de todos os jovens Bleck ao seu lado.
      – E o pior, eu fui com certeza o ultimo a ficar sabendo disso!? – Disse Erick agora se virando para seu filho.
      – Não tio Bleck. Nós também não sabíamos. – Disse Nicolle desapontada, sendo fortalecida por Lux e Bella. Seu comentário de nada importava no momento. Mas ela ficará brava por seu marido ficar tanto tempo fora.
      – Não se preocupe comigo meu amor. – Hecktor murmurava para Nicolle, não queria ter esta possível discussão no meio dos ministros.
      – Mas Heck! – Ela falava alto com sua voz que soava aguda sempre que ela ficava agitada. O silêncio não combinava com ela.
      – Essa conversa não cabe a este momento querida. Depois falamos sobre isso. Aí… – Hecktor sentiu um tapa na nuca, enquanto debruçava-se sobre a mesa para segurar a mão de Nicolle, Bella lhe baterá, por não dar ouvidos a ela, e por empurrá-la para o lado para poder falar com sua noiva.
      – Receio Hecktor, meu filho, que não haverá um depois tão cedo. Pelo que sei, até onde sei, já que sei de algo, sua missão começa em menos de uma hora, e se pretendem brincar com o tempo, devem ser pontuais ao máximo.
      Erick falava mostrando seu relógio de bolso.
      O sargento e os ministros consentiram entristecidos. Já era hora.
      – Então, terminaremos de falar… – O Ministro Fudge decidiu retomar a palavra. – Seu filho meu senhor, irá para alguns paises seletos, e manterá contato com os Ministérios e com o Reino Unido…
Erick interrompeu com um pigarreio e falou.
      – Senhor, eu sei disso. Ele começará a missão no Reino Unido, depois irá para Espanha, depois França, depois Brazil, e retornará. – O ministro se calou, havia se esquecido que Erick Bleck era Erick Bleck. Ficou calado ouvindo-o e concordando com a cabeça. – Só não sabia da data exata de seu retorno. – Olhou para Hecktor, bravo. – Manterá contato via carta explicitando por onde andas, e com quem está, enquanto isso, o desenrolar dos acontecimentos refletidos do cumprimento ou descumprimento da missão irão acontecendo aqui, na Inglaterra. Ele terá de ficar escondido através de disfarces e nomes falsos, principalmente porque, naquele período a guerra contra o Lord das Trevas estava em seu auge. Poucos terão permissão para saber de algo. – Completou se recostando na sua cadeira, bocejou levemente. – Pronto. – Retomou a seriedade, virou-se para Hecktor e para Fudge, indagando. – Ou há mais algo que eu não saiba?
Hecktor demorou a responder, mas fez que não com a cabeça. Fudge não reagiu. Após alguns instantes acabou por dizer.
      – É Sr.Bleck, percebo que o subestimei novamente. Mas então… Se já sabe de tudo, não temos mais o que fazer aqui, já se pode começar a missão.
Erick Bleck fez uma cara estranha, mas o que veio após ela que espantou a todos, ele começou a gargalhar fortemente. Como se não acreditasse na fala do Ministro. Depois de algum tempo rindo fortemente, desabotoou a gola de seu terno, afrouxou a gravata, tomou alguns goles d’água e começou a retornar a seriedade.
      – Meu senhor, caro ministro Cornélius Fudge. Não pensas que se deixei esta insanidade vã prolongar-se por tanto tempo, mesmo contra meu agrado, e eu não pensaria em pedir algo?
Chegamos ao ponto em questão. Foi o pensamento de todos.
      – Imaginava, é a vida não é?! Como não possuo muito tempo, diga logo o que o senhor quer, aceitarei se estiver ao meu alcance.
      – Eu não quero que os nomes de minha família e de meus filhos sejam falados em vão por bocas imundas de filhotes de trouxas.
Suas palavras doeram no coração de todos ali presentes. Hecktor por instantes sentiu vergonha.
      – Faço isso por eles. – Disse Erick, olhando profundamente nos olhos do Ministro da Magia do Reino Unido, ignorando o fato deles estarem ao seu lado. – Meus filhos e minha mansão não serviram de diversão para jovens trouxas. – Completou com frieza. – Quero que digam a Rowling para retirar toda e qualquer menção a eles em seus contos bárbaros. Já que seus livros ainda serão publicados.
O ministro concordou com a cabeça, parecia bem triste, e Hecktor não teve reação, sentia nojo, mas era obrigado a acatar. As outras Bleck estavam de cabeça baixa. Bella pareceu chorar.
      – Sim senhor Bleck, se isto é de seu querer. Porque sim, os textos dela serão sim, publicados, porém sem as insinuações que nos puseram nesta situação. Já que os contos de Potter são histórias até interessantes, as duas derrotas do Lord das Trevas se tornaram lendas e fábulas para crianças.
      – Bruxas, meu senhor, lendas e fábulas para crianças bruxas. Se me permite completar. – Disse Erick, ainda olhando diretamente em seus olhos.
      – Certo, se assim desejas.
O Ministro começa a levantar. Os outros ministros o acompanham. Todos começam a levantar. Hecktor abraça Nicolle, aproveitando seus últimos momentos juntos, durante um bom tempo.
      Bella ainda está mau, mas Hecktor, Lux e Ni a consolam. Ela começa a lembrar de sua mãe e de sua tia que cuidará dela por toda a infância, duas grandes amantes dos trouxas. Seu tio e seu avô paternos também gostavam muito dos sem magia. Por que isso tinha de ocorrer?!
      Erick chamara Hecktor para um canto da sala, para ter uma ultima conversa com ele. Eles falaram um pouco, até que Hecktor conferiu a hora. Hora de arrumar as malas para partir. Erick então disse:
      – Filho, tem meu perdão, meu consentimento, e minha benção para continuar nesta viagem.
      – Obrigado pai.
Está viagem se tornou mais sua do que minha não foi?! Ele não teve coragem de dizer isso, preferiu somente agradecer e se afastar.
      Erick virou-se para todos que estavam agora de pé.
      – Iremos todos voltar agora para o caos que jaz lá fora, pois mesmo a milhas marítimas da civilização, os problemas dela nos alcançam em nosso Éden negro.
Todos em silêncio. Belas palavras, sim, necessárias? Nem tanto.
      – Tenho em meu quarto o item tão necessário que provavelmente é um dos motivos do convite de vocês para minha participação na missão.
Fudge ficou um pouco envergonhado em concordar com a fala de Hecktor, mas os outros ministros só ficaram em silêncio, não aparentavam nem ter ouvido o que ele havia dito.
      – Buscarei o vira-tempo então. Pode me esperar nos jardins frontais senhor Woll.
O sargento acenou com a cabeça e saiu. Hecktor deu um beijo em Ni, e a caminho de sair pelas portas de prata, ouviu o chamado de uma garota. Virou-se para deparar com Lux.
      – Vou com você.
      – A meu quarto?
      – Sim, é proibido?
      – Não, não.
Hecktor só sorriu, de tudo se podia esperar de sua prima, tudo. Eles então saíram.

      Após serem ofuscados, apareceram no corredor de mármore verde, já muito conhecido. Andaram pelo corredor, vendo os quadros dos moradores, todos bem diversificados, mas parecendo igualmente assustados e precavidos.
      Menos o de Lux, um quadro na parede da esquerda, a quatro quadros do de Hecktor no final do corredor, o quadro dela demonstrava-a com cerca de 18 anos. Fazendo seu esporte preferido, WWW (Wizard Wind Wake) que consiste em pular de uma vassoura na qual se voa de pé a 300 km/h a uma altura de 20 mil pés, para cair em outra vassoura a cerca de 10 a 15 mil pés abaixo, loucura? Não para os únicos e exclusivos 78 participantes desta modalidade de esporte que existem em todo o mundo. Sendo entre eles Lux Firefox Bleck.
      Ao passar pelo quadro, Heck aponta para ele.
      – Como convenceu o artista a pintar este quadro enquanto caiam.
      – Ah! Eu estou bonita no quadro não. – Ela olhava para a garota com óculos de proteção caindo, com cabelos loiros e mechas negras longos a se debater, enquanto ela usa só uma curta saia jeans e uma jaqueta de couro aberta, com sutiã por baixo. Sorrindo e fazendo gestos obscenos para o artista enquanto caí, e as nuvens cruzam a tela. – É uma fotografia tirada pelo nosso primo, Willyam, ele também curte o WWW, ele tirou a foto e depois mandou para um pintor, que retratou em tamanho real. O legal é que no quadro eu caio eternamente.
      – Eternamente nas nuvens, como a Lux de verdade não?!
A garota olha para Hecktor sorridente, ela também sorri.
      – Sim, sempre.

      Ao chegar ao quarto (caverna) de Hecktor, eles se aproximam a uma estante numa parede próxima. Há três prateiras na parede, uma com livros, outra com frascos de poções e vidros de perfume, e na mais alta das três, com alguns objetos exóticos.
      Nela existe pendurado por duas correntes grossas de prata uma placa de ouro, onde há escrito o nome HOGWARTS somente em letras de forma maiúsculas, e abaixo, escrito em itálico pequenas runas.
      Sobre a prateleira existem alguns objetos, perfeitamente enfileirados como se fosse um altar. Todos eles possuem pequenas plaquetas de cobre com algo escrito na frente, que a distância Lux não consegue ler, e pequenos fios de prata a que parecem equilibrá-los. Os objetos respectivamente nesta ordem, da esquerda para a direita, visto de frente: um frasco de vidro lacrado com uma rolha, onde parece conter um líquido roxo; depois, um dente grande e um pouco amarelado mais que com certeza ainda não perdeu a ponta; logo ao seu lago possuí um cordão dourado com uma ampulheta de pingente; e um ovo grande, igual ao de um avestruz, só que de ouro e repleto de entalhes, runas e pedras preciosas; um papel, dobrado bastante amassado e amarelado; um grande livro, com capa de couro, sujo e surrado, parece que possuí até um corte em sua capa; e por ultimo, um pomo de ouro que foi imobilizado magicamente, que parece que foi aberto, deixando um arrombo oco.
      Lux nada compreende, só vê que Hecktor foi direto com a mão no terceiro objeto, o cordão com a ampulheta. Ele trouxe para perto, entregando-o nas mãos da garota, para que possa observar. Era com toda certeza um raro e belo vira-tempo, que provavelmente por magia não se enchera de poeira, pois ela nunca via Heck mexer naquelas coisas. Abandonadas no tempo. Chega ser irônico pensar nisso agora.

 

Diário dos Bleck Cap.3 Part.2

Autor: H.B.P  //  Categoria: Diário dos Bleck

Setembro, 10º dia, ano de 2001…

      Continuando…

Depois do Hecktor explicar a sua irmã sobre J.P.Schayder, Bella resolveu ir para o seu quarto.
Mais para o final da tarde, depois do Hecktor já ter ouvido diversas vezes o disco de vinil que ganhou, e de escrever algumas coisas em seu diário, resolveu descer e esperar seu visitantes nos jardins da mansão.

Hecktor já estava em pé, aos pés das escadas da mansão, com o grande portão de entrada a suas costas. A sua frente a magnífica imagem dos jardins da mansão, diversas retas paralelas com orquídeas, de diversas cores. Entre a paralelas principais, um comprido espelho d’água retangular, que a este horário estava refletindo um belíssimo sol de fim de tarde, que marchava a caminho das montanhas no horizonte azul e tremulo.
O jovem bleck ouviu passos, e as portas da mansão se abrindo, mas não se virou, quando os primeiros passos desceram as escadas ele perguntou:
       –Nicolle?
Um pouco de silêncio, até que responde uma voz melodiosa, meio falha.
      –Sim Heck!
Nicolle apareceu ao lado dele, ombro a ombro. Ela olhou para ele, sorrindo. Ela usava bastante maquiagem, junto com o seu sobretudo rosa peludo, e com sua saia rosa de cetim, que vai até um palmo acima dos joelhos, e uma blusa de manga comprida de seda branca, além de luvas violetas, e suas botas de pele de tigre branco.
      –Não está tão frio assim, Nicolle. – Hecktor indagou, sorrindo.
Nicolle reparou que ele nem havia se arrumado, seu sobretudo preto casual estava desabotoado, mostrando seu peio nu, ele usava calças jeans largas, escuras e com muito bolsos, e botas do exercito, de cano longo. Nicolle lhe deu um olhar critico que Hecktor respondeu com um sorriso que desarmou Nicolle.
A garota segurou forte a mão de seu esposo, se aproximando dele.
Os dois olharam por alguns instantes em direção as montanhas. Esperando ver logo-logo a imagem de um carro vindo voando por cima das montanhas.
Hecktor sentiu um puxão para o lado que quase o desequilibrou. Nicolle saltou sobre ele, abraçando-o, atravessando seus braços pelos seus. Recostou a cabeça sobre o peito do rapaz. Hecktor a pode ouvir chorar com rápidos soluços, baixinhos e estridentes,
      –O que houve Nicolle, por que está chorando? –Disse Hecktor com uma voz calma, acolhendo a garota em seus braços.
      –Não sei. Tenho medo de lhe perder. – A garota continuava a chorar.
      –Mas porquê você acha que vai me perder?
      –Não sei! – A garota começou a chorara mais forte, abraçando-o e apertando sua costela.
      –Acalme-se, porfavor, minha vida, acalme-se.
A garota ainda chorava. Hecktor então a desintrelaçou dele, para poder olhar em seus olhos –Seus belos olhos azuis acinzentados.
      Quando os olhos de Hecktor fitaram os de Nicolle, a garota sentiu como se ele olha-se sua alma. Ela se acalmou, olhando o sorriso dele. Ele segurava o queixo da garota carinhosamente, e com o polegar recolhia as lágrimas de sua amada esposa. Hecktor passou sua mão pelos cabelos da garota, ele ageitou uma mecha atrás da orelha dela.
      –Eu te amo meu Heck. – Ela dizia de olhos fechados.
Hecktor aproximou seus labios da orelha da garota e sussurrou.
      –Eu também.
Ele sentiu que ela se arrepiara.
      Hecktor rossou sua face no rosto dela, até que seus lábios se encontram, e ele lhe arrancou um suspiro. Ela se soltou nos braços de seu amado. Aquele momento durou por mais alguns instantes. Os dois de olhos cerrados, sentindo a respiração um do outro, compartilhavam de um mesmo ritmo de batimentos.
Até que um alto barulho de metal batendo e ronco de motor fez-se realçar nos céus. Os dois jovens se assutaram, virando-se para o horzinonte ainda abraçados.
      O braço de Hecktor segurava Nicolle pela cintura, enquanto a garota estava de braços cruzados como em um auto-abraço, para que ela posso se recompor. E os dois olhavam a pequena mancha nos céus de fim de tarde começar a tomar forma. E um verdadeiro carro surgiu, voando pelos céus.
      Aquele Ford Aglia bem conhecido por todos, que foi reformado – novamente.
      Com soco de metais e um ronco falhado de motor, o carro se aproximava, voando em grande velocidade, zigzagueando pelo jardim, como uma mosca zonza, utilizando os canteiros de flores como limiares de uma pista de pouso.
      Com um voo desengonçado, ele quase cai sobre o espelho d’água, até que pousa com um grande estrondo sobre a grama, a uns cem metros dos dois.
Hecktor e Nicolle observavam espantados, até que um som pode ser ouvido de dentro do carro – risos. E as portas do carro se abriram, enquanto velhos conhecidos saiam com um pouco de dificuldade.
As portas da Mansão se abriram no mesmo momento em que as portas do carro bateram, em unissom. Descendo as escadarias as duas garotas que faltavam, Bella que estava super bem arrumada, cabelos penteados, sobretudo de vinil, ela descera correndo passando ao lado de Hecktor, tão proximo que seu irmão pode até sentir a “leve” fragrancia de seu perfume, só para ocasiões especiais, dizia ela.
Junto com a garota, logo se apressou a prima de Hecktor, Lux, que passara velozmente ao lado de Nicolle. A garota estava com roupas de festa, short jeans, bota all-star preto e rosa, e uma blusinha ‘tomara que caia’ branca, de seda, semi transaparente, junto com seu cabelo, agora branco na altura dos ombros, repicado nas pontas de rosa-pink.
As duas garotas foram animadas para comprimentar seus visitantes.
Nicolle olhou nos olhos negros de Hecktor, escuros a tal ponto que não se via a pupila. O olhar de Ni era como se pedisse permissão a ele, para ir lá.
Hecktor sorriu.
      –Claro querida, não precisa pedir.
A garota deu um longo sorriso, e correu saltitante, batendo palminhas e sorrindo.
Hecktor ficou algum tempo só observando a cena.
As trâs garotas foram em direção ao carro. Uma garota de cabelos castanhos saiu pela porta do motorista, seus cabelos cacheados estavam altos, pela turbulência do voo, enquanto isso um homem de cabelos ruivos que já havia saido do carro gargalhava, e logo depois foi reprimido por ela, que o mandou pegar algo, no porta-malas.
Um outro rapaz de cabelos negros e bagunçados, usando óculos, ajudava uma bela garota a sair do carro. Ela tinha cabelos de chamas, vermelhos alaranjados, eram perfeitamente lisos, e pele branca.
Quando os visitantes perceberam a chegada da Bella, Nicolle e Lux, se surpreenderam; principalmente a garota de cabelos castanhos, que se escondeu dentro do carro para pentear seus cabelos novamente.
Quando o homem de oculos olhou para Hecktor, acenando, Hecktor retornou de seus devaneios, e correu para comprimenta-los.

      –Quanto tempo Hecktor?
O homem apouximou-se dele estendendo a mão.
      –Sim Harry, o destino nos fez está zombaria.
Hecktor apertava a mão de seu colega. Ele não conseguiu conter seu olhar para a tão famosa cicatriz em forma de raio, que a tanto tempo causará diversos problemas, e modificara a vida de todos ali, e agora era simplismente coberta por uma franja. Isso são águas passadas.
      –Hecktor!
Foi a ultima coisa que o jovem Bleck ouviu antes de alguem se jogar sobre seu pescoço.
Sua visão foi cortada por uma disperção de cabelos cor de fogo. Quando percebeu, uma bela jovem estava presa em seu pescoço, e olhava para ele com cara de sapeca.
      –Ohw! Ginny.
A garota lhe soltou. Eles se entreolharam sorridentes. A garota depois se afastou um passo para trás, para poder se aproximar de seu marido, Harry. Os dois deram as mãos de se entreolharam.
Até que uma voz familiar pode ser ouvida.
      –Hecktor, meu colega!
Um homem vinha em direção ao Hecktor, ele largou umas malas no chão, e veio abraçar seu velho amigo.
      –Rony, como vai?
      –Vou indo né. – Eles se abraçaram.
O homem de cabelos ruivos se afastou, dando caminho a visão de Hecktor, ele viu sua irmã, sua noiva e sua prima voltando do carro, junto com uma pessoa bem familiar a Hecktor – A bela Hermione Granger acabara de pentiar seus cabelos castanhos, e vinha ainda meu atrapalhada, para comprimenta-lo. Ela usava uma calça jeans skiny, azul marinho, sapatos pretos de salto alto, mesmo sobre a grama, usava uma xale de trico num tom de verde escuro suave que possuia dois botões de madeira que estavam abotoados logo assima da cintura, e ela utilizava uma blusa branca de cetim grosso abaixo do xale. Hecktor sentia uma brisa de tranquilidade enquanto a observava.
      – Olá Hecktor. – Disse ela quando se aproximou.
Ela sorria enquanto ageitava uma mecha de cabelo atráz da orelha. Os dois se abraçaram.
      –E então, Mione… – Falou ele, enquanto se afastava.

Todos felizes, sorrindo.

      –Nossa temos de colocar as notícias em dia. – Disse Gina, sorridente.
Todos concordaram. Hecktor olha para os céus.
      –Nossa gente, que péssimimo anfitrião eu sou. Vamos entrem. – Hecktor apontando para a mansão.
Ele foi afrente, e todos o seguiram. Ao abrir as portas da mansão, alguns Elfos Domésticos apareceram e começaram a pegar as malas dos convidados, para leva-las a seus respectivos quartos.
Hecktor deu passagem para que todos pudessem entrar na mansão. Nicolle, Harry, Gina, Rony, Bella, Lux…
      –Mione?
Hecktor reparou que a Hermione estava ainda no meio da escadaria, brigando com o Elfo Doméstico.
      –Hecktor diga a ele que não precisa carregar minhas malas. Não quero dar mais trabalho. Tadinho.
      –Que isso Hermione, você sabe que eu não posso libertar estes Elfos, eles pertecem aos Bleck a gerações.
A garagalhada de Hecktor foi bloqueada pelo olhar de desaprovação da garota. Ele percebendo o possível escandalo, resolver intervir.
      –Pode ir Elfo, eu levo as malas dela.
O elfo concordou com a cabeça, e desapareceu em um estalar de dedos. Mione não entendeu, até que o Hecktor pegou as malas das mãos delas e terminou de subir as escadas.
Ao chegar ao topo, ele olhou para ela sorrindo.
      –Vamos?
Hermione o seguiu, pouco antes de atravessar as portas da mansão, ela se apressou a pegar uma bolsa menor, de couro preta, a qual Hecktor estava com um pouco de dificuldade para equilibrar junto as outras.
      –Deixe que eu carregue esta então.
A garota pegou a pequena bolsa. Arrumou novamente a mecha de cabelo atrás da orelha.
Hecktor fez um movimento de cabeça, avisando-a para seguir a frente. Ela entrou na grande mansão, com Hecktor a segui-la.

Ao atravessar a porta, vozes e vozes podiam ser ouvidas. A conversa já havia começado, mais quem podia culpa-los?! Amigos a tanto tempo.
Eles estavam todos juntos, no meio do saguão. Gargalhando. Rony deve ter contado outra piada. Hermione se aproximou deles, e logo depois chegou Hecktor.
      –Hecktor você não sabe o que o Rony acabou de nos contar.
Disse Bella sorrindo.
      –Owh sim, adorarei saber, mas primeiro levarei estas malas para o quarto, certo?!
      –Sim sim.
Bella virou as costas para ele e retornou a falar com o grupo. Hermione acabara de falar algo no ouvido de Rony, e depois se aproximou novamente de Hecktor.
      –Vamos.
Os dois subiram a escadaria em meia espiral , afastando-se dos amigos, mas ainda podiam ouvir as vozes alegres deles.
Até que ao atravessar as portas de prata do ‘Elevador Encantado’, foram engolidos por um luminoso silêncio.
Surgindo novamente no 1º Andar, o Andar de Hospédes.
Neste andar se vê um corredor vertiginoso, repleto de portas dos dois lados, com distâncias mínimas entre elas. O corredor não possui fim visível – adoro a magia. Hecktor saia do Elevador e agora pisava sobre o carpete macio. O chão do andar é todo coberto por um tapete felpudo vermelho igual ao das paredes, as portas de mogno envernizado, com portais de ouro branco, maçanetas de prata e os números dos quartos são de ouro comum. Estes são os quartos dos visitantes da mansão. Quase que mais luxuosos que os quartos dos moradores, ou melhor, mais luxuosos que alguns quartos de moradores.
Hecktor pedia para que Hermione fosse a frente. Ela andou alguns metros, ele fechou as portas de prata e olhou para a porta mais próxima, e com um click se abriu.
      –Não se preocupe Mione, não adianta você proucurar, não há quartos melhores, todos são exatamente iguais.
Ela olhou para ele irritada, ela sabia disso, já viera aqui diversas vezes. O garoto só sorria. Adorava vela irritada.
Os dois entraram no quarto. O quarto era enorme e luxuoso. Ele possui o mesmo carpete vermelho do corredor no chão, suas paredes são de marfim e o teto de cerâmica, repleto dos mais belos desenhos. Possi uma cama de casal com lençóis de linho e seda italianos vermelhos e uma Cama Box com lençóis de mil linhas persa também vermelho-sangue. Há também um guarda-roupas com desenhos chineses e um designer místico, feito de madeira escura. Também há dois criados-mudos um ao lado direito de cada cama, feitos de esmeralda. Próximo ao teto existem velas flutuando iluminando o quarto. Há só uma grande janela com madeira de cerejeira e com cortinas vermelhas de algodão puro.
Hecktor colocou as malas próximo a cama de casal.
      –E então Mione, como vai à família?
      –Passam bem Hecktor, mas se o que você queria saber era sobre mim e Rony, estamos indo.
A garota jogou a bolsa de couro sobre a cama, Hecktor estava de costas para ela, observando o quarto, para saber se eles estariam bem ali. Ao ouvir a resposta da garota ele gargalhou forte.
      –Muito inteligente minha querida Granger. Mas seria uma péssima jogadora de Poker.
Ele virou-se para ela.
      –Vejo em seus olhos que não está as mil maravilhas. Não sei exatamente se o problema é o Ronald, mais sei que você tem um problema.
Hermione prendeu outra mecha de cabelo atrás da orelha, abaixou a cabeça. Mione?!. Hecktor não a reconheceu com este movimento de fraqueza, até que a garota pegou fôlego, empinou o nariz e olhou nos olhos de Hecktor.
      –Porém não há problema algum Bleck, se estás imaginando algo, você que descubra o que é.
Está resposta fez Hecktor sorrir. Está é Hermione Jane Granger.
      –Então está bem. Eu acho que tenho uma Veritasserum pronta no armário da Sala de Alquimía. Espere um pouco. –Hecktor virou-se e saiu do quarto. Ele não conseguiu segurar o riso, quando estava no corredor, parou e olhou por cima do ombro, vendo Hermione olhando rispidamente para ele da porta do quarto. Virou-se para ela, se olharam por instantes até que os dois caíram no riso.
Até que Hecktor parou. Ele levantou a mão pedindo silêncio, Mione se calou e o silêncio tomou conta do lugar.
      –O que houve Hecktor? – Sussurrou Hermione.
      –P.M?! – Hecktor disse isso e virou as costas, indo a caminho da cortina de luz, no ínico do corredor.
      –Como? – Hermione o seguiu.
Eles entraram no ‘Elevador Encantado’, sendo ofusacados por alguns instantes. Hecktor quase que corria a frente, e Hermione o seguia, curiosa. Logo logo eles surgiram no 2º Andar, no grande corredor com os quadros para os quartos dos moradores. Havia muito tempo em que Hermione não vinha aqui. Ela observava atentamente cada detalhe.
As paredes e pisos de mármore verde-escuro, as tochas de fogo encantado presas às paredes, que liberam uma iluminação trêmula, dando um clima mágico ao lugar. Há também a leve euforia organizada dos quadros nas paredes – adoram visitantes.
Hermione perceberá o ultimo quadro, no final do corredor, de frente para os que acabam de chegar.
O Quadro de Hecktor Bleck Potter: sentado numa poltrona grande e escura, de pernas cruzadas, recostado, foliando um livro – pequeno, de aparência maltratada, capa preta grossa. Concentrado. Com a sua ‘Naja’ de estimação a serpentear no seu colo. Local mal iluminado. E de fundo uma estante alta e empanturrada de todos os tipos de livros.
Uma pose vitoriosa. Os que o conhecem sabem que é demonstração de egocentrismo, mas poucos percebem.
Quanto ela e Hecktor se aproximavam, o Hecktor do quadro se pôs de pé. Ele não disse nada, mas fez um olhar de incompreensão, balançou os ombros, e apontou para a parede as suas costas, indicando o quarto. E a porta se abriu.
Hecktor quase corria para dentro do quarto. Ao passar Hermione sorrio e acenou para o Hecktor do quadro, que também o fez, gentilmente.

A escuridão.

Mais escuro que o corredor, somente o quarto do Hecktor, onde o clima mágico aumenta ao extremo, sente-se um ar de que tudo pode acontecer.
      –Hecktor, que tal redecorar este quarto, com algo mais alegre?! – Disse Hermione parando junto com ele no meio do quarto, em quanto observava o pentagrama no chão, as estalactitis e os quadros.
Hecktor olhou para ela sorrindo.
Hermione olhou para o lado, viu próximo ao guarda-roupa sobre uma prateleira, um quadro, um dos mais belos quadros do quarto. Ela lembrava bem daquele epsódio. Foi uma festa que fiseram após a reforma de Hogwarts, depois da queda do Lord das Trevas. Os alunos de todos os anos estavam lá… Mas o quadro não retrava a festa. No quadro, há Hecktor Bleck Potter, patinando no Lago Negro, congelado na época, junto com ela, Hermion Granger, a acompanhar, numa bela dança sincronizada. Estava nevando. Toda a grama ao redor do lago, e a copa das árvores está coberta por uma neve branca e cintilante, e o céu, coberto por nuvens cinza, e no horizonte, a sombra de Hogwarts, quase totalmente encoberta pela nevasca que caia devagar. Passado, não vale mais de nada ficar lembrando, são só lembranças…
      Neste instante Hermione ouviu um barulho estranho. Umas batidas ocas e abafadas, vindo da janela.
Hecktor se apressou a se aproximar, afastou as cortinas, deixando uma doce luz do luar de ínico de noite entrar no quarto. Junto com ele, a provocadora dos ruídos. P.M, que entrou voando e batendo as azas fortemente, ela foi em direção a Hermione, como se fosse atacá-la. Hecktor sacou a varinha, mas, hesitou em azarar a águia, quando viu – ela pousando carinhosamente no ombro de Hermione, descançando seu peso sobre ela.
Hecktor e Hermione se entreolharam, assutados, e sorriram, simples, sincero.
No bico de P.M havia uma carta, um envelope lacrado. Hecktor se aproximou e olhou, o selo verde e amarelo, com a silhueta de um lobo-guará.
      –Willyam! Mas como?!
      –O que houve Hecktor?
      –Eu mandei ela entregar uma carta a ele, logo depois dela lhe entregar o telegrama.
      –Sim mas, e daí?! Ela chegou rapido, ela não é uma águia normal, você sabe que águias deste tipo voam bem mais rápido.
      –Sim. Mas elas chegam ao Brazil e retornam antes do fim da tarde?
Os dois se olharam, assutados, incredulos, olharam para a águia, e olharam o envelope.
      –Abra então.
      –Claro, claro.
Hecktor rasgou o lacre de cera com o dedo. Abrio a carta.

Já estou a caminho, devo chegar em alguns minuto, me espere na costa..
W.R.B.

Exibido! – Pensou Hecktor. – Eu achando que ele demoraria para vir, já estava a curso para cá a muito tempo, e me dizia que falava do Brazi, só para dar uma chegada triumfal –
Hecktor sorriu. Entregou a carta a Hermione.
P.M pulou dos ombros da garota para os de seu dono. Ao pousar com força nele, ousou lhe inficar as garras, mas…
      –Nem pensar! Se você rasgar meu sobretudo, eu lhe empalho.
A águia saiu voando pela janela a qual entrou, com um grande estardalhaço, dando pios altos e estridentes. Hecktor foi até a janela, a fechou e a cobriu com as cortinas. Quando virou-se para Mione, ela estava de braços cruzados, segurando o papel com desprezo e sorrindo.
      –E agora, Bleck?!
      –Iremos até a costa.
      –Em minutos.
      –Desaparatação.
      –Está louco?
A garota olhou para ele com um olhar sínico. Pedindo explicação. E o rapaz passou por ela, andando rápido, e saiu do quarto.
      –Ai Ai Ai!! – Quase gritou Hermione, seu rosto corou de raiva. Estes joguinhos de ‘esconde-esconde’ e’ siga-o-mestre’, me canção, quando ele irá crescer.
Hermione sentiu como se um fantasma lhe atravessa-se espantando seus pensamentos.
Ela ouviu a gargalhada dele no meio do corredor.
      –Lembresse Mione, eu sou um ótimo Legilimente!
      –Filho da P… – Hermione se segurou. E seguio-o.
Ao sair do quarto ela o vio abrir as portas de prata do ‘Elevador Encantado’. Ele parou, com a mão na maçaneta, olhou sorridente para a garota.
      –E então?!
Ela se aproximava diminuindo o passo. Quando foi dizer algo, Hecktor abriu as portas cegando-a com o poderoso flash, que a engoliu. No meio da nuvem branca sentiu um forte puxão no braço, que a levou mais para dentro do campo luminoso. E como se a gravidade perdesse repentinamente o efeito, antes de um respirar, o barulho de portas se abrindo foi ao encontro de seu ouvido. E as luzes se apagaram. Estava na sacada do Hall Principal, e seus amigos no piso, abaixo, ainda converçando.
Hecktor estava recostado no corrimão da sacada. Olhando-os.
Hermione seguio rumo, e desceu as escadas em espiral.
      –Eih Mione, agente estava lembrando do casamento do Hecktor e da Nicolle. Em 98. Nossa foi uma grande noite. – Rony contava alegre, ao seu lado Gina, de mãos dadas a Harry. E as três garotas, Bella, Lux e Nicolle a sua frente.
      –Sim Rony, eu me lembro bem, o casamento estilo celta, a Nicolle estava linda. – Dizia Hermione, olhando os degraus enquanto terminava de descer, quase correndo.
      –Obrigada Mione. – Nicolle se virou com um belo sorriso para a amiga.
      –Hecktor?! – Hermione terminou de descer as escadas e observou Hecktor ainda lá em cima, sorrindo, com a mão segurando o queixo, e o cotovelo apoiado no corrimão da escada. Olhando para o horizonte.
      –Heck?!
Hermione o chamou novamente. Ele “acordou” assutado, olhou Mione lá em baixo, e com um impulso saltou sobre o corrimão, e pulou para o térreo. Seu sobretudo tremulou no ar, e bateu com um baque no chão, perfeitamente de pé e equilibrado. Todos olharam para ele.
      –Sim?!
      –Onde vai com tanta pressa? – Indagou Bella a seu irmão.
      –O Willyam está chegando, pediu para esperarmos na costa, motivo não sei.
      –Que?! Ele não estava no Brazil?
      –Estava. – Hecktor dava um sorriso maroto.
Ele ageitou seu sobretudo, e abotou-o. Aprouximou-se do grupo de amigos.
      –E em quanto tempo ele chega? – Perguntou Rony.
Hecktor ia responder mas Mione o interrompeu.
      –Logo, em minutos.
      –E como vocês pretendem chegar a costa?– Disse Gina, sarcástica. – Nem o carro voador de meu pai, nem as suas carrossas de testrálios, e nem as nossas vassouras podem chegar tão rápido. Estamos falando de cruzar uma ilhar e uma cordilheira de montanhas!
      –Hecktor? – Harry interveio.
      –Me sigam.
Hecktor tomou a frente, contornou o grupo de interrogadores descrenços que era formado por seus amigos, e seguiu em direção as grande portas da mansão.
Os garotos se entreolharam. Pois é?!. E seguiram o Sr.Bleck.
Caminharam rapidamente o saguão do Hall Principal, abriram as grandiosas portas, e todos desceram as escadarias em silêncio. Lá fora no gramado, debaixo de um céu estrelado e uma bela lua minguante, eles pararam e olharam para Hecktor.
      –Irmão, você está bêbado?
      –Não Bella, claro que não! – Hecktor sorrio com a brincadeira da irmã, mas ao perceber seu rosto preocupado viu que não foi uma brincadeira.
      – Hecktor, você não vivia se gabando em Hogwarts que as magias de proteção na Mansão era mais antigas e mais poderosas que as de Hogwarts. E que mesmo um mago muito poderoso, como Dumbledore por exemplo, se tentasse utilizar aparação na área, sofreria o pior estrunchamento já visto? Que seria esquartejado na passagem? – Gina falou em voz alta, dando um passo a frente.
      – Sim, e não menti. E se um bruxo qualquer tentar aparatar ou desaparatar aqui simplismente não conseguiria.
      – Então o que houve Bleck. Se acha mais poderoso que Dumbledore? – Disse Rony as gargalhadas, e olhando para seus amigos que também sorriram.
      –Não Rony, nunca disse isso. – Ele sorrio para si mesmo. – Mesmo sendo verdade se eu dissesse isso seria de um egocêntrismo tamanho.
Todos gargalharam com a ousada brincadeira do amigo.
      –Mas e então Hecktor? O tempo passa enquanto falamos. – Harry resolveu entrar na conversa, e mostrava gestualmente o relógio em seu pulso.
      – Temos todo o tempo do mundo, Harry, mas, não temos tempo a perder. – Sussurrou o Sr.Bleck, numa altura que todos os seus amigos pudessem ouvir claramente.
      – Bella? – Harry e Hecktor disseram em unissom, sem querer, e se entreolharam. Depois olharam novamente para Bella. Ela estava quieta demais, olhando estranhamente para seu irmão.
      – Você vai mesmo fazer isso, vai mostrar a eles?! – Bella possuia um olhar sínico, um sorriso desafiador, e um tom de voz preocupado.
Atissou a curiosidade de todos. Até Hermione e Lux que não estavam prestando tanda atenção na conversa olharam para a menina Bleck, e depois seguiram o olhar dela para Hecktor.
Eles começaram a indagar: Fazer o que? Mostrar o que? Eu QUERO saber! Hecktor?!
O garoto gargalhava sozinho. Eu adoro muito tudo isso. Simplesmente virou-se, deixando os amigos para tráz – de novo, correndo pela grama atravessando os belos jardins e o espelho d’água, indo para a floresta. Seu sobretudo arrastando folhas pelo chão, esvoaçando como uma capa.
      Um grito, HECKTOR! Hermione se irritou.
Ela observava o garoto correndo na frente, seu sobretudo preto era fácil de perceber naquela noite clara. Seus amigos estavam correndo até ela. A garota havia corrido rapidamente alguns metros em direção a Hecktor, e agora pará-ra. Ageitou uma mecha de cabelo castanho, que atrapalhava sua visão, atrás da orelha. Colocou a mão no bolso da calça jeans, e percebendo que o garoto não iria parar, pegou a varinha, e uma luz a atingio.
Antes de conseguir sacar a varinha, Hermione fora atingida por um feitiço de Hecktor que estava distânte, antes de costas agora virado para ela com sua varinha de pinheiro firme, apontada para a garota.
      – O que pensava em fazer Mione? Me azarar e ainda de costas?!
A garota não havia pensado, antes de pegar a varinha, ela só viu a luz branca e a varinha foi arrancada de sua mão. Ela estava assustada, mesmo não deixando transparecer.
      – Espere! Você não irá nos fazer segui-lo para o meio de uma floresta perigosa como essa sem nos dizer o que há. Você se acha o melhor, o mestre. Não somos crianças Hecktor, nossa juventude já passou. Já deveria ter aprendido isso, nossas vidas não são mais aventuras, deixe de viver no passado, você está parecendo seu PAI!
Todos os garotos que estavam chegando próximo a ela pararam, ela havia dito isso aos berros. Bella paralizou, gélida, ela sabia que isso batia fundo no seu irmão.
Hecktor, a distância, pareceu abaixar a varinha trêmulo, guardou ela no bolso, abaixou a cabeça, e quando tirava sua mão do bolso frontal-esquerdo onde guardou a varinha, ele puchava uma fina corrente prateada que parecia estar presa a algo, quando seu fim estava próximo,
Tudo recaio a mais profunda escuridão…

“...nem foi tempo perdido, somos tão jovens...”

Diário dos Bleck Cap.3 Part.1

Autor: H.B.P  //  Categoria: Diário dos Bleck
Gostaria de me desculpar pela demora em postar. 
Devido aos problemas da mudança no Blog, eu acabei adiando, até demais, a nova postagem. 
E para me redimir, eu postarei um capítulo hoje (31/8) e o outro dia 7, semana que vem. 
Até mais. Espero assim agradar a gregos e troianos, e espero que gostem do Post.
Ass.: Heitor "Gnomo Bardo" Campos
 
 

 

Setembro, 10º dia, ano de 2001…

 

“Querer a verdade é confessar-se incapaz de a criar.” Friedrich Nietzsche.
Respiração profunda, olhos cerrados, pensamento longe…

       – HECKTOR! HECKTOR!
      Gritos ecoavam por toda a mansão.
      Naquela bela manhã de segunda-feira, o céu sem nenhuma nuvem, completamente azul e límpido.
Àquela hora, todos da mansão já estavam acordados.
A jovem Bella Bleck Potter corria desesperada, vinda da Torre Oeste, acabara de entrar no Hall Principal se deparando com Nicolle e Lux, que não compreendiam nada.
       – Vocês… Viram o Heck… Hecktor? – estava ofegante.
       – Não Bella, não o vimos, ele não apareceu nem para o café. – Dizia Lux, conformada.
Nicolle levantará a mão, pedindo atenção. Bella fez cara de nojo, mas ouviu o que a garota queria dizer.
       – Sim Nicolle, diga.
       – Eu o vi pela janela do meu quarto. Ele deve estar lá no jardim, aos pés da Torre Norte.
Nicolle sorria, ficara feliz de poder ajudar. Bella virou para as duas garotas.
       – Obrigada, Lux! – Ela olhara para a Nicolle, com uma cara zombeteira.
Nicolle pulava de raiva e o seu rosto corara. Lux ficava só rindo, disfarçadamente, enquanto Bella saia na correria, em direção as portas da mansão.
Ela abrirá a porta e descera saltando os degraus de mármore branco, aos pés da mansão. Correrá e quase cairá. Disparando pela grama verde, seu sobretudo arrastando o orvalho, rodeando a mansão. E ainda a chamar seu irmão.

Inspira… Expira…
Hecktor estava sentado de pernas cruzadas, meditando, estava com seu peito nu. Só de calças jeans. Descalço. Não sentia mais seu corpo, até que fora despertado pela voz de sua irmã, curvando o lado da mansão, vindo apressada na direção dele – um tom de voz agitado e rouco. Ela estava ofegante, mas quanto o viu, parou, indagando-se.
       – O que fazes aqui Hecktor?
       – Pensando, o ar frio da madrugada ajuda muito. – Ele nem abrira os olhos, continuava concentrado.
       – Você acordou que horas para vir para cá?
       – Não dormi.
Bella se assustou com a naturalidade que seu irmão disse isso, mas preferiu não comentar. Como o Hecktor consegue ignorar seus sentidos e sentimentos desse jeito, ou pelo menos maquiá-los?!. Ela o olhou por algum tempo, estava molhado por um orvalho cintilante pela luz da manhã, de face para o nascer do Sol. Ela reparará no seu rosto liso.
       – E ainda teve tempo de fazer a barba Hecktor?
       – Sim. Fiz um óleo na sala de Alquimia. – Ao terminar, ele respirou profundamente, depois expirou devagar. – O que mesmo ocorreu para você me chamar, minha irmã?
       – Oh sim! Já ia me esquecendo.
A garota foi até perto do irmão, ajoelhou-se ao seu lado. Respirou lentamente e lembrou-se.
       – Sim, chegaram mais cartas!
       – Mais!? Assim teremos de expandir o Corujal!
Bella sorriu junto com seu irmão. Hecktor ainda não abrira os olhos.
       – Mas então… Continue.
       – Sim sim. – Bella parou, e se lembrou. – Há! Eles responderam! – Ela dizia feliz, tirando uma carta do bolso e entregando a Hecktor.
Ele se arrumou, sentou na grama, abriu os olhos, ficou alguns instantes ofuscado pela luz, até poder ver direito a carta em sua mão. Ele reparou que seu lacre já havia sido partido. Olhou o remetente: Sr.ª Weasley. Olhou para Bella sorrindo.
       – Ela realmente se familiarizou com o sobrenome Weasley, nem mais assina como Srt.ª Granger.
       – Não vou falar nada Hecktor, você sabe que ela não é mais ‘Senhorita Granger’. O que você queria é ver esta carta assinada como Sr.ªBleck.
Hecktor olhou enraivecido para sua irmã. Não gostara da brincadeira. Ele tirou a carta de dentro do envelope, a desdobrou, e leu, massageando sua perna com uma das mãos.

Olá Hecktor

Ficamos muitíssimos felizes por receber notícias suas, adoraremos ir ao aniversário de Bella, ficamos tão empolgados que já estamos arrumando nossas malas e partindo a caminho daí, provavelmente chegaremos no final desta tarde.


Pode nos esperar, chegaremos de carro.
Beijos
Mione

De um salto, Hecktor se pos de pé. Bella sorriu vendo a alegria de seu irmão, às vezes tão adulto, outras vezes tão criança.
Hecktor entregou o envelope e a carta de volta a sua irmã, ajudou-a a levantar, e disse:
       – Temos muito que fazer Bella, receberemos visitantes ilustres esta noite.
Bella se equilibrou em pé, ela quase gargalhava.
       – Pode deixar Hecktor, falarei com os Elfos.
       – Certo. – Hecktor pegara um grande relógio de bolso, dourado, e estava checando as horas. – Irei avisar aos outros, e me arrumar. Ainda temos tempo, mas todo tempo sempre é pouco.
Bella fez cara de desentendida, mas sorriu.
Ela fitava seu irmão retornar correndo para dentro da mansão. Ela dera meia volta e seguia pelo outro lado, caminhando a caminho da cozinha externa.

Como são grandes os jardins da mansão.
Bella andava paralela a floresta, olhando para dentro de sua escuridão sem fim. Uma brisa fria e úmida soprava de dentro da grandiosa floresta, acariciando os cachos louros da jovem Bleck.
As árvores da floresta eram muito altas, troncos grossos, perfeitamente alinhados, além de diversas raízes parecendo grossas cobras a sair do chão, paradas, serpenteando. O chão da floresta era coberto de folhas secas. A floresta guarda maravilhas, mas também diversos perigos, que Bella já teve o azar de ver de perto.

       – Vamos Bella! Está com medo?
Chamava seu irmão, correndo a poucos metros a sua frente.
       – Ai Hecktor… Tem certeza?
Os dois corriam sobre as folhas secas, saltando pelas grossas raízes, zigzagueando por dentre as grandiosas árvores da floresta. Os poucos feixes de luz que conseguiam atravessar a densa vegetação das copas das árvores eram as únicas formas de iluminação dos dois jovens, descontando, é claro, as suas varinhas que produziam uma luz vibrante, que balançava no ritmo das passadas dos irmãos.
O jovem Hecktor sorria para sua irmã, ele corria a alguns metros a frente dela, a garota estava temerosa por ir tão profundamente à floresta.
       – Que isso Bella? Você mora aqui há 12 anos e nunca foi até a Torre?
       – Não! O papai disse que não deveríamos nem ousar nos aproximar!
       – Anote minhas palavras Bella, quase sempre é mais fácil conseguir o perdão do que a permissão.
Disse o jovem Bleck, gargalhando e aumentando o ritmo de suas passadas.
Poucos acreditariam que algum dia o jovem prodígio, responsável, e correto filho dos Bleck teria dito isso, mas Bella sabe, ela tem sorte de ser a única a realmente conhece-lo, ou então se aproximar mais de sua verdade. A garota começa a correr mais rápido, para que não se afastasse de seu irmão.
As folhas caem, cortando o caminho dos dois, e a floresta se torna mais escura, o ar mais denso e úmido, até que a silhueta das ruínas de uma grande torre se aflora a sua frente, surgindo de uma clareira na floresta.
A torre ascende perante as árvores, e se realça em direção ao céu outrora iluminado, antes do cair da noite.
Os dois param a frente da grandiosa construção, e ficam alguns segundos a observá-la. A torre possuía um brilho prateado do refletir do luar.
Então um alto e aterrorizante gemido de agonia invade a alma da garota, vindo da torre. Sua espinha se arrepia, e ela olha o rosto pálido do seu irmão a sorrir para ela. Um vento forte sopra e abre uma porta ao pé da torre, e está ventania vem em direção aos dois carregando folhas, pega Hecktor de costas, segue em direção a garota e lhe cobrindo a visão, fazendo-a cair nas profundezas das sombras.

E outra brisa fria acaricia o rosto da garota, enquanto o vento sussurra em seu ouvido, lhe espantando os pensamentos.
Bella ainda estava a caminho da cozinha externa, andando pela grama, admirando a grandiosa silhueta da mansão. E se afastando da floresta, ela olha a pequena casinha de janelas minúsculas e quadradas de madeira, e paredes de pedra bruta.
Se aproximando, observando a fina fumaça que saia da chaminé de ferro torta no teto da cozinha. A garota se aproximou da porta de madeira cinza, abrindo a porta com um rangido.
Ela começa a entrar, e ouvi várias vozezinhas vindas de todos os lados, um cheiro delicioso de comida cobre o lugar, Bella percebe que todo o barulho de passos e conversas lá dentro se silencia repentinamente. Se deparando com uma grande cozinha, com piso, parede e teto de mármore branco encardido, várias panelas, caldeirões e louças espalhas, várias pias, torneiras, armários, balcões de prata brilhante, além de uma grande fornalha na parede do fundo, mas o mais impressionante é gigantesca quantidade de serezinhos miúdos, com olhos grandes e esbugalhados, peles enrugadas e cinzas, e orelhas parecendo azas de morcego, e usando trapos de pano como roupas, e todos eles olhando espantados para ela. A quanto tempo não venho aqui. Bella observa os elfos retornarem ao seus serviços devagar, fluindo pela cozinha, enquanto um Elfo Doméstico mais velho vem meio manco para próximo da garota.
       – O que queres aqui pequena Bleck. – Disse com uma voz tossida, meio esganiçada.
       – Também é bom lhe ver Carniçal. – Respondeu Bella, meio arrogante.
O velho elfo teve certa dificuldade para ficar de pé. Tossiu rouco. E ergueu sua cabeça para olhar nos olhos da jovem senhoria.
       – Teremos visitantes está noite Carniçal, preciso que alguns elfos arrumem os quartos de hóspedes, e façam o melhor banquete possível.
       – Está bem senhorita Bleck, controlarei tudo por aqui. – Disse o elfo ranzinza, virando as costas e sumindo na multidão de cabeçinhas cinzas.
       – Obrigada. – Bella falou, mesmo sem esperança que ele tenha ouvido.
Ela ficou alguns instantes olhando a cozinha. Observara a porta dos fundos, de onde vinha um forte transito de elfos, entrando e saindo. Diferente de um alçapão no canto esquerdo da cozinha, próximo a um armário, ali havia uma cadeira de balanço pequena, ou estava sentado o velho elfo que acabara de atender Bella, o elfo vigiava todos os outros dali, sobre aquele alçapão.
Bella virou-se para porta e saiu dando um longo suspiro.
Ao pisar no gramado, algo aconteceu.
Uma enorme fera saltou dos arbustos próximos. Bella sentiu sangue na garganta, ao virar-se viu: um enorme lobo, de pelos espessos num tom prateado fosco, seus olhos negros fitavam a garota com impetuosidade, ele mostrava as presas, enquanto corria em direção a ela. Com patadas pesadas, a fera do tamanho de um cavalo se aproximava, a garota juntou fôlego para poder gritar.
       – PARA SETH!!!
Os olhos monstruosos da fera se tornaram sensíveis olhos de um filhote de cão, que sorria com o olhar para ela, ele abriu a bota, deixando uma grande língua azulada cair, enquanto ele ainda corria para cima dela, e como se o tempo passasse lentamente, o grande cão se jogou sobre a garota, de braços abertos, caindo abraçado a ela, rolando sobre a grama.
       – Seth, seu mau, vai me machucar assim garoto!
O cão aquietou-se, saindo de cima de sua dona, e ficando sentado a frente dela. Ainda de boca aberta a ofegar.
       – Bom menino, agora está tudo bem.
A garota se recompõe, levantando e acariciando a grande cabeça do animal. A cauda do grande cão começou a se abanar.
      – Estou ocupada agora, não posso brincar. Os amigos da mamãe vêm aqui, tenho de me preparar querido.
O cão deu um pequeno gemido de tristeza. Abaixou as orelhas. A garota sorriu para ele, meio tristonha.
A fera levantou-se e retornou a correr em direção ao arbusto de onde veio. Sumindo depois pra dentro da floresta.
Bella desamarrotou seu sobretudo, reabotoou alguns botões, e tirou os fiapos de grama. Então tomou o rumo de volta a mansão.

Mas à tarde, musica podia ser ouvida no segundo andar da mansão.
De onde está vindo este toque. Pensou Bella ao entrar no andar, através do ‘Elevador Encantado’.
Ela acabara de sair da cortina de luz.
Prestou um pouco de atenção, o toque era bem baixo, mas naquele silêncio se ouvia alguns ruídos. A garota seguiu a leve sonoridade até o quadro do Hecktor, na porta de seu quarto.
       – Olá Hecktor!
       – Oi Bella!
Respondeu o quadro, se ajeitando na sua poltrona, e continuando a ler seu livro.
       – Que música é essa? – Perguntou a garota.
       – Não sei direito, ele não me explicou… Quer que eu pergunte se você pode entrar?
      – Sim, agradeceria.
      – Espere –
O garoto levantou de sua poltrona, guardara o pequeno livro de capa de couro preto em seu bolso, e sumira pelo lado do quadro.
Aquela pintura ficou algum tempo vazia. A poltrona grande e escura. O local mal iluminado. E no fundo uma estante alta e empanturrada de todos os tipos de livros. Bella reparara um movimento estranho em um dos livros, e de lá apareceu uma víbora, serpenteando por entre os livros.
       – Também está lendo Seforis? – A garota exaltou, olhando para a cobra no quadro.
A cobra olhou para ela, e depois retornou a olhar para frente, continuando seu caminho dentre os livros.
Pena eu não falar com cobras, ofideoglocia parece ser tão legal, e tão… Seu pensamento foi atrapalhado com o retorno do Hecktor-do-retrato.
       – Pode entrar Bella. – Disse calmamente ele, enquanto sorria para ela.
A porta se abriu, deslizando suavemente pelo chão de mármore verde escuro. A garota adentrou a escuridão. Ela ainda pode ouvir o Hecktor2 falar:
       – Olá Seforis, então você estava aí!?
E está frase foi seguida de um curta conversa em um linguajar meu soprado, que Bella por experiência sabe que é ofideoglocia, mas não pode prestar muita atenção, pois a porta fechou em seu encalço.
Bella estava dentro do quarto de Hecktor. O quarto dele lembra muito uma caverna, tem paredes de pedra e um teto com pequenas estalactites. Um piso ladrilhado com granito preto, no meio do quarto uma cama de casal grande, feita de uma madeira vermelha, com lençóis e travesseiros pretos e brancos, aos lados da cama existem dois criados-mudos. No da direita, com uma campainha de prata ao lado de uma jarra também de prata, e uma taça de cristal meio cheia com água. No criado mudo da esquerda a cama, tem uma varinha, um tinteiro, uma caneta de pena, e um pequeno livro de bolso, com capa de couro batido preto, e paginas meio amareladas. Há desenhado com giz branco no chão, ao redor da cama, um grande pentagrama, e alguns símbolos.
O quarto só possui uma janela, totalmente tapa por um blecaute, e cortinas azuis – marinhos. No teto existem pequenas esferas a brilhar, tornado o teto do quarto idêntico ao céu à noite. Além de alguns quadros presos nas paredes.
Neste instante, Hecktor estava deitado sobre sua cama, de tênis, calça jeans e com seu habitual sobretudo de couro preto. Ele olha para o teto. Bella acha que ele não reparou que ela havia entrado no quarto, mas quando ela abre a boca para falar, ele a interrompe.
       – Espere! Escute esta musica… – Diz o garoto ainda deitado olhando as esferas de luz no teto.
Bella calou-se. Ficou um pouco em silêncio até que ouviu a música. Ela olha para o canto, sobre uma mesa, há uma vitrola tocando um LP um pouco antigo. Mas Bella não compreende a letra.
       – Mas o que é isso?
       – Musica! Não conhece? – Hecktor ri.
       – Não Hecktor, está em que língua?
Hecktor senta-se sobre a cama, cruza as pernas e olha para sua irmã.
       – Não reconheces, é português!
Bella presta atenção.
       – Não, não é! É… Brasileiro.
Hecktor levanta-se, quase caindo de tanto rir. Ele pega fôlego e vira-se para sua irmã que está olhando-o com uma cara estranha.
       – Sim, Bella, mas no Brazil se fala Português.
       – Mas é um pouco diferente.
       – Sim, sim… Como o nosso inglês e o inglês americano. – Hecktor recompõem-se do ataque de risos.
       – Ta, mas… Não é musica comum…
       – Sim Bella, é musica trouxa, não é comum para quem não costuma ouvir, na minha viagem ao Brazil, eu ouvia mais musica trouxa a bruxa.
Hecktor ia à direção da vitrola, levantou a agulha, virou o disco de vinil, e pos seu outro lado para tocar. Virou-se para Bella. Ela fazia uma cara de “O que!?”, que Hecktor não conseguiu não rir.
       – Mas, Hecktor, onde conseguiu… Isso? – Ela olhou de canto de olho para o LP a girar.
Hecktor aponta para o disco, tocando ao seu lado, Bella confirma com a cabeça.
       – Um colega me deu de presente.
       – Brasileiro?
       – Sim, por quê?
       – Bruxo?
       – Não, por quê?
Bella sorriu.
       – Tá ai! Se fosse bruxo não ouviria isso.
Hecktor olhou com uma cara de desapontado para Bella.
       – Nem parece minha irmã.
Ela ficou sem palavras, ficou boquiaberta. Mas quando percebeu que Hecktor sorriu, ficou corada de raiva.
      – Ouça a musica primeiro Bella, é muito boa. Verdade!
Bella não queria prestar atenção na musica estranha de seu irmão, ela queria uma explicação para suas ultimas ações, mas sabia que isso seria impossível, já que seu irmão não possui explicação. Então tentou parecer interessada pelo LP.
       – Mas então, que banda?
Seu irmão olhou para a mesa onde estava a vitrola, pegou algo atrás da vitrola de forma que Bella não visse, depois mostrou a ela. Era a capa e a cartilha onde provavelmente teria vindo o Disco.
       – Ainda não sei… A única coisa que consegui ler foi uma pequena frase atrás da cartilha, nela dizia: Urbana Legio Omnia Vincit.
Bella não compreendeu.
       – É latim, correto?!
       – Sim, já traduzi, mas não sei o que quer dizer.
       – Hum… Boa sorte na sua descoberta então.
Bella sorriu para Hecktor, com um sorriso apoiando ele. Ele retribui-o.
       – Mas então, o que queres? Já resolveu tudo? – Disse Hecktor, guardando a cartilha e capa novamente à mesa, atrás da vitrola. Depois ele foi de novo para sua cama, se jogando deitado sobre ela.
       –Vim ver que música era essa, e saber por que você virou a noite no gramado?!!
Hecktor cruzou os braços atrás da cabeça, e voltou a olhar para o teto.
       – Hecktor, isso é um comportamento comum para um adolescente… Você já até é casado.
       – Não foi nada, não se preocupe. – Ele olhou para a garota de esgoela.
Ela percebeu que ele não lhe daria tanta atenção, e começou a andar pelo quarto. Nas paredes possuí várias prateleiras repletas de objetos: desde livros, copos e taças de cristal, até estatuetas de dragões, medalhas e cordões de prata.
       – Foi da carta que eu recebi Bella. – Disse Hecktor.
Ele sabia que ela não ia desistir, não sairia dali sem saber.
Mas a garota continuou de costas para ele, acariciava uma estatueta de granito de um Dragão Cromático Prata, em uma estante mais alta.
       – Um uma carta é. Aquela do tal, J.P.S. que você não quis abrir perto de mim?
Hecktor sorriu, deu uma sacudida de cabeça.
       – É.
Em um piscar de olhos, a jovem Bella que estava há uns 2 metros da cama, próximo à prateleira, saltou para a cama, ao lado de Hecktor. O susto foi tanto que o garoto nem se moveu. A única coisa que viu foi à estatueta de dragão balançar e rodar sobe seu próprio eixo, quase caindo, até se equilibrar.
       – Conta, conta! – Dizia a garota, sorrindo de orelha a orelha, SUPER curiosa sobre o mais novo segredo do irmão.
       – É só um amigo meu, do Brazil. Um filosofo.
      – Filosofo como você?
      – Não Bella, pode ter certeza, ele é bem mais. – Hecktor arregalou os olhos e deu um sorrisinho, enquanto negava com a cabeça.
      – Qual é o nome dele mesmo?
      – José Pontes Shayder.
Bella coçou a cabeça.
      – Eu conheço este sobrenome Schayder.
      – Sim, conhece, o pai e o nosso avô já nos falaram sobre ele… Josep Shayder.
Bella sorriu, parecia ter se lembrado.
      – Sim, o amigo de Nicollau Flamel, o alquimista.
      – Isso, mas não é só isso. – Hecktor sentou-se para falar com sua irmã ao mesmo nível. – Ele é um grande filosofo, ou melhor, ele é ‘O Filosofo’, ele é um filosofo pré-socrático.
A garota parou, não compreendera nada que seu irmão falara agora, e Hecktor se deliciava com a desinformação de sua irmã.
      – Ele decidiu se ausentar da história por motivos desconhecidos. Ele já teve diversos nomes, para não levantar suspeita. Pitágoras, Hermes Trimegisto, Josep S., e agora José Pontes.
Bella ficara boquiaberta, seus olhos desfocaram.
      – Mas… Hecktor.
      – Ainda não terminei…
Ela prestou atenção novamente em Hecktor, que sorria.
      – Ele teve diversas formas de imortalidade, nenhuma definitiva, por isso durou tantos anos, e depois da quebra da Pedra Filosofal em 1991, que ele ajudou a criar, junto a Nicollau Flamel e a nosso avô, Edghar Octavius Bleck. Ele se mudou para o Brazil, se interessou pela história do país, e principalmente pela história do Espírito Santo…
      – Que?
      – Ai, é um estado brasileiro, veja um Atlas na biblioteca depois.
      – Certo.
      – Então…
Hecktor parecia animado em contar a história deste homem. Bella simplesmente ficara quieta e prestara o máximo de atenção possível em seu irmão, para não perder nada.
      – Em minha viagem, o encontrei lá trabalhando de professor.
Bella continuava pensativa.
      – Professor?
      – Sim, ele é professor em colégios Bruxos e Trouxas. Um aluno dele que me deu o LP. O Nosso primo, o Willyam, também é aluno dele.
      – E o que ele disse na carta? – Bella não estava interessada no currículo de Schayder, mas sim no que ele havia dito para ressuscitar este comportamento em Hecktor. Antes desta viagem, havia muito tempo que ele não fazia isso. Ou melhor, faziam exatamente 3 anos.
      – Ele falou pouco, mas digamos que ele falou bonito, me instigou curiosidade… Ele quer falar comigo, ele virá ao completar do 12º mês, nos veremos em Londres. Já enviei uma carta de madrugada para lhe dizer aonde será.
Bella provavelmente não compreendera porque seu irmão estava tão animado, mas sabia que não era por um motivo fútil.

Eles conversaram por mais algum tempo, enquanto a vitrola tocava.
“Podem até maltratar meu coração, mas meu espírito ninguém vai conseguir quebrar!”

Continua…

Mudança de local

Autor: H.B.P  //  Categoria: Diário dos Bleck

 

  O Blog dos Alunos mudará de nome, layout e consequentemente, de link, então, todos os links antigos enviados se tornaram inúteis. Porém, para os Fãs da Fanfics Diário dos Bleck, apresento-lhes uma solução para continuar a seguir nossos livros. Graças aos originais “erros de ortografia” se procurar no Google por: “Diário dos Bleck” ou “Hecktor Bleck Potter”, de preferencia com aspas (“), seremos os únicos…

Facilitando o encontro do novo Blog. Obrigado pela atenção, e desculpe-nos pelo contratempo.

Palavras do Autor: Heitor “Gnomo Bardo”  Campos.

Autógrafo do Autor